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Análise: Dragon Ball Sparking Zero Nintendo Switch 2

A experiência completa, mas não na sua melhor forma

Nesta análise, vamos olhar especificamente para Dragon Ball Sparking Zero no Nintendo Switch 2, focando no port desenvolvido para o novo console da Nintendo. O jogo foi lançado originalmente há cerca de um ano para outras plataformas, então a pergunta aqui é direta: estamos diante de um bom trabalho de adaptação ou de uma versão problemática?

Além da performance e da fidelidade em relação às versões de PlayStation, Xbox e PC, outro ponto importante entra em cena nesta edição: a adição dos controles de movimento, algo que conversa diretamente com a proposta do Switch 2. A questão é se essa funcionalidade realmente acrescenta algo à experiência ou se acaba sendo apenas um recurso opcional, sem grande impacto prático no combate.

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O que é Dragon Ball Z: Sparking Zero?

Dragon Ball Sparking Zero foi concebido claramente com os fãs em mente, algo perceptível desde os primeiros minutos. A apresentação do jogo abraça a estética do anime, seja na abertura, que reúne heróis e vilões icônicos, seja nos próprios menus, que funcionam quase como episódios interativos, com transições fluidas e personagens em constante movimento.

Um dos grandes destaques é o elenco massivo, com mais de 180 personagens jogáveis. Esse número inclui diversas versões de personagens centrais, como Goku, Vegeta e Gohan em diferentes fases da saga. Mesmo quando se trata do mesmo lutador, cada variação possui golpes, transformações e habilidades próprias, refletindo fielmente o período representado.

Apesar da lista extensa, algumas ausências chamaram atenção, especialmente personagens de Dragon Ball GT e figuras secundárias de Dragon Ball Super. Ainda assim, essas lacunas parecem mais uma escolha estratégica do que uma limitação, abrindo espaço para DLCs e expansões futuras.

No gameplay, Dragon Ball Sparking Zero herda e evolui a base de Budokai Tenkaichi 3. As lutas são rápidas, destrutivas e cheias de possibilidades, permitindo combos longos, perseguições aéreas, arremessos e ataques de ki em larga escala. Os cenários amplos contribuem para a sensação de liberdade e impacto, reforçando o espetáculo característico da franquia.

O sistema de controles é acessível, mas profundo. Ataques físicos, rajadas de energia, carregamento de ki e habilidades especiais estão bem distribuídos nos botões, com destaque para o gerenciamento da barra de energia, essencial para golpes mais poderosos. Cada personagem conta com técnicas especiais e um ataque supremo, liberado apenas em momentos específicos de superação.

Na defesa, Dragon Ball Sparking Zero oferece múltiplas opções, como bloqueios tradicionais, esquivas por antecipação e contra-ataques precisos. Mesmo com o refinamento do combate, ainda surgem situações em que inimigos abusam de golpes fortes, algo já conhecido pelos fãs da série, mas que pode ser contornado com o uso correto das ferramentas defensivas.

Visualmente, Dragon Ball Sparking Zero impressiona. Os modelos dos personagens são detalhados, com animações fluidas que capturam bem o estilo do anime, enquanto os cenários oferecem bom nível de destruição ambiental. A trilha sonora mistura temas clássicos com composições inéditas, embora estas últimas não tenham o mesmo impacto. Já a dublagem, tanto em japonês quanto em inglês, mantém alto padrão de qualidade.

Dragon Ball Sparking Zero conta com uma boa variedade de modos, incluindo batalhas offline e online, torneios e um modo de criação bastante robusto. Esse modo permite montar confrontos personalizados, com cenas e diálogos próprios, funcionando quase como a criação de um pequeno episódio de anime, que ainda pode ser compartilhado com outros jogadores.

O desbloqueio de personagens acontece de diferentes formas: progressão no modo história, compras na loja interna ou desejos feitos com as Esferas do Dragão. Esse sistema adiciona uma camada extra de motivação, especialmente ao envolver figuras como Shenlong, Porunga e Super Shenlong.

Já o modo história é o ponto mais irregular da experiência. Apesar de cobrir momentos importantes da saga e oferecer linhas alternativas de acontecimentos, sua apresentação visual é simples demais, com cenas curtas e pouco impacto narrativo. Algumas batalhas também apostam em uma dificuldade artificial, o que acaba frustrando mais do que desafiando, deixando a sensação de que esse modo poderia ter ido além.

Desempenho no Nintendo Switch 2

A primeira coisa que precisa ser dita é que Dragon Ball Sparking Zero no Nintendo Switch 2 não é uma versão capada. Diferente do que aconteceu com diversos ports no Switch original, aqui temos o jogo completo, com todo o conteúdo presente nas demais plataformas. Vale destacar também que o upgrade da versão de Switch 1 para Switch 2 é gratuito, um ponto extremamente positivo e que, por si só, já torna a migração recomendável para quem adquiriu o novo console da Nintendo.

Dito isso, Dragon Ball Sparking Zero é um jogo exigente. Trata-se de uma experiência carregada de explosões, efeitos de partículas, arenas amplas, personagens em alta velocidade e batalhas constantemente caóticas. Tudo isso tem um custo técnico considerável, independentemente da plataforma. No papel, isso não deveria ser um problema grave, mas na prática alguns pontos chamam atenção, especialmente nos primeiros minutos de jogo.

Começando pelo modo portátil, duas situações ficam bem perceptíveis. A primeira está relacionada às transições do modo história. Como já comentamos, o jogo não apresenta uma narrativa contínua e animada, mas sim uma sequência que intercala cenas estáticas, pequenos trechos animados e lutas. Entre essas transições, seja ao sair de uma cena para uma batalha ou ao avançar para um novo trecho da história, existe um pequeno delay, que varia entre um e dois segundos. Não é algo que quebra Dragon Ball Sparking Zero, mas compromete um pouco a fluidez geral, principalmente por se tratar de um modo história que já é mais fragmentado por natureza.

Esse atraso também aparece em momentos bem específicos, como na escolha de personagens no modo história. Aquelas cenas em que o lutador “voa” enquanto o jogo apresenta os acontecimentos daquele arco acabam durando mais do que deveriam, deixando claro que há carregamento acontecendo ali por trás. É um detalhe sutil, mas recorrente o suficiente para ser notado.

O segundo ponto envolve a questão visual. Ainda no modo portátil, algumas cenas apresentam um leve atraso no carregamento de texturas, dando a sensação de que a imagem está sendo reconstruída na sua frente até atingir a resolução final da tela, que é Full HD (1080p). Durante as lutas isso pouco impacta, mas em cenas mais abertas ou com muitos elementos simultâneos, o comportamento se repete.

Essas suspeitas ficam ainda mais evidentes quando Dragon Ball Sparking Zero é levado para o modo TV, especialmente em uma televisão 4K. Nesse cenário, os pequenos engasgos visuais se tornam mais fáceis de perceber. O jogo parece trabalhar com uma resolução dinâmica, partindo de algo em torno de 810p, o que funciona relativamente bem no portátil, mas perde eficiência em telas maiores. Aqui, fica claro que o jogo não utiliza DLSS, o que soa como uma oportunidade desperdiçada, considerando o potencial da tecnologia para suavizar esse tipo de reconstrução de imagem.

Visualmente, Dragon Ball Sparking Zero continua sendo um jogo bonito. A qualidade artística, os modelos dos personagens e os efeitos seguem o mesmo padrão que vimos no PS5. No entanto, no Switch 2, essa qualidade vem acompanhada de pequenas imperfeições: texturas que carregam com atraso, efeitos que conflitam momentaneamente com o cenário e até bugs visuais pontuais, como animações se sobrepondo a elementos da fase. Nada disso chega a comprometer seriamente a experiência, mas quebra a sensação de polimento total.

Por outro lado, há um ponto técnico que merece elogios: o desempenho. Dragon Ball Sparking Zero roda a 30 frames por segundo, o que certamente não é o ideal para um jogo de luta e muita gente esperava 60 fps. Ainda assim, são 30 frames extremamente estáveis, sem stutter ou quedas perceptíveis. É o que dá para chamar de “30 frames perfeitos”, aqueles que enganam o olho em diversos momentos.

Isso pesa um pouco menos justamente pelo estilo do jogo. Dragon Ball Sparking Zero não é um título técnico como Street Fighter ou Mortal Kombat. As batalhas acontecem em arenas grandes, com câmera distante, muito uso de ataques de longo alcance, explosões constantes e cenários tomados por fumaça, energia e partículas. Tudo isso acaba mascarando a limitação dos 30 fps de forma mais eficiente do que em jogos de luta tradicionais.

No fim das contas, o desempenho no Nintendo Switch 2 entrega uma experiência sólida, estável e jogável, ainda que distante do ideal técnico. Não é perfeito, tem escolhas questionáveis e algumas oportunidades perdidas, mas também não chega a comprometer o que realmente importa: a diversão durante as batalhas.

Controles de movimento: uma boa ideia, mas mal aplicada

Além das diferenças técnicas e do upgrade gratuito, Dragon Ball Sparking Zero no Nintendo Switch 2 tenta ir além de um simples port ao adicionar controles de movimento, algo que naturalmente chama atenção em um console da Nintendo. A proposta é clara: permitir que o jogador execute golpes clássicos da série usando os próprios movimentos do corpo.

Na prática, isso significa que é possível, por exemplo, carregar um Kamehameha com as mãos, levando o controle para trás e empurrando para frente para disparar o golpe na tela. O mesmo vale para ataques como a Genkidama, que exige levantar os braços antes de arremessar a energia contra o adversário. Esses são os exemplos mais óbvios, mas vários personagens possuem seus próprios movimentos especiais adaptados para esse sistema.

E é importante dizer: isso funciona! Quando se trata exclusivamente dos golpes especiais, a execução é precisa, divertida e até empolgante. Ao pressionar o gatilho ZR, responsável por carregar a energia, o jogo apresenta as opções de ataques especiais, e realizar os gestos corretos gera uma resposta imediata e satisfatória na tela. É um daqueles momentos em que Dragon Ball Sparking Zero realmente abraça a proposta de interatividade do Switch 2.

O problema aparece quando o controle de movimento deixa de ser um complemento e passa a ser a base de toda a luta. Para utilizar esse modo, é necessário ativá-lo manualmente no menu e vale dizer que essa opção não é exatamente intuitiva ou bem destacada. Uma vez ativado, não apenas os especiais, mas também os ataques básicos passam a depender de gestos com os Joy-Cons.

É aqui que o sistema começa a desandar. Executar ações simples, como socos, rajadas de energia ou sequências básicas, se torna confuso, pouco responsivo e difícil de controlar. Em nenhum momento consegui encaixar combos de forma consistente. Os movimentos acabam saindo de maneira desordenada, sem precisão, e a sensação é de estar apenas “abanando” o controle na tentativa de fazer algo funcionar.

Na prática, o combate perde totalmente o ritmo. O que deveria ser o arroz com feijão da luta (trocar golpes, manter pressão, reagir ao oponente) simplesmente não flui. Enquanto os golpes especiais funcionam bem, todo o resto do sistema se torna pouco jogável e frustrante.

Por isso, fica a sensação de que a Bandai poderia ter seguido um caminho mais equilibrado. Um modo híbrido, no qual os controles tradicionais fossem mantidos para movimentação e combate básico, deixando os controles de movimento restritos apenas aos golpes especiais, faria muito mais sentido. Assim, o jogador teria precisão onde ela é necessária e interatividade onde ela realmente agrega valor.

Do jeito que está, os controles de movimento acabam funcionando mais como uma curiosidade do que como uma alternativa viável ao esquema tradicional. É divertido testar, impressiona nos primeiros minutos, mas dificilmente alguém vai querer jogar Dragon Ball Sparking Zero dessa forma por muito tempo.

Dragon Ball Sparking Zero vale a pena?

Diferente do que vimos recentemente em Sonic Racing CrossWorlds (um port extremamente competente por parte da SEGA, que preservou a experiência original e ainda soube explorar bem as capacidades do Nintendo Switch 2), Dragon Ball Sparking Zero acaba ficando em uma zona intermediária. Não chega a ser um port ruim, mas claramente deixa a desejar em alguns aspectos importantes.

Dragon Ball Sparking Zero funciona, entrega o conteúdo completo e mantém intacto tudo aquilo que fez a versão original ser tão bem recebida. No entanto, a ausência dos 60 frames por segundo pesa. É verdade que os 30 FPS aqui são estáveis, lisos e sem stutter, mas ainda assim fica aquele sentimento constante de que o jogo poderia ir além. Especialmente para um título de luta, a vontade de ver tudo rodando a 60 FPS nunca desaparece completamente.

Há pontos positivos claros. O principal deles é que o upgrade do Switch 1 para o Switch 2 é gratuito, algo que merece destaque e elogios, principalmente quando comparado a outros jogos que cobram por esse salto de versão. Ainda assim, a experiência não é totalmente polida. Os pequenos delays de 1 a 2 segundos entre cenas, transições e carregamentos acabam quebrando um pouco da fluidez, e a questão visual também incomoda mais do que deveria.

A resolução dinâmica e o escalonamento ficam muito evidentes, especialmente no modo TV. Texturas que demoram a carregar, personagens que aparecem serrilhados por alguns instantes no meio das batalhas e cenas que parecem se “reconstruir” na tela passam uma sensação de que o jogo está constantemente lutando para se manter estável. Nada disso chega a tornar a experiência ruim, mas são detalhes que chamam atenção, principalmente para quem já jogou a versão de PS5, Xbox Series ou PC.

No fim das contas, Dragon Ball Sparking Zero no Nintendo Switch 2 diverte, entrega boas lutas e mantém a essência do jogo intacta, mas deixa aquela impressão de que poderia estar um pouco mais lapidado. Falta um refinamento extra para que a experiência seja realmente impecável.

No fim, Dragon Ball Sparking Zero no Switch 2 é competente, funcional e divertido, mas fica um passo atrás do que poderia ser.

Essa análise/review de Dragon Ball Sparking Zero segue nossas diretrizes internas. Acesse e confira nossas diretrizes e nosso processo de avaliação.

Um port competente, mas com ressalvas importantes

Visual, ambientação e gráficos - 7.8
Jogabilidade - 7.8
Diversão - 7.8
Áudio e trilha-sonora - 7.8

7.8

Bom

No Nintendo Switch 2, Dragon Ball Z: Sparking Zero entrega a experiência completa do jogo, com bom desempenho geral e 30 FPS estáveis. Ainda assim, pequenos delays entre cenas, ausência de 60 FPS e limitações visuais causadas pela resolução dinâmica impedem que o port atinja o mesmo nível das outras plataformas. Funciona bem, mas poderia ir além.

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Leonardo

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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