
Anunciado na Direct de 5 de fevereiro, Tokyo Scramble dividiu a comunidade. Enquanto alguns torceram o nariz, outros foram cativados pela premissa singular: uma mistura de puzzles e sobrevivência nas profundezas do metrô de Tóquio, infestadas por dinossauros.
A combinação de terror e criaturas pré-históricas inevitavelmente evoca comparações com Dino Crisis. No entanto, nesta análise, veremos que Tokyo Scramble busca sua própria identidade e descobriremos se o título merece a sua atenção ou se deve ser extinto da sua lista de desejos.
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Toda tragédia começa sempre em Shibuya
A trama acompanha Anne, uma estudante do ensino médio cujo encontro com amigos se transforma em tragédia quando o vagão do metrô desaba. Sobrevivendo à queda, ela desperta em níveis subterrâneos desconhecidos, agora habitados por criaturas que lembram dinossauros.
Sem armas, Anne descobre que sua única ferramenta é um smartwatch misterioso. O dispositivo roda aplicativos capazes de hackear a infraestrutura do metrô como escadas rolantes, portas e máquinas de venda. Isso transforma o cenário em sua única defesa.
A narrativa é direta e eficiente. O desenvolvimento de personagem acontece organicamente através de mensagens de texto trocadas com os amigos na superfície. Esse recurso humaniza a protagonista e aprofunda sua personalidade, criando um contraste interessante com a solidão do ambiente hostil onde não há nenhum outro ser humano vivo.

Boas ideias, execução frustrante
A jogabilidade é praticamente um teste de furtividade e reflexos. Usando ZL para andar agachada sem fazer barulho e ZR para correr (gerando ruído), o jogador deve evitar ser notado. Um diferencial interessante é o monitoramento dos batimentos cardíacos: se Anne estiver muito estressada, seu fôlego diminui e ela se torna mais fácil de ser detectada pelos predadores.
O smartwatch é a única forma de Anne corresponder ao perigo vindo dessas criaturas. Além de controlar o ambiente para criar distrações, o relógio possui uma luz capaz de afugentar as criaturas. No entanto, o uso é restrito pela bateria que pode ser recarregada, porém, de inicio temos uma utilização única até encontrarmos um local onde a recarregue.
Infelizmente, a execução dessas mecânicas é onde o jogo desmorona. O design de níveis é punitivo: inimigos são posicionados excessivamente próximos, o tempo de atordoamento é curto demais e a velocidade das criaturas supera a da protagonista. O resultado é uma experiência que oscila entre a tensão divertida e a frustração pura, agravada pela falta de sinalização clara dos objetivos. A dificuldade, muitas vezes, não parece um desafio planejado, mas sim fruto da falta de polimento.

Gráficos sem textura, mas com um ótimo som ambiente
Visualmente, Tokyo Scramble é inconsistente. Os modelos de Anne e das criaturas são detalhados e bem trabalhados, mas contrastam brutalmente com os cenários. Os ambientes sofrem com falta de texturas, apresentando um aspecto ultrapassado e inacabado que quebra a imersão. A iluminação também falha; muitas vezes, os dinossauros parecem desconectados da luz do ambiente como se ainda estivessem em uma área escura.
Por outro lado, o a parte sonora carrega a atmosfera nas costas. A trilha sonora cria a tensão necessária, e o design de som ambiente é crucial para localizar as ameaças. Um toque brilhante é o uso da vibração do controle para simular os batimentos cardíacos da protagonista, aumentando a imersão física. Vale destacar que a dublagem japonesa é superior à inglesa, entregando atuações mais convincentes.

Conclusão da análise de Tokyo Scramble
Tokyo Scramble atrai pela proposta ousada: misturar sobrevivência, puzzles e dinossauros nas profundezas inexploradas do metrô de Tóquio. A narrativa eficiente, focada na vulnerabilidade de Anne e no uso criativo do smartwatch, sustenta o interesse inicial, apoiada por um excelente design de som que mantém a tensão lá no alto.
Contudo, o jogo tropeça nas próprias pernas. A execução falha transforma o desafio em frustração: inimigos rápidos demais, stun curto demais e objetivos confusos minam a diversão. Visualmente, o contraste entre bons modelos de personagens e cenários pobres em textura reforça a sensação de um produto inacabado.
No fim, é um título de conceitos promissores e identidade forte, mas que carece desesperadamente de refinamento. Pode valer a curiosidade dos fãs de jogos experimentais em uma promoção, mas dificilmente justifica o preço cheio ou altas expectativas.

Essa análise de Tokyo Scramble segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.
Tem uma ótima ideia, mas faltou muito refino
Visual, ambientação e gráficos - 5
Jogabilidade - 6
Diversão - 6
Áudio e trilha-sonora - 7
Narrativa - 5
5.8
Fraco
Tokyo Scramble apresenta uma proposta interessante ao unir sobrevivência, puzzles e uma ambientação tensa no metrô de Tóquio, com bom uso de som e recursos de imersão. No entanto, a execução falha em pontos importantes, como balanceamento das criaturas, falta de direcionamento e problemas visuais, fazendo com que o jogo desperdice boas ideias por falta de refinamento.