Entrevista: Crisol: Theater of Idols transforma fé e sacrifício em terror
Em entrevista, David Carrasco explica como o uso do próprio sangue, a religião e o folclore da Espanha moldam a identidade do jogo da Vermila Studios.

Durante um encontro com a imprensa, conversamos com David Carrasco, CEO, cofundador da Vermila Studios e produtor executivo de Crisol: Theater of Idols, novo survival horror em primeira pessoa que está em desenvolvimento há cerca de cinco anos. Criado por uma equipe de aproximadamente 20 pessoas em Madri, na Espanha, o projeto aposta em identidade cultural forte, mecânicas inéditas e uma atmosfera opressora para se destacar dentro de um gênero cada vez mais concorrido.
Preview: Crisol: Theater of Idols
Confira aqui nossa entrevista sobre o que devemos esperar em Crisol: Theater of Idols que será lançado dia 10 de fevereiro para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S custando apenas R$ 54,99 (com um desconto de 10% na versão de Steam).
Um horror enraizado na religião e na história
Em Crisol: Theater of Idols, o jogador assume o papel de Gabriel, capitão dos Tercios del Sol, uma ordem militar religiosa que serve a um deus solar. A narrativa se desenrola na ilha de Tormentosa, um local isolado do reino de Hispania há muitas gerações, agora dominado por um culto ligado ao mar e por horrores que desafiam a sanidade.
Apesar das referências evidentes à cultura espanhola — desde o nome do reino até a arquitetura e os rituais religiosos — Carrasco reforça que o universo de Crisol: Theater of Idols é totalmente fictício. A equipe se inspirou em diferentes períodos históricos, estilos artísticos e tradições religiosas, como o catolicismo, o paganismo e até crenças da América Latina, sempre tomando cuidado para não reproduzir locais ou monumentos reais. O resultado é um mundo que soa familiar, mas nunca literal, funcionando como um verdadeiro “crisol” de influências.

Sangue como recurso: a mecânica que define Crisol: Theater of Idols
O grande diferencial de Crisol está em sua mecânica central: o sangue é tanto vida quanto munição. Sempre que o jogador recarrega uma arma, ele sacrifica parte de sua própria energia vital para obter balas. Na prática, isso transforma cada combate em uma decisão estratégica.
Armas mais poderosas, como a escopeta, drenam muito mais sangue ao serem recarregadas, enquanto opções mais simples exigem um custo menor. O jogador precisa avaliar constantemente se vale a pena entrar em confronto, procurar mais sangue pelo cenário ou até mesmo recuar.
Narrativamente, o sistema dialoga diretamente com o tema do sacrifício religioso. Gabriel não apenas luta pelos desígnios do deus sol — ele literalmente oferece seu próprio sangue para continuar avançando. É uma mecânica que une história e gameplay de forma orgânica, aumentando a tensão típica do survival horror.
Corpos, legado e ausência de vida
Em Tormentosa, não existem animais vivos. O jogador encontra apenas cadáveres de animais e humanos espalhados pela ilha, cada um oferecendo diferentes quantidades de sangue. No caso dos corpos humanos, absorver esse recurso também concede algo chamado de “legado”, representando aquilo que foi importante para aquela pessoa em vida.
Esse detalhe adiciona uma camada narrativa sutil, transformando um simples ato mecânico em algo com peso emocional e simbólico.

Estátuas religiosas e o terror do vale da estranheza
Um dos elementos mais perturbadores de Crisol: Theater of Idols são seus inimigos, frequentemente confundidos com bonecas. Na verdade, eles são inspirados em estátuas policromadas encontradas em igrejas românicas e pré-românicas da Espanha. Feitas de madeira e repintadas ao longo dos séculos, essas esculturas costumam apresentar rachaduras, marcas de umidade e até cabelo humano.
Essa estética cria uma sensação constante de desconforto, explorando o chamado “vale da estranheza”, onde o jogador nunca tem certeza se está diante de algo inanimado ou de uma ameaça prestes a ganhar vida.
Influências clássicas, identidade própria
Crisol: Theater of Idols dialoga com grandes nomes do gênero. Carrasco cita Resident Evil (especialmente os capítulos 7 e 8 por serem em primeira pessoa), BioShock, Silent Hill e Dino Crisis como inspirações importantes. Ainda assim, o objetivo nunca foi criar um clone, mas sim reinterpretar essas referências sob uma ótica própria, tanto mecânica quanto estética.
Essa identidade também se reflete na dublagem. Crisol: Theater of Idols foi concebido originalmente em espanhol, idioma que o estúdio considera a forma mais autêntica de vivenciar a experiência. Embora haja dublagem em inglês e legendas em vários idiomas, jogar em espanhol preserva nuances culturais e sonoras que reforçam a imersão.


Unreal Engine 5, otimização e desempenho
Desenvolvido na Unreal Engine 5, Crisol: Theater of Idols impressiona visualmente, mas também chama atenção pelo cuidado com a otimização. Durante a demo disponibilizada para nós, foi possível rodar o jogo em 1440p, com configurações elevadas e taxas próximas ou acima de 60 fps utilizando tecnologias de upscaling como o Intel XeSS.
Atualmente, o XeSS é a opção mais estável, enquanto o estúdio trabalha para implementar o DLSS em parceria com a NVIDIA. A equipe também está empenhada em garantir uma boa experiência no Steam Deck, tarefa desafiadora considerando o peso técnico da engine.
Um projeto ambicioso para um estúdio pequeno
Criar um jogo com esse nível de ambição não foi simples para a Vermila Studios. Com uma equipe enxuta e cinco anos de desenvolvimento, o estúdio precisou lidar com limitações de orçamento, tempo e recursos humanos. Todo o conteúdo — trilha sonora, conceitos, assets e ambientações — foi produzido internamente, tornando o processo quase artesanal.
Segundo Carrasco, há também um senso de responsabilidade em entregar um título de alto nível que ajude a fortalecer a imagem da indústria espanhola de games no cenário internacional.

Lançamento e expectativas
Crisol: Theater of Idols será lançado em 10 de fevereiro para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S custando apenas R$ 54,99 (com um desconto de 10% na versão de Steam). Questionado sobre uma versão específica para o PS5 Pro, Carrasco afirma que a equipe ainda não pode confirmar nada, mas garante que o objetivo é extrair o máximo de cada plataforma.
Após jogar a demo, fica claro que Crisol não tenta apenas assustar. Ele quer incomodar, pressionar o jogador e forçá-lo a pensar antes de cada ação. Ao transformar o próprio corpo em recurso, Crisol: Theater of Idols cria uma relação constante entre fé, sacrifício e sobrevivência — uma proposta ousada que pode colocá-lo entre os survival horrors mais interessantes dos próximos meses.
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