Final Fantasy Resonance é a nova aposta em HD-2D da Square Enix, sendo o primeiro título da franquia a adotar esse deslumbrante estilo visual. Na prática, temos uma adaptação do primeiro arco da história do jogo mobile Final Fantasy Brave Exvius funcionando quase como um remake. No entanto, o sistema de gacha foi deixado para trás, dando lugar a uma narrativa muito mais coesa e contada de maneira imersiva. Vamos descobrir agora se este novo título consegue entregar o que todo fã aguardava há tempos: um jogo inédito que resgata a verdadeira essência da franquia.
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Uma nova saga dos cristais
Setecentos anos atrás, o mundo foi assolado por uma grande guerra. A última linha de defesa contra o avanço destruidor do império magitek era uma bruxa solitária, capaz de aniquilar oponentes com sua poderosa magia. Contudo, ela acabou derrotada ao bater de frente com o grupo conhecido como Sworn Six, comandado pelo temível Veritas of the Dark. Como último recurso antes de desaparecer, ela forçou o banimento temporário de seus algozes.
No presente, acompanhamos a história de Rain e Lasswell, cavaleiros do reino de Grandshelt. Ao retornarem de uma missão, a dupla encontra ninguém menos do que o próprio Veritas of the Dark devastando o seu lar. Atendendo ao último pedido do rei em seu leito de morte, que lhes confia a árdua missão de proteger o Cristal da Terra localizado no Templo da Terra, eles partem para impedir o guerreiro das trevas. Os heróis falham na investida, mas no meio desse caos, encontram uma garota misteriosa, praticamente sem memórias, que sabe unicamente que o seu nome é Fina.
Diante desses eventos, várias questões vêm à tona: Por que esses cavaleiros sombrios querem destruir os cristais? Quem é Fina? E por que o CEO do Última Ficha ama o Sonic, mas só compra jogos do Mario? Brincadeiras à parte, a narrativa é excelente e resgata o espírito dos primeiros Final Fantasy. O elenco conta com personagens extremamente marcantes e de personalidades bem próprias. Além do trio inicial, a jornada ganha peso com a mecânica Lid e seus chocobos mecha, o estrategista Nichol, o mulherengo Jake e a poderosa maga Sakura. A sensação que fica é a de que Final Fantasy Resonance poderia facilmente ser numerado como Final Fantasy XVII.

Sistema de turnos viciante
O título abraça o combate por turnos clássico, no qual controlamos uma party de até quatro personagens. O grande diferencial está na mecânica de “Visões” que, em resumo, funcionam de forma semelhante aos Stands de JoJo’s Bizarre Adventure ou aos espíritos de Shaman King. Aqui, temos as Visões de heróis lendários de outros universos, que são, em grande parte, os protagonistas dos jogos clássicos de Final Fantasy.
Como o sistema de gacha de Brave Exvius não existe mais, a aquisição em Resonance ocorre através da exploração. Encontramos templos que prestam homenagens e exibem cenas do jogo de origem daquele personagem, seguidas por um quiz para testar a sua conexão com a Visão (embora não haja qualquer punição caso você erre as perguntas).
Todos os membros da party possuem suas funções nativas, mas as Visões também carregam as suas próprias habilidades, que podem ser utilizadas livremente por quem as equipou. Isso amplia drasticamente o leque de ações em combate. Rain, por exemplo, é focado em golpes de fogo, mas, ao equipar a Visão de Cloud Strife, ganha acesso a ataques aquáticos e elétricos, tornando-se muito mais versátil.
A tradicional invocação de summons também marca presença, sendo Fina a personagem responsável por trazê-los ao campo.
O combate também possuí uma temática de Break que vem direto dos Final Fantasys mais atuais. Ao zerar a barra de estamina do inimigo, ele fica atordoado e perde o seu turno. Essa é a janela perfeita para emendar uma sequência impiedosa de ataques com os seus personagens e finalizar o combo com o Limit Break de uma das Visões equipadas, garantindo um dano massivo ou um suporte vital para o grupo.



Mapa e exploração
A exploração é outro ponto alto da aventura. Há continentes inteiros para visitar, pontuados por masmorras desafiadoras e cidades charmosas. Os mapas não são imensos, mas entregam densidade e conteúdo suficiente para tornar cada caminhada satisfatória. Para agilizar o deslocamento no mapa-múndi, o clássico Chocobo está disponível para invocação rápida.
Os encontros com monstros ocorrem de maneira “aleatória”, mas executada de uma forma muito mais inteligente do que o padrão do gênero. Um indicador luminoso no minimapa pisca na cor verde e muda gradualmente para o vermelho, sinalizando a aproximação de um inimigo. Esse aviso prévio elimina a frustração das batalhas surpresa ininterruptas, permitindo que o jogador se prepare. Já dentro dos cenários fechados e dungeons, a progressão é enriquecida por puzzles de fácil resolução, que quebram o ritmo positivamente e evitam a monotonia de apenas andar e batalhar.

Gráficos e áudio
Final Fantasy Resonance representa o ápice da tecnologia HD-2D. O nível de detalhamento dos personagens é absurdo, e os inimigos ostentam sprites tão complexos que mal parecem ser construídos em pixel art. Os cenários são deslumbrantes e possuem uma direção de arte impecável. Embora existam belíssimas cutscenes em 3D para ilustrar os poderes das Visões, o verdadeiro espetáculo estético mora nas cinemáticas renderizadas no próprio HD-2D, recriando cenas de uma forma encantadora.
Na parte sonora, a jornada é embalada por melodias épicas e envolventes já consagradas da franquia, potencializando a nostalgia a níveis máximos. O título conta com um trabalho de dublagem excelente, tanto em inglês quanto em japonês. E uma imensa infelicidade para nós é a ausência de legendas em português do Brasil. Por causa disso, muitos fãs nacionais esbarrarão na barreira do idioma e não conseguirão absorver 100% dessa história fantástica.

Conclusão da análise de Final Fantasy Resonance
Final Fantasy Resonance não é apenas uma reimaginação de luxo de Brave Exvius; é uma verdadeira carta de amor à era de ouro dos JRPGs. Ao abandonar os vícios caça-níqueis do mercado mobile, a Square Enix conseguiu entregar uma aventura refinada, sustentada por um elenco muito carismático e por um sistema de combate altamente estratégico e versátil graças à mecânica de Visões.
A adoção do HD-2D eleva a direção de arte do projeto ao limite, casando perfeitamente a estética nostálgica com a tecnologia moderna de iluminação. Embora a inexplicável ausência de localização em PT-BR seja um grande balde de água fria para a comunidade brasileira, a nova cruzada de Rain, Lasswell e Fina é uma recomendação obrigatória para qualquer amante do gênero.


