Preview: Crisol: Theater of Idols

Leonardo Coimbra ·

Tivemos a oportunidade de jogar Crisol: Theater of Idols de forma antecipada e trazemos aqui nossas primeiras impressões após cerca de uma hora de gameplay. A demo começava cerca de três horas já dentro do jogo sendo o suficiente para revelar boa parte de suas mecânicas centrais e dar uma noção clara da proposta.

Entrevista: Crisol: Theater of Idols transforma fé e sacrifício em terror

Mesmo sem acesso ao conteúdo completo, Crisol: Theater of Idols já chama atenção por dois motivos bem claros: sua temática forte e um gameplay que foge do padrão dentro do survival horror. Ao longo deste preview, explico por que essa experiência inicial nos pareceu tão interessante.

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Ambientação opressora

Como este é um preview baseado em uma demo fechada, não vamos nos aprofundar em história. O que dá para analisar com segurança é a ambientação, que já se mostra um dos pilares de Crisol: Theater of Idols.

Crisol: Theater of Idols se passa em um cenário que remete a uma cidade de forte inspiração espanhola, com arquitetura marcada por elementos religiosos e uma atmosfera pesada. E já deixo minha recomendação de jogar com a dublagem em espanhol, idioma original do projeto, faz bastante diferença na imersão. Os diálogos soam mais naturais e reforçam a identidade cultural do mundo apresentado.

A área explorada durante a demo tem um clima opressor, com uma cidade aparentemente abandonada, iluminação baixa, chuva constante e uma sensação de decadência no ar. É um ambiente composto de diversos armazéns, frio, que combina bem com a proposta de horror psicológico.

Chama atenção o fato de Crisol: Theater of Idols ser um projeto desenvolvido ao longo de cerca de cinco anos por uma equipe de apenas 20 pessoas, com praticamente todo o conteúdo produzido internamente. Ainda assim, o destaque técnico é evidente, tanto no visual quanto no som. A trilha e os efeitos sonoros trabalham o tempo todo para manter o jogador em estado de alerta, seja pelos ruídos dos inimigos, seja pelos sons ambientais, como a chuva e ecos à distância.

Os inimigos, em especial, merecem menção. Inspirados em estátuas religiosas policromadas, eles causam desconforto imediato, tanto pelo visual quanto pela forma como se movimentam. É um tipo de ameaça que reforça constantemente a sensação de que algo está errado naquele lugar.

Além disso, o protagonista frequentemente comenta o que está acontecendo ao seu redor e tem visões relacionadas à mecânica de sangue, o que ajuda a construir o mistério sobre o que levou aquele mundo à ruína.

Gameplay é o destaque de Crisol: Theater of Idols

O gameplay foi, sem dúvida, o ponto que mais nos impressionou em Crisol: Theater of Idols.

O jogo se inspira claramente em survival horrors em primeira pessoa, com influências assumidas de títulos como Resident Evil 7 e Resident Evil Village. A câmera em primeira pessoa, os ambientes fechados e o ritmo mais cadenciado reforçam essa comparação, mas Crisol: Theater of Idols encontra identidade própria ao introduzir uma mecânica central bastante ousada.

Aqui, o sangue do protagonista é vida e munição ao mesmo tempo. A barra de vida funciona como esperado, diminuindo conforme o jogador sofre dano. No entanto, para recarregar as armas, é necessário sacrificar parte desse sangue. Cada tipo de arma exige um custo diferente: pistolas consomem menos, escopetas drenam uma quantidade bem maior e armas de médio alcance ficam em um meio-termo.

Isso cria um gerenciamento constante de risco. Atirar demais pode significar ficar sem vida para escapar de uma perseguição. Hesitar pode ser fatal diante de inimigos mais agressivos. Tudo é uma decisão que deverá tomar.

Um detalhe interessante está no próprio comando de recarga. No PC, ela é feita ao segurar a barra de espaço, e não a tradicional tecla “R”. O diretor do jogo David Carrasco nos explicou que isso permite que o jogador se movimente enquanto recarrega, algo essencial já que o processo deixa o personagem vulnerável por alguns segundos. É uma escolha de design simples, mas muito bem pensada.

Outro ponto que se destaca é o comportamento dos inimigos. Eles são modulares, o que muda completamente a lógica de combate. Destruir a cabeça não encerra necessariamente a ameaça. Se uma parte do corpo for destruída, outra pode continuar atacando, se arrastando ou avançando de forma inesperada. Isso força o jogador a pensar em controle de espaço e distância, e não apenas em precisão.

Além do combate, a demo apresentou puzzles simples, mas bem integrados ao ritmo do jogo. Em vários momentos, esses quebra-cabeças precisam ser resolvidos enquanto um inimigo grande e invencível patrulha a área, obrigando o jogador a se esconder, desviar ou lidar com inimigos menores sob pressão. É uma estrutura bastante familiar para fãs de survival horror, mas bem executada aqui.

O resultado é um gameplay tenso, punitivo e, ao mesmo tempo, muito estimulante. Crisol: Theater of Idols não é fácil, e morrer faz parte do processo, especialmente durante perseguições mais longas.

Primeiras impressões de Crisol: Theater of Idols são positivas

Mesmo sendo apenas um recorte do jogo final, Crisol: Theater of Idols deixou uma impressão extremamente positiva. O título é visualmente bonito, tem uma identidade forte e apresenta ideias que realmente se destacam dentro do gênero.

O desempenho na build testada foi bom no geral, embora, por ser um jogo em Unreal Engine 5, ainda apresente alguns stutters pontuais, algo que pode e deve ser ajustado até o lançamento.

Dentro de seu escopo e de suas influências claras, Crisol: Theater of Idols tenta fazer algo diferente, seja pela mecânica do sangue, pela estética perturbadora ou pela forma como une narrativa e gameplay.

Com lançamento marcado para 10 de fevereiro, no PC e consoles, e custando apenas R$ 54,99 (com um desconto de 10% na versão de Steam) Crisol: Theater of Idols já se coloca como um título para ficar no radar, especialmente para quem busca algo fora do lugar-comum dentro do gênero.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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