Análise: The Entropy Centre é um genial jogo de quebra cabeça

Leonardo Coimbra ·

Quando se fala de jogos de quebra cabeça, um dos maiores ícones desse estilo é o excelente Portal feito pela Valve que eleva esse estilo. E depois de muitos anos sem um novo jogo da franquia, somos brindados com The Entropy Centre, que traremos sua análise aqui.

Será que o jogo consegue alcançar ou então até superar sua fonte inspiradora? Confira tudo sobre ele aqui!

A análise de The Entropy Centre foi possível graças a um código cedido por sua produtora. O jogo já está disponível para PS5, PS4, Xbox Series, Xbox One e PC e conta com legendas em PT-BR.

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A última humana viva

Em The Entropy Centre você estará na pele de Aria, a última humana viva em uma gigantesca estação lunar. Após acordar completamente perdida e sozinha nessa estação espacial, ela encontrará uma arma com uma inteligência artificial chamada Astra.

Astra fala que Aria é uma solucionadora de quebra cabeças e que o único jeito de avançar e descobrir o que está acontecendo é resolver esses puzzles para chegar à área central. Porém, ao chegar na área de controle, a Terra simplesmente é destruída por um evento cataclísmico.

Agora Aria deverá solucionar um gigantesco número de puzzles para juntar energia de entropia para carregar a super arma da estação para retroceder mais uma destruição da Terra. E sim, eu falei retroceder o tempo.

A ideia geral é que todos os puzzles serão solucionados ao brincar com o tempo e isso se reverte para essa grande arma. Ao longo do jogo você entenderá que a Terra já passou por diversos eventos desse tipo e sempre foi trazida de volta.

E além dessa sacada interessante, o jogo brilha em dois momentos. O primeiro e mais óbvio é o relacionamento da Aria e Astra onde temos uma pessoa com medo e se perguntando o que está acontecendo enquanto a Inteligência Artificial usa e abusa do sarcasmo e piadas para muitas situações.

Além disso, existem diversos diálogos muito interessantes e diversas vezes com um tom cômico. Ver esse relacionamento crescer é muito interessante e divertido.

Já a segunda parte da narrativa é explorar esse mundo e logicamente entender o que aconteceu. É interessante pesquisar todos os PC’s ligados e ver a troca de emails. Ver como as pessoas se portavam e claro, como a inteligência artificial de diversos robôs foi alterada. Eu me deliciei buscando cada pedaço de informação.

The Entropy Centre é lindão e conta com uma trilha sonora na medida certa

Outro destaque que trago nesta análise é que a ambientação de The Entropy Centre é muito boa. Eu fiquei positivamente surpreso com a qualidade de detalhes e biomas. Por estar em uma estação lunar, você pensaria que veria apenas concreto e construções correto?

Bem, isso de certa forma acontece, mas como tudo está abandonado uma vasta vegetação tomou conta de diversos ambientes e temos salas que misturam tecnologia, destruição e natureza. Inclusive existem ambientes naturais construídos como uma praia para trazer um ar de relaxamento a essa estação.

E além desses ambientes mais tranquilos, você verá ambientes mais fechados e internos onde muitos deles estão desmoronando. A dualidade apresentada no jogo é bem legal e agora farei um elogio e uma crítica.

O elogio vai para a iluminação do jogo que é sublime. Os efeitos visuais são muito legais assim como os reflexos que me fazem acreditar que o jogo possui Ray Tracing.

Já a crítica vai para a parte dos detalhes, em especial sua física. Muitos itens ao longo do jogo são estáticos. E estou falando de itens como uma cadeira de plástico, uma pilha de papéis ou até uma bola. Isso dá um ar de ambiente artificial e tira um pouco da imersão.

Já a trilha sonora acerta em cheio. No geral ela tem a pegada de música ambiente que encaixa muito bem com a exploração e ela muda com fluidez nos momentos de tensão quando a Terra explode ou então parte da base começa a desabar. Adicionalmente, a dublagem de Astra e Aria é um show a parte dando alta credibilidade às personagens e histórias.

Um gameplay para aplaudir de pé

E bem, se a história é ótima juntamente com sua ambientação e personagens, então o gameplay segue essa linha, certo? A resposta é um estrondoso sim!

Devo ser sincero que quando iniciei The Entropy Centre para fazer essa análise eu achei ele um tanto fácil. Eu estava destruindo os puzzles e resolvia tudo com muita facilidade, mas bem isso foi apenas no início. Após a real missão efetivamente começar eu era surpreendido a cada cômodo.

O ponto principal do gameplay é que você irá movimentar os mais diversos tipos de blocos para ativar botões que irão liberar a porta para seguir com sua aventura. E enquanto no jogo Portal você brincava com as dimensões de portais, aqui você brinca com o tempo.

Toda vez que carregar um cubo ele ficará marcado o trajeto que fez, e ao retroceder o tempo ele fará o caminho inverso. Isso dá inúmeras possibilidades e formas de como deve mexer nos cubos para eles se adaptarem ao ambiente. Inclusive, eu estou convencido de que resolvi alguns quebra cabeças da forma “errada”.

O interessante é que o desafio vai aumentando exponencialmente e depois desse início teoricamente simples, tudo vai exigindo cada vez mais da sua capacidade de análise. Algumas vezes me peguei simplesmente aplaudindo o desafio imposto e a forma de solução que trazia algo não muito convencional.

E claro que esses desafios não são estáticos. Temos muitas ferramentas como os cubos fixos, os que pulam, os que te lançam pra frente, pontes, pedaços do cenário que caem e tem que ser reconstruídos parcialmente, robôs amigáveis e não tão amigáveis e muito mais. E claro que com o tempo tudo fica mais complexo e urgente, além do ambiente se transformar em volta de você devido a destruição da Terra e da base lunar.

Conclusão

Fazer essa análise de The Entropy Centre foi um absoluto deleite para mim. Sendo fã de Portal, eu não poderia ter ficado mais feliz com a minha experiência com o jogo.

Eu experimentei uma história muito interessante, me diverti com os personagens, vi gráficos extremamente agradáveis com uma excelente iluminação e fui desafiado mentalmente como não era fazia um tempo.

A minha única crítica é que a desenvolvedora poderia ter focado um pouco mais na física de alguns detalhes para dar maior imersão ao jogador. Mas é um detalhe em um mar de tantos acertos.

Essa análise de The Entropy Centre segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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