A PC Partner, responsável pela fabricação de placas de vídeo das marcas Zotac, Inno3D, Manli e Sapphire, projeta um aumento significativo nos preços de hardware para o segundo semestre de 2026. A empresa justifica a tendência com base na elevação dos custos de produção e na redução sistemática das remessas globais de componentes essenciais para a montagem dos dispositivos.
De acordo com os resultados financeiros da companhia para o primeiro semestre do ano fiscal de 2026, os custos das memórias gráficas devem subir ainda mais nos próximos meses. Esse movimento impactará diretamente o valor final das placas de vídeo, atingindo com maior força os modelos de entrada, que costumam ter margens de lucro menores para os fabricantes e agora enfrentam uma pressão inflacionária severa.
Confira o nosso calendário atualizado com os principais lançamentos de jogos
Custos de memória elevam preços das placas de vídeo
O mercado de hardware lida com uma pressão impulsionada pela escassez de componentes. A PC Partner afirmou em comunicado oficial que a disponibilidade de placas de vídeo caiu de forma acentuada no primeiro semestre de 2026 em comparação com o segundo semestre do ano fiscal anterior. A expectativa é que essa oferta diminua ainda mais até o fim do ano, o que deve forçar um aumento nos preços médios de venda para o consumidor final.
A fabricante destacou que, além do reajuste nos valores, os modelos básicos enfrentarão faltas de estoque mais agudas. Esse cenário pode resultar em um aumento no preço médio de venda geral, já que a escassez de opções baratas obriga o mercado a se concentrar em produtos de categorias superiores.
Analista questiona motivos do aumento de preços
Jon Peddie, presidente da Jon Peddie Research, apresentou uma perspectiva diferente sobre o volume de vendas do setor. Dados da consultoria indicam que as remessas de placas de vídeo para o mercado consumidor cresceram 28% em unidades entre o primeiro trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Em termos financeiros, o salto foi de 76%, passando de 6,18 bilhões de dólares para 10,85 bilhões de dólares no período analisado.
Peddie sugere que os fabricantes podem estar utilizando os relatos de escassez e aumento nos custos das memórias para elevar os preços das placas de vídeo além da variação real dos insumos. Segundo o analista, embora os custos de produção tenham subido, os lucros das empresas do setor também parecem estar em trajetória de crescimento, indicando que o repasse aos consumidores pode ser desproporcional ao custo das matérias-primas.
Impacto desigual entre modelos Nvidia e AMD
Os dados da PC Partner revelam comportamentos distintos entre os segmentos de mercado operados pela empresa. A divisão que trabalha exclusivamente com a Nvidia, englobando marcas como Zotac e Inno3D, registrou uma queda de 18,4% no volume de remessas no primeiro semestre. Apesar da redução na quantidade de unidades enviadas, o preço médio de venda desses produtos subiu 10,7% em relação ao ano anterior.
Já o setor que atua como ODM e OEM, atendendo principalmente a AMD e a marca Sapphire, apresentou números muito mais agressivos. O volume de unidades caiu 38,4%, mas a receita saltou 73,9%. Esse fenômeno é explicado por um aumento de 181% no preço médio de venda, resultado de uma demanda concentrada em modelos de alto desempenho, que possuem maior valor agregado e margens superiores.
Escassez de placas básicas no mercado
A situação para os consumidores que buscam hardware acessível é particularmente preocupante para o restante de 2026. A PC Partner prevê que os modelos de entrada enfrentarão dificuldades de suprimento mais severas do que os produtos topo de linha. Essa escassez produtiva deve manter os preços elevados, dificultando a renovação de computadores voltados para jogos com orçamentos limitados.
Analistas observam que grandes montadoras de tecnologia recebem monitoramento próximo sobre os custos reais das memórias, o que pode moderar os aumentos em computadores pré-montados de marcas como Dell e HP. No entanto, para o mercado de componentes avulsos vendidos diretamente ao consumidor, a tendência de alta parece consolidada, com os fabricantes priorizando a produção de chips mais caros para maximizar o retorno financeiro diante da limitação de suprimentos.
