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Análise: Crisol: Theater of Idols

Um jogo com ideias fora da caixa

Crisol: Theater of Idols é o mais novo jogo do estúdio espanhol VERMILA, também sendo o seu título de estreia. Logo de cara, a desenvolvedora aposta em uma proposta bem conhecida do público: um survival horror claramente inspirado em clássicos do gênero, como Resident Evil, Dino Crisis e Silent Hill.

A ideia aqui não é reinventar a roda, mas trabalhar em cima de fundamentos consagrados dessas grandes franquias, combinando exploração, tensão constante e recursos limitados. A grande questão é saber se um estúdio estreante consegue transformar essas referências em algo coeso e funcional.

Será que a VERMILA consegue, logo em seu primeiro projeto, entregar um jogo completo, competente e com identidade própria dentro de um gênero tão saturado? É isso que a gente confere ao longo desta análise de Crisol: Theater of Idols.

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Crisol: Theater of Idols e a história do Deus Sol

A história de Crisol: Theater of Idols é uma das grandes surpresas do jogo. O ponto de partida pode até parecer simples dentro do gênero, mas conforme a narrativa avança, ela se mostra bem mais interessante e consistente do que o esperado.

Fortemente inspirado no folclore espanhol e europeu, Crisol: Theater of Idols se passa no mundo fictício de Hispânia, mais especificamente na ilha de Tormentosa. Esse território decidiu se isolar do Deus Sol, divindade central desse universo, e passou a seguir uma nova fé ligada ao Deus do Mar, tratado como uma figura rival. Esse conflito religioso serve como base para toda a narrativa.

O jogador assume o papel de Gabriel Escudero, capitão do exército do Sol, enviado à ilha com a missão de acabar com essa heresia. No entanto, o que começa como uma jornada de imposição religiosa rapidamente ganha camadas mais complexas. Conforme Gabriel conhece os habitantes de Tormentosa, suas próprias crenças passam a ser questionadas, inclusive a visão idealizada que ele tinha sobre o Deus Sol.

Mesmo com poucos personagens centrais, o jogo consegue aprofundar bem suas motivações, conflitos e contradições. A narrativa explora temas como fé cega, dúvidas religiosas, erros cometidos por representantes divinos e o impacto dessas crenças na vida das pessoas, criando paralelos claros com questões do mundo real.

A dublagem é outro ponto de destaque e contribui bastante para a força da história. A recomendação é jogar em espanhol, idioma original do jogo, já que as atuações ajudam a dar peso emocional aos diálogos e às situações apresentadas.

Diferente de muitos survival horrors que escondem grande parte da lore em documentos opcionais, Crisol: Theater of Idols adota uma abordagem mais direta. Memórias, relatos e passagens ligadas ao sangue, às deidades e às escolhas do povo ajudam a contextualizar o mundo e suas divisões religiosas, dando espaço até mesmo para NPCs menos proeminentes terem histórias relevantes.

No conjunto, a narrativa se sustenta muito bem do início ao fim e se firma como um dos pilares centrais da experiência, mantendo o interesse do jogador até os momentos finais.

Tormentosa é linda e molhada

A ambientação de Crisol: Theater of Idols é acima da média e deixa claro o cuidado do estúdio em construir um mundo visualmente marcante. Ao mesmo tempo, ela também expõe algumas limitações naturais de um primeiro projeto desenvolvido por uma equipe pequena, com cerca de 20 pessoas, lidando com uma proposta ambiciosa.

Toda a experiência se passa na ilha fictícia de Tormentosa, organizada como um grande cenário dividido em diferentes áreas conectadas por um hub central. Cada região apresenta uma identidade visual própria, sempre puxando para uma estética europeia, com influências do período vitoriano e referências que, em alguns momentos, remetem ao jogo de PS4 Bloodborne. Ao longo da jornada, o jogador passa por cidades, vielas apertadas, esgotos, zonas comerciais, castelos, áreas industriais e espaços religiosos, como igrejas e templos.

O conceito artístico funciona muito bem. Os cenários são chamativos, ricos em detalhes e ajudam a reforçar o clima opressivo e decadente de Crisol: Theater of Idols, contribuindo de forma consistente para a imersão. No entanto, ao observar mais de perto, começam a aparecer problemas técnicos. As texturas nem sempre são de alta qualidade, e a iluminação e as sombras apresentam comportamentos inconsistentes em diversos momentos.

No PC, a estabilidade também deixa a desejar. Mesmo jogando em qualidade média (alcançando algo entre 80 e 90 quadros por segundo em resolução 2K), foi possível notar stutters frequentes. Em algumas áreas, sombras e fontes de luz aparecem e desaparecem sem motivo aparente, ou se comportam de forma estranha mesmo em cenas estáticas, o que acaba quebrando a imersão.

Por outro lado, o trabalho sonoro é um ponto muito positivo da ambientação. A trilha sonora aposta em músicas mais misteriosas e contemplativas, que combinam bem com o clima do jogo, enquanto o design de som ambiental, como o barulho da chuva ecoando pelas vielas e sons distantes, ajuda a dar peso e identidade ao mundo de Tormentosa.

O sangue tem poder

O gameplay de Crisol: Theater of Idols funciona em extremos. O jogo apresenta ideias muito boas e bem executadas, mas também tropeça em decisões que, com o tempo, acabam enfraquecendo a experiência. Como survival horror, ele acerta no básico do gênero, mas nem sempre consegue sustentar a tensão ao longo de toda a campanha.

Na sua estrutura central, Crisol: Theater of Idols segue o clássico “arroz com feijão” do survival horror: munição limitada, inimigos que exigem cautela e um ritmo que pede planejamento antes de agir. Os puzzles são um ponto claramente positivo. Eles exigem observação do ambiente, leitura de registros e atenção à própria narrativa, com enigmas que realmente fazem o jogador parar, pensar e, em alguns casos, empacar até encontrar a solução. Isso é exatamente o tipo de desafio esperado nesse estilo de jogo.

O grande diferencial do combate está no uso do sangue como recurso. Por ser um emissário direto do Deus Sol, Gabriel Escudero transforma todas as suas armas em armas de sangue, utilizando o próprio sangue tanto como vida quanto como munição. Cada arma trabalha esse conceito de forma distinta: pistolas consomem pouco sangue, mas causam pouco dano, enquanto armas mais poderosas, como a escopeta, drenam uma quantidade maior de vida em troca de alta eficiência. Isso cria um sistema constante de risco e recompensa, obrigando o jogador a equilibrar sobrevivência e poder de fogo o tempo todo.

Os inimigos também começam com uma proposta interessante. Formados por estátuas modulares, divididas em cabeça, tronco e pernas, eles reagem de formas diferentes conforme as partes destruídas, o que gera situações criativas e imprevisíveis nos momentos iniciais. No entanto, essa ideia perde força com o passar das horas. A variedade de inimigos é limitada, com poucas novidades sendo introduzidas ao longo da campanha. Fora a adição pontual de um inimigo voador que ataca à distância, o padrão se repete com frequência.

Com a evolução das armas e habilidades do jogador, os inimigos se tornam previsíveis e a sensação de ameaça diminui consideravelmente. O combate passa a funcionar mais no automático, o que impacta diretamente a tensão.

Por outro lado, Crisol: Theater of Idols volta a acertar ao introduzir Dolores, uma inimiga recorrente que persegue o jogador em momentos específicos da campanha. Diferente dos inimigos comuns, ela não pode ser enfrentada diretamente, transformando essas seções em sequências de gato e rato bem construídas. Nessas partes, o jogador precisa despistar a perseguição enquanto resolve puzzles sob pressão, criando alguns dos momentos mais tensos e memoráveis de Crisol: Theater of Idols.

Crisol: Theater of Idols é um ótimo primeiro jogo

Crisol: Theater of Idols é um jogo que impressiona de forma bastante positiva, especialmente considerando que se trata do primeiro projeto da VERMILA. A ambientação é muito bem construída, a narrativa é um dos grandes destaques da experiência e o trabalho sonoro contribui bastante para sustentar o clima do jogo.

A história, fortemente inspirada no folclore espanhol, é interessante do começo ao fim e consegue explorar bem temas como fé, dúvida e heresia. No gameplay, a ideia de usar o sangue do protagonista tanto como vida quanto como munição cria um sistema de risco e recompensa que funciona bem e exige decisões constantes do jogador, adicionando uma camada estratégica pouco comum ao combate.

Visualmente, Crisol: Theater of Idols é agradável e apresenta um conceito artístico forte, mas a parte técnica ainda deixa a desejar. Problemas de iluminação, sombras inconsistentes, stutters e bugs acabam impactando a experiência. Durante a campanha, ocorreram falhas claras, como upgrades de armas que ignoravam o custo em dinheiro e um confronto com chefe que simplesmente parou de reagir, eliminando qualquer sensação de desafio.

Mesmo com esses problemas, Crisol: Theater of Idols entrega uma experiência sólida e mostra um estúdio com ideias muito boas e identidade própria. Com mais polimento técnico, o jogo poderia facilmente se equiparar à qualidade das suas melhores ideias.

E, por fim, Crisol: Theater of Idols custa apenas 55 Reais que é um valor extremamente acessível para a qualidade do jogo, assim como com o conteúdo entregue que facilmente supera 10 horas de jogatina.

Essa análise de Crisol: Theater of Idols segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Um sólido Survival horror com altos e baixos

Visual, ambientação e gráficos - 8.5
Jogabilidade - 8
Diversão - 8.8
Áudio e trilha-sonora - 9
Polimento - 7
Custo beneficio - 9

8.4

Ótimo

Crisol: Theater of Idols é um jogo que irá encantar os fãs do gênero survival horror. Ele se sai ainda melhor tanto pelo custo benefício de seu valor x conteúdo entregue, assim como a qualidade final do jogo que encanta em sua ambientação, parte sonora e sua história. Existem tropeços na IA dos inimigos e alguns problemas técnicos, mas nada que tire o brilho de Crisol: Theater of Idols.

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Leonardo

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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