Análise: Avatar Frontiers of Pandora – From The Ashes
O retorno a Pandora troca a coleta pacífica pela brutalidade da guerra e entrega uma experiência superior à campanha original.

Se existe uma franquia que sabe trabalhar o espetáculo visual, é Avatar. Quando a Ubisoft Massive lançou Frontiers of Pandora, fomos apresentados a um mundo alienígena deslumbrante que prometia imersão total. Agora, alinhado com o lançamento cinematográfico de Fire and Ash, recebemos a terceira expansão do jogo, intitulada From The Ashes. Mas será que vale a pena retornar às florestas de Pandora?
Diferente das expansões anteriores que pareciam apenas “mais do mesmo”, esta DLC chega com uma proposta de mudar o ritmo, corrigir falhas antigas e entregar uma narrativa mais madura. Deixe de lado a coleta delicada de frutas; é hora de empunhar a faca elétrica e encarar as cinzas. Nesta análise, vamos revisitar o que fez o jogo base ser amado e odiado, e descobrir como From The Ashes consegue, surpreendentemente, superar a aventura original.
Relembrando a Jornada Original: O “Far Cry” de Pandora
Antes de mergulharmos nas novidades de From The Ashes, é preciso ser honesto sobre a base onde estamos pisando. Quando analisamos o jogo base, ficou claro que a Ubisoft entregou uma recriação geográfica de qualidade do universo de James Cameron. A fidelidade da fauna, da flora e das icônicas montanhas flutuantes era de cair o queixo, acompanhada de uma sonoplastia que nos fazia sentir, literalmente, dentro do cinema. A premissa de controlar um Na’vi criado por humanos (a RDA) trouxe uma dualidade interessante: éramos guerreiros que não tinham medo de usar fuzis de assalto, mas que precisavam se reconectar com a natureza.
No entanto, nem tudo eram flores 3D. Apesar da beleza, o jogo sofria com problemas técnicos notáveis, como texturas que demoravam a carregar (pop-ups) e uma renderização que, por vezes, lembrava gerações passadas de consoles. Além disso, a navegação era um ponto de frustração constante. O “senso de Na’vi” era vago, indicando apenas borrões de luz que sumiam ao nos aproximarmos, tornando a exploração de um mapa tão vasto e colorido uma tarefa, por vezes, confusa e exaustiva.
A jogabilidade tentava se equilibrar entre a ação explosiva e a sobrevivência minuciosa. Você precisava comer, caçar e estocar vegetais, o que distanciava o jogo de um Far Cry tradicional, mas o combate muitas vezes parecia injusto. O incentivo ao stealth (furtividade) conflitava com o design das bases inimigas, onde os adversários detectavam nosso protagonista gigante com facilidade excessiva, transformando qualquer erro em um tiroteio letal e caótico. Era um jogo de extremos: visualmente magnífico, mas mecanicamente inconsistente.


Uma Nova Perspectiva: A História e o Protagonista
Esqueça o protagonista “página em branco” do jogo base. Em From The Ashes, assumimos o controle de So’lek, um guerreiro calejado e veterano que já apareceu anteriormente na trama. Essa mudança é muito bem-vinda, pois So’lek possui uma personalidade definida, movido pelo desejo direto de salvar o que restou de sua família e se vingar. A trama se passa cerca de duas semanas após os eventos do filme Fire and Ash e nos coloca contra uma aliança profana entre a RDA e o clã Mangkwan — uma tribo de Na’vis piromaníacos que decidiram se aliar aos humanos invasores.
A narrativa começa com um cenário desolador: uma vasta extensão da Floresta Kinglor foi incendiada. A missão deixa de ser apenas sobre descoberta e passa a ser sobre contenção de danos e guerra. O interessante aqui é a conexão com o novo filme. Embora a história seja contida e separada da campanha principal, ela expande o universo de forma competente, apresentando vilões que, como o Major Tyler Bukowski, são construídos para serem odiados desde o primeiro minuto.
Essa abordagem mais “pé no chão” de From The Ashes e focada em um personagem experiente remove a necessidade daquela jornada de aprendizado ingênua. So’lek é um guerreiro formidável e, apesar de o jogo usar o velho truque de “resetar” as habilidades no início da DLC para justificar a progressão, a escalada de poder é rápida e satisfatória. A duração da campanha gira em torno de 7 a 10 horas, podendo dobrar se você decidir completar todo o conteúdo secundário, o que a torna uma experiência compacta, mas densa.

Aproveite também nossas melhores ofertas de jogos digitais em parceria com a Nuuvem! Confira os links abaixo para encontrar descontos incríveis parao jogar From The Ashes:
• Página principal da Nuuvem
• Descontos para PC
• Gift Cards para PlayStation
• Descontos para Xbox
• Descontos para Nintendo
Adeus Colheita, Olá Brutalidade
A maior vitória de From The Ashes é a simplificação inteligente de seus sistemas. A Ubisoft parece ter ouvido as críticas sobre o excesso de microgerenciamento. O minigame de colheita delicada, onde você precisava puxar a planta no ângulo certo, foi removido, assim como a mecânica de hacking. O foco agora é a fluidez. So’lek utiliza uma faca eletrificada que serve tanto para abrir portas quanto para execuções furtivas brutais, lembrando um pouco Assassin’s Creed.
O combate ganhou uma nova dinâmica, muito mais cinética e agressiva. Graças à nova árvore de habilidades de So’lek, o jogo incentiva uma postura de “brawler” (lutador). Você não precisa mais ficar se escondendo com medo de ser visto a todo custo. Agora, é possível se lançar do seu Ikran diretamente sobre os mechas inimigos para uma finalização instantânea, ou usar o arco explosivo para transformar flechas em bombas de fragmentação.
Essas mudanças tornam o ritmo muito mais acelerado. As bases inimigas funcionam em um sistema onde destruir postos menores enfraquece a base principal, criando uma sensação de progresso militar real. E, para os que achavam a dificuldade injusta, os novos inimigos — incluindo cães robôs e novos tipos de trajes AMP — oferecem desafio, mas as ferramentas que temos em mãos agora são muito mais letais e divertidas de usar.


Visual Renovado e a Salvação em Terceira Pessoa
Se o jogo base já era bonito, From The Ashes consegue polir ainda mais o visual. Os ambientes internos estão mais nítidos e a iluminação foi aprimorada, e a nova zona de basalto vulcânico oferece um contraste visual interessante com o verde “amazônico” que estávamos acostumados. No entanto, a mudança técnica mais impactante não está nos gráficos, mas na câmera.
A introdução do modo em terceira pessoa transformou a experiência. O que antes era uma visão em primeira pessoa que, embora imersiva, dificultava a noção de espaço (especialmente em plataformas), agora se tornou uma jogabilidade muito mais tátil e agradável. Ver So’lek se movendo pelo ambiente, escalando e lutando, dá uma nova dimensão ao jogo. Embora algumas animações, como nadar, ainda forcem a primeira pessoa (o que é uma pena e uma falha), a liberdade de escolha é um ponto fortíssimo.
A performance no PlayStation 5 Pro e em outros consoles atuais mostra-se mais estável do que no lançamento original, com menos problemas de renderização. A interface também recebeu melhorias, permitindo que o jogador a torne tão minimalista quanto desejar, resolvendo parte das críticas sobre a poluição visual, embora a navegação sem HUD continue sendo um desafio para os mais puristas.

Conclusão da análise de From The Ashes
Avatar: Frontiers of Pandora – From The Ashes é a prova de que a Ubisoft Massive soube aprender com seus erros. Ao invés de apenas expandir o mapa com “mais do mesmo”, eles refinaram a jogabilidade, cortaram as gorduras (como o sistema de crafting excessivo) e entregaram uma experiência de combate muito mais satisfatória e visceral. A história, embora simples, cumpre seu papel de conectar o jogador aos eventos do novo filme, expandindo o universo do cinema, e nos dá um protagonista com motivações claras.
From The Ashes não é apenas um complemento; em muitos aspectos, ela é superior ao jogo base. Ela oferece o equilíbrio perfeito entre exploração e ação, sem se tornar repetitiva. Se você gostou do visual de Pandora mas se frustrou com as mecânicas de sobrevivência do original, ou se apenas quer um jogo de ação competente para acompanhar o hype do cinema, From The Ashes é uma recomendação fácil e uma excelente despedida (ou recomeço) para este universo.
A DLC que é melhor que o jogo base!
NOTA - 8.7
8.7
Ótimo
Avatar: Frontiers of Pandora – From The Ashes surpreende ao corrigir os tropeços do passado e entregar uma experiência superior ao jogo base. Ao trocar o microgerenciamento de recursos por um combate visceral e simplificar sistemas antigos, a expansão brilha com a nova perspectiva em terceira pessoa e um protagonista de personalidade forte.
