Análise: Stupid Never Dies

E também não pegam resfriado, segundo os japoneses.

Anderson Mussulino ·

Stupid Never Dies marca a ousada estreia da GPTRACK50, estúdio fundado por Hiroyuki Kobayashi. Para quem não se lembra, trata-se de um veterano que atuou por 27 anos na Capcom, colecionando no currículo trabalhos como programador no Resident Evil original e produtor de pesos pesados como Dino Crisis 2, Resident Evil 4, Dragon’s Dogma e Devil May Cry 4. isso sem mencionar que ele é simplesmente o criador da franquia Sengoku Basara. Com um histórico desse calibre, é natural que o título seja extremamente aguardado pelos fãs do estúdio. Mas será que essa nova aposta consegue alcançar as altas expectativas? Vamos descobrir.

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Um zumbi adolescente apaixonado… Já vi esse filme antes

Stupid Never Dies é uma experiência totalmente fora da casinha, flertando abertamente com a insanidade. Assumimos o controle de Davy, um zumbi consciente que acabou se apaixonando por uma garota. O detalhe bizarro é que ela buscou abrigo dentro de um refrigerador durante o apocalipse e acabou congelada. Para complicar o romance, a paixão platônica surgiu quando Davy já era um morto-vivo e a garota estava praticamente morta por hipotermia. Ainda assim, ele decidiu fazer companhia ao corpo gélido e jurou jamais devorar carne humana (embora sobreviventes sejam uma verdadeira raridade no cenário atual).

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Confinado em um shopping, Davy cruza o caminho do Professor, um cientista maluco que desenvolveu um portal inusitado: um vaso sanitário capaz de transportar qualquer um para as camadas profundas da Terra. Cada nível subterrâneo funciona como um universo distinto e infestado de monstros. A partir daí, o nosso herói assume a missão de viajar por esses mundos em busca do KOM, a entidade responsável por dizimar a superfície do planeta. Por influencia do cientista, Davy está disposto a derrotar o vilão e salvar milagrosamente a sua amada.

O roteiro é brilhantemente absurdo. Um ótimo exemplo é o lobisomem do jogo, que, na ausência da luz do luar, reverte para a forma de um inofensivo chihuahua. Curiosamente, a devoção cega de Davy pela garota no refrigerador lembra muito a fixação de alguns fãs por idols japonesas ou influenciadores digitais inalcançáveis. Não sabemos se o roteirista planejou essa crítica social de forma intencional, mas o paralelo é inevitável.

Stupid Never Dies

Roguelite com a alma do hack ‘n’ slash clássico

Uma grata surpresa é descobrir que Stupid Never Dies adota a estrutura de um roguelite. A cada mergulho pelo vaso sanitário, as camadas do mapa são geradas de maneira aleatória. Em toda nova run, Davy recomeça no nível 1. Conforme derrota os adversários, ele sobe de nível e desbloqueia melhorias passivas, exigindo que o jogador escolha uma entre três opções na tela.

A progressão ocorre através de portais que aprofundam a descida, intercalando salas de descanso, combates contra subchefes e o encontro com o grande mestre daquela etapa. O jogo costuma forçar o retorno ao shopping após uma vitória importante para o avanço da história, mas as eliminações desses chefões não são resetadas. Durante as masmorras, também é possível coletar armas modulares, que o chihuahua instala no corpo de Davy como se fossem próteses robóticas ou bioesqueletos.

O combate bebe direto da fonte do hack ‘n’ slash. Os comandos seguem a cartilha clássica: Quadrado para ataques rápidos, Triângulo para golpes fortes e L2 para um dash ofensivo que empurra os inimigos. O botão L1 ativa a habilidade especial da forma “atual” do protagonista, enquanto o R1 dispara o poder roubado de um monstro. Porém, o verdadeiro brilho do sistema mora no R2: a mordida.

Com essa mecânica principal, Davy devora adversários para recuperar a saúde e copiar instantaneamente as suas vantagens. Ao abater criaturas robustas, como harpias ou lobisomens, o zumbi literalmente se transforma nelas, assimilando por completo os movesets e as habilidades exclusivas de cada raça. A fluidez da ação é ótima, embora a movimentação na forma de morto-vivo soe propositalmente mais pesada. O único deslize mecânico é a ausência de um botão dedicado à esquiva convencional ou ao bloqueio. A defesa se resume a pular ou andar para longe do perigo, o que frustra em momentos de maior aperto na tela. Ainda assim, as infinitas combinações de armas e transformações garantem que cada descida no vaso sanitário entregue uma jogabilidade muito variada.

Gráficos e áudio

Stupid Never Dies esbanja uma identidade visual autêntica. O uso vibrante das cores e a excentricidade no design de personagens criam uma atmosfera muito particular referênciando, no máximo, a irreverência típica das obras da Grasshopper Manufacture. Os gráficos brincam constantemente com a tela, inserindo recortes de papel e desenhos rabiscados a canetinha para satirizar as situações como pedaços de papel em formato de coração colados sobre os olhos de Davy ao conhecer a garota congelada.

O trabalho de som acompanha esse nível de criatividade. A dublagem em inglês é excelente e entrega interpretações que casam perfeitamente com o tom escrachado do elenco. A trilha sonora não fica para trás, apostando em batidas cheias de estilo que ditam o ritmo da matança de forma magistral.

Conclusão da análise de Stupid Never Dies

Stupid Never Dies prova que Hiroyuki Kobayashi e a equipe da GPTRACK50 sabem exatamente como construir um jogo de ação com muita personalidade. O título consegue mesclar o humor escrachado de um romance zumbi com a profundidade de um roguelite recheado de combate hack ‘n’ slash. Embora a ausência de mecânicas de defesa mais robustas possa irritar durante as primeiras horas de adaptação, o sistema de mordidas e transformações compensa largamente essa limitação. Com uma direção de arte incrivelmente estilosa e um roteiro maluco, a estreia do estúdio é uma recomendação obrigatória para quem deseja rir do apocalipse enquanto esmaga monstros nas profundezas de um vaso sanitário.

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80 Nota

Stupid Never Dies

Ótimo

Stupid Never Dies combina humor escrachado, romance zumbi e combate hack 'n' slash em uma experiência roguelite cheia de personalidade. O sistema de mordidas e transformações se destaca pela variedade, compensando parcialmente a ausência de mecânicas de defesa mais robustas, que podem dificultar a adaptação inicial. Com direção de arte estilosa e uma narrativa completamente maluca, a estreia da GPTRACK50 é uma ótima pedida para quem busca ação, humor e combates inusitados.

Desenvolvedor GPTRACK50
Publicadora GPTRACK50
Lançamento 21/10/2026
Plataformas PC (Microsoft Windows), PlayStation 5
Plataforma jogada PS5
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora

Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.

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