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Análise: MY HERO ACADEMIA: All’s Justice

A derradeira conclusão de Boku no Hero

Aproveitando o hype da conclusão do anime no final de 2025, MY HERO ACADEMIA: All’s Justice chega cobrindo o arco final da guerra contra All For One e Tomura Shigaraki. O lançamento, ocorrido apenas dois meses após o fim da série regular (e antes do episódio especial previsto para maio de 2026), mostra que a Bandai Namco acertou em cheio no timing, capitalizando sobre uma franquia que ainda está fresca na memória dos fãs.

Mas será que o timing estratégico é suficiente para garantir o sucesso do jogo? É o que vamos descobrir nesta análise.

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Modo História e Mundo Aberto

O jogo oferece duas experiências distintas. A primeira é o Modo História, que recria a narrativa das duas últimas temporadas. A progressão apresenta ramificações, permitindo escolher qual rota seguir até que todas convirjam para as batalhas finais.

Infelizmente o título apresenta dois problemas notáveis:

  • Narrativa Visual: A apresentação é inconsistente. Em certos momentos, temos animações fantásticas na engine do jogo; em outros, somos limitados a “slideshows” de cenas do anime (ou artes estáticas criadas para o jogo, já que a produção começou antes do fim da série). Essas quedas para o estilo “apresentação de slides” quebram drasticamente a imersão. Mas ainda assim é bem melhor do que a terceira temporada de One Punch-Man.
  • Repetitividade: Devido à natureza do arco final (muitos heróis contra poucos vilões), o jogo sofre com a repetição. Enfrentar Tomura Shigaraki inúmeras vezes se torna cansativo. Mesmo quando o jogo alterna para a perspectiva dos vilões, as cenas e diálogos são reaproveitados, diminuindo o impacto da novidade.

O segundo destaque é o Mundo Aberto. Embora limitado em escala, ele oferece missões variadas e libera novos personagens conforme o progresso. O grande trunfo aqui é a exploração com trios de heróis: cada personagem possui uma locomoção única, como Uraraka usando gravidade zero para flutuar e dar saltos enormes, o que torna a navegação divertida.

O ápice do gameplay na franquia

Comparado aos antecessores (One’s Justice e o battle royale Ultra Rumble), All’s Justice traz o combate mais refinado da série. Com uma câmera mais afastada e foco na técnica em vez da destruição de cenário, ele se aproxima da fluidez de Naruto Storm, mas com identidade própria.

O sistema mistura combos automáticos com dois comandos para acionar as individualidades. Enquanto para defesas, temos bloqueio e também um poderoso contra-ataque.

Existem duas barras principais. Uma gerencia os golpes especiais (Plus Ultra), podendo acumular até três cargas; a outra ativa o “Modo Especial”, que concede buffs como recuperação de vida ou alterações no moveset.

A dinâmica brilha no sistema de trios. A movimentação é fluida e permite alternar entre personagens no meio de combos, convocar assistências ou encadear até três Plus Ultras devastadores. O único ponto negativo no balanceamento é a vantagem desproporcional de personagens de longo alcance contra lutadores corpo a corpo, algo que se torna frustrante contra chefes como Tomura no modo história.

Gráficos e áudio

Visualmente, o jogo estabelece um novo padrão para a franquia. Os modelos de personagens são fluidos e expressivos, abandonando a rigidez dos títulos anteriores. Os cenários, embora simples em texturas, possuem uma construção geométrica interessante, com relevos que influenciam o combate e aumentam a imersão.

No entanto, o departamento sonoro sofre de um mal comum aos jogos licenciados pela Bandai Namco: a ausência da trilha sonora original do anime. As músicas genéricas, embora competentes, não capturam a emoção das cenas, criando uma falsa sensação de epicidade.

A dublagem japonesa continua excelente, mantendo o elenco original, enquanto a versão norte-americana deixa a desejar. O ponto mais crítico para nós, contudo, é a localização: surpreendentemente, o jogo não possui legendas em PT-BR, uma omissão triste dado o tamanho da fanbase brasileira e o histórico recente da editora.

Conclusão da análise de MY HERO ACADEMIA: All’s Justice

MY HERO ACADEMIA: All’s Justice cumpre bem o papel de encerrar a adaptação da saga nos videogames. Seu maior mérito é, sem dúvida, entregar o gameplay mais refinado da franquia. Os combates são rápidos e táticos, e o sistema de troca de personagens funciona muito bem. O modo Mundo Aberto serve como um complemento divertido, trazendo um uso criativo das individualidades na exploração.

No entanto, o jogo tropeça na apresentação. O Modo História sofre com a repetição excessiva de lutas e uma narrativa visual inconsistente, que alterna entre belas animações e imagens estáticas. Além disso, a falta da trilha sonora original e a ausência de legendas em português diminuem o impacto do pacote.

No fim, não é a “adaptação definitiva” em termos de narrativa, mas é, de longe, a melhor experiência jogável de My Hero Academia. É um título obrigatório para quem busca um bom combate de arena, mesmo que a apresentação da história não acompanhe a qualidade da ação.

Essa análise de MY HERO ACADEMIA: All’s Justice segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

O maior plus ultra da franquia

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 9
Diversão - 8
Áudio e trilha-sonora - 7
Narrativa - 6

7.6

Bom

MY HERO ACADEMIA: All’s Justice acerta no timing e entrega o jogo mais bem ajustado da franquia em termos de gameplay, com combates fluidos, boa variedade de personagens e um modo alternativo que amplia a longevidade. Por outro lado, o modo história sofre com repetição, escolhas narrativas pouco imersivas e limitações audiovisuais, fazendo com que o título agrade mais pelo sistema de luta do que pela forma como adapta o arco final do anime.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.

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