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Análise: High On Life 2

Uma continuação digna e ácida

Nesta análise, vamos falar de High on Life 2, continuação direta do título lançado anteriormente pela Squanch Games. E já vale adiantar: quem gostou do primeiro jogo provavelmente vai se sentir em casa aqui. Por outro lado, quem não comprou a proposta original dificilmente mudará de opinião desta vez.

Assim como em High on Life, a sequência mantém a base de ação em primeira pessoa misturada com elementos de plataforma, mas o grande destaque continua sendo o humor. Trata-se de um jogo que aposta em piadas constantes, diálogos exagerados e situações deliberadamente absurdas, muitas vezes explorando temas sensíveis de forma escancarada e sem filtro.

A proposta é clara: ação dinâmica combinada com um humor ácido e alucinado que não tenta agradar todo mundo e nem parece interessado nisso. A partir daqui, a questão principal é entender se a sequência evolui o suficiente ou apenas replica a fórmula anterior.

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De herói a vilão (do bem)

High on Life 2 começa exatamente após os eventos de High on Life. Depois de derrubar um dos maiores cartéis do universo, o protagonista vira uma celebridade no submundo da caça de recompensas. A fama traz novos contratos, reconhecimento e uma rotina aparentemente consolidada, mas também um certo desgaste. Há um sentimento claro de repetição, tanto para o personagem quanto para as próprias armas.

O jogo trabalha muito bem essa transição: do caçador famoso para o alvo da vez. Sem entrar em spoilers, a virada acontece cedo e muda completamente a dinâmica da narrativa. O protagonista passa a ser perseguido enquanto descobre um novo esquema envolvendo uma indústria farmacêutica que utiliza humanos como matéria-prima, ecoando o que o cartel G3 fazia no primeiro jogo, mas sob outra roupagem. A crítica é direta, mas sempre embalada pelo absurdo característico da série.

A estrutura da história, no fundo, é simples ao eliminar figuras corruptas e desmontar um sistema maior por trás delas. O diferencial continua sendo a escrita. O humor é constante, ácido e muitas vezes desconfortável. High on Life 2 não hesita em fazer piadas com temas delicados ou inserir comentários inesperados durante combates e diálogos. Há também uma quantidade grande de referências à cultura pop e à indústria dos games — incluindo menções curiosas à SEGA e ao Sonic — que surgem de forma quase aleatória, mas ajudam a compor esse tom caótico.

Grande parte da força narrativa continua vindo das armas falantes, os Gatlians. Cada uma tem personalidade própria, opiniões fortes e reações específicas às situações. Elas comentam decisões, interagem entre si e, dependendo da escolha do jogador, podem até conduzir diálogos de maneiras diferentes. Essa dinâmica transforma momentos simples em cenas imprevisíveis e frequentemente engraçadas.

Além da trama principal, High on Life 2 investe em arcos paralelos surpreendentemente elaborados. Há missões que brincam com gêneros específicos — como uma clara homenagem a Knives Out, colocando o jogador em um mistério de assassinato — e outras que se estendem por horas, explorando relações pessoais de personagens secundários, incluindo conflitos amorosos tratados com exagero cômico e situações completamente fora do comum.

No fim, a história de High on Life 2 não tenta ser complexa em estrutura, mas é extremamente criativa na execução. Para quem já gostava do primeiro, aqui a escrita parece ainda mais solta e confiante. É um jogo que recompensa quem presta atenção aos diálogos, testa respostas diferentes e se permite explorar as situações só para ver qual será a próxima piada,e muitas vezes, imprevisível.

Ambientação colorida, mas sem grandes evoluções

Em termos de ambientação, High on Life 2 mantém a identidade visual do primeiro jogo. Não é um título que busca realismo ou impacto técnico, e dificilmente será lembrado pelos gráficos em si. A proposta aqui é outra: um mundo colorido, exagerado e visualmente carregado de personalidade.

O mapa principal não é enorme. Existe uma grande cidade com alguns pontos distintos de exploração, além de áreas como a zona residencial e a praia. Esses são locais onde o jogador passa boa parte do tempo. A estrutura lembra bastante o primeiro jogo, com cenários relativamente compactos, mas cheios de NPCs, detalhes e pequenas situações acontecendo ao redor. É um universo espacial estilizado, quase cartunesco, que funciona mais pelo conjunto do que pelo impacto visual isolado.

Na parte sonora, a trilha cumpre bem o seu papel, especialmente nas aberturas e transições, mas não é o elemento que conduz a experiência. Diferente de um Doom, por exemplo, aqui não existe aquela trilha intensa que impulsiona o combate. O foco está nos diálogos. Enquanto você explora, pula entre plataformas ou enfrenta inimigos, as armas estão comentando suas ações, discutindo entre si ou reagindo aos acontecimentos.

Esse é o verdadeiro diferencial. Chefes conversam durante as batalhas, personagens interrompem momentos de ação com debates absurdos e praticamente tudo é acompanhado por falas constantes. A dublagem, novamente, é o que sustenta essa proposta. A qualidade das vozes e o timing das falas elevam a ambientação muito mais do que qualquer textura ou efeito visual poderia fazer.

No fim, High on Life 2 constrói sua identidade muito mais pelo som e pela interação verbal do que pelo impacto visual. É um jogo que prende pela atenção ao que está sendo dito e não necessariamente pelo que está sendo mostrado.

O Skate é a grande novidade de High on Life 2

Separar completamente High on Life 2 do primeiro jogo não é simples. A base é praticamente a mesma: um FPS com forte presença de plataforma, armas com múltiplas funções e foco constante na interação verbal durante a ação.

Boa parte do arsenal retorna. Cada arma mantém sua estrutura de comandos: gatilho direito para o disparo padrão, gatilho esquerdo para uma habilidade especial (que varia conforme a arma) e um terceiro ataque mais poderosor. Isso cria combates relativamente dinâmicos, já que cada arma tem utilidades específicas e incentiva o jogador a alternar conforme a situação.

As novidades aparecem principalmente na forma como High on Life 2 amplia a exploração. Há um investimento maior em desafios de plataforma e quebra-cabeças ambientais. Conectar cabos para abrir portas, usar habilidades para alcançar áreas elevadas e explorar cantos escondidos em busca de colecionáveis se torna mais frequente. Uma das novas armas, por exemplo, permite levitar objetos, abrindo possibilidades tanto para exploração quanto para resolver pequenos puzzles.

O grande diferencial desta sequência, no entanto, é o skate, elemento que inclusive aparece com destaque na capa do jogo. A mobilidade ganha outra camada: é possível atravessar áreas com mais velocidade, realizar manobras, usar trilhos para grind e alcançar locais antes inacessíveis. As referências a Tony Hawk’s Pro Skater não são sutis, incluindo desafios de coletar letras que formam “SKATE”, que depois servem para desbloquear melhorias específicas.

O skate não é apenas cosmético. Ele influencia diretamente a exploração, facilita desafios de plataforma e até pode ser usado em combate, seja para mobilidade ofensiva ou para criar abordagens alternativas. Essa integração funciona bem e dá um frescor à fórmula.

Além disso, High on Life 2 continua incentivando experimentação. Alternar armas para descobrir interações específicas, testar habilidades em diferentes cenários e ouvir os comentários que às vezes até ajudam indiretamente no gameplay faz parte da experiência. É uma evolução natural da fórmula do primeiro jogo, sem reinventar tudo, mas expandindo o que já funcionava.

Desempenho e aspectos técnicos preocupantes

No entanto, a parte técnica de High on Life 2 deixa a desejar. Testado no PlayStation 5, o jogo apresentou dois crashes ao longo da campanha. Além disso, houve quedas perceptíveis de desempenho em momentos específicos.

Embora opere em uma faixa próxima dos 60 fps com suporte a VRR, existem oscilações frequentes. Em áreas mais pesadas, como uma batalha contra chefe em um milharal na Terra, a taxa de quadros caiu de forma significativa, chegando a algo próximo dos 20–25 fps em determinados momentos. Isso impacta diretamente a fluidez do combate.

Há também limitações visuais perceptíveis: sombras simples, uso inconsistente de reflexos (SSR) e alguns artefatos gráficos que demonstram falta de polimento. Nada que inviabilize a experiência, mas é um ponto que poderia ter recebido mais atenção. Pode ser algo ajustado via atualização futura ou melhor resolvido em hardware mais potente, mas na versão base de PS5 a inconsistência técnica é perceptível.

No geral, o gameplay evolui de forma competente, principalmente na exploração e mobilidade. O problema é que o acabamento técnico não acompanha totalmente essa evolução.

High on Life 2 é maior e melhor

Ao longo da análise de High on Life 2, fica claro que se você gostou do primeiro jogo, aqui a chance de sair satisfeito é muito alta. A sequência não reinventa a fórmula, mas expande o que já funcionava. Por outro lado, quem não se conectou com High on Life dificilmente mudará de opinião. Afinal, a essência continua a mesma.

A escrita está mais afiada. O humor segue ácido, mas parece mais confiante e melhor encaixado no contexto atual, com comentários e situações que dialogam diretamente com acontecimentos do mundo real. O jogo encontra formas inusitadas de tratar temas como família, relacionamentos e ego — sempre de maneira exagerada, às vezes desconfortável, mas quase sempre criativa. É caótico, mas no bom sentido.

No gameplay, há evolução perceptível. A maior ênfase em plataforma, a mobilidade com o skate, as habilidades específicas das armas e os comentários constantes durante a ação deixam tudo mais dinâmico. A interação entre combate, exploração e diálogo continua sendo o grande diferencial da experiência.

Isso não significa ausência de problemas. Algumas limitações do primeiro jogo permanecem, e a versão testada no PlayStation 5 apresenta inconsistências técnicas. Quedas pontuais de desempenho, dois crashes durante a campanha e detalhes visuais pouco refinados mostram que faltou um polimento maior.

Ainda assim, o saldo final é bastante positivo. High on Life 2 entende exatamente o público que quer atingir e entrega uma experiência mais refinada dentro da sua própria proposta. Pode não agradar a todos, mas para quem embarca na ideia, é difícil não se divertir.

Essa análise de High on Life 2 segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Tudo o que você poderia querer e mais

Visual, ambientação e gráficos - 8.4
Jogabilidade - 8.5
Diversão - 10
Áudio e trilha-sonora - 9
Performance e polimento - 7.5

8.7

Ótimo

High on Life 2 entende exatamente o público que quer atingir e entrega uma experiência mais refinada dentro da sua própria proposta. Pode não agradar a todos, mas para quem embarca na ideia, é difícil não se divertir e se apaixonar por seu humor.

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Leonardo

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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