Análise: 007 First Light

Bond, James Bond.

Anderson Mussulino ·

Quando 007 First Light foi anunciado, pegou o público de surpresa. Não apenas por ser um novo jogo do lendário espião James Bond, mas por ousar contar a sua origem antes mesmo de ele obter a icônica licença “007” para matar.

Os primeiros trailers dividiram águas: enquanto muitos não botaram fé no que viam, outros ficaram eufóricos com a nova abordagem. Nós já jogamos a campanha completa e temos o nosso veredito. Quer saber se 007 First Light faz jus ao espião mais famoso do mundo? Continue lendo a nossa análise.

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Antes do status “00”

Em 007 First Light, acompanhamos James Bond em seus tempos de agente militar britânico. A trama começa em uma situação desesperadora: seu pelotão cai em uma emboscada e quase todos são abatidos. Sendo um dos poucos sobreviventes (e o único não capturado), Bond é contatado pelo MI6, que passa as coordenadas necessárias para que ele cumpra a missão e consiga sair vivo. Após o sucesso da operação, ele é oficialmente recrutado por “M” para ingressar no rigoroso programa de treinamento que forja os agentes da classe “00”.

Apesar de começar atrás de outros prodígios, Bond faz amizades cruciais no treinamento. Juntos, eles partem em uma missão para capturar um ex-009 traidor. Contudo, reviravoltas dramáticas ocorrem e mudam para sempre a vida do protagonista.

Toda a mitologia do MI6 foi brilhantemente modernizada para os dias atuais. Temos uma encarnação excelente de Bond, e os personagens coadjuvantes esbanjam o carisma e a tradicional pegada sedutora que esperamos de uma produção da franquia. A narrativa é dividida em capítulos muito bem cadenciados, alternando entre furtividade, investigação e ação desenfreada, o que impede a jogabilidade de se tornar repetitiva.

Gráficos e Áudio

Visualmente, 007 First Light é um deslumbre. O turismo virtual característico da franquia está presente: viajamos por cidades movimentadas, mansões de luxo, desertos impiedosos e sedes de empresas milionárias. A atenção aos detalhes impressiona, especialmente na física de combate: atire na perna de um guarda e ele cairá; acerte a mão e ele soltará a arma.

Nos consoles, o título oferece o Modo Qualidade (focado em resolução) e o Modo Desempenho (focado em 60 FPS), sendo este último visualmente incrível e essencial para a fluidez das lutas.

O aspecto sonoro também merece aplausos. As composições instrumentais se encaixam perfeitamente na tensão da espionagem, e a música-tema de introdução, cantada por Lana Del Rey, é simplesmente viciante. A dublagem impecável em inglês britânico (super característico do personagem) e o som ambiente imersivo fecham o pacote com chave de ouro.

DNA de Hitman: Múltiplas abordagens

Desenvolvido pelo mesmo time responsável pela franquia Hitman, 007 First Light bebe da fonte do Agente 47, mas com uma identidade própria. Por mais linear que seja o seu objetivo final, as formas de alcançá-lo são múltiplas. Se você precisa entrar em uma área restrita, pode roubar credenciais da imprensa, se disfarçar de convidado ou simplesmente usar apetrechos para arrombar portas.

O jogo não obriga o jogador a ser um fantasma. Você pode forçar caminho à base do tiroteio, mas essa abordagem traz consequências, afetando a forma como NPCs reagem ao protagonista. Para auxiliar na espionagem, o arsenal de gadgets (Q-Branch) é um show à parte. Como o espaço no inventário é limitado (três ou quatro itens por missão), a escolha dos equipamentos muda completamente a abordagem:

  • Relógio Hacker: Permite invadir sistemas eletrônicos à distância.
  • Estojo de Fones: Funciona como uma mina explosiva de proximidade.
  • Câmera Fotográfica: Emite uma rajada de impacto para atordoar alvos.
  • Laser: Utilizado para cegar inimigos ou derreter fechaduras.

A inteligência artificial dos inimigos é um ponto fortíssimo. Eles notam Bond rapidamente e reagem ao ambiente, não espere realizar abates furtivos em sequência se houver outro guarda olhando na mesma direção.

Em 007 First Light, há também um sistema bastante original. Conforme realizamos ações furtivas ou abates estilosos nas missões, acumulamos pontos que podem ser gastos de duas formas: para atrair inimigos para perto (uma mecânica muito semelhante ao clássico assobio da franquia Assassin’s Creed) ou para blefar. O blefe é extremamente útil como último recurso quando Bond é detectado por um guarda. Contudo, caso você seja pego e o adversário em questão não está afim de papo, nesse momento, surge a opção de se render. Ao erguer as mãos e fingir submissão, Bond se aproveita quando o agressor se aproxima para o nocautear.

007 First Light

Combate dinâmico e tiroteios francos

Durante a ação, o jogo incentiva a constante troca de armas. Como a munição acaba rápido, você é forçado a desarmar os inimigos e usar o que estiver no chão. Se a bala acabar, o combate corpo a corpo brilha. Com comandos dedicados para bloqueio, esquiva, socos e agarramentos, o sistema lembra as lutas de Uncharted, mas de um jeito muito mais dinâmico e interativo. É possível empurrar inimigos contra vidraças e painéis elétricos, ou até mesmo arremessar objetos do cenário para causar distrações.

First Light alterna magistralmente entre a calma da investigação e o caos da ação, incluindo eletrizantes perseguições com lanchas e carros de luxo para quebrar o ritmo.

007 First Light

Conclusão da análise de 007 First Light

007 First Light entrega uma origem convincente e moderna para James Bond, misturando espionagem, ação e investigação em um equilíbrio perfeito. Aproveitando a expertise de level design de Hitman, o estúdio oferece abordagens variadas, dando total liberdade para o jogador escolher entre a furtividade cirúrgica ou o confronto direto.

Somado a isso, a narrativa bem construída, os cenários fotorrealistas e a trilha sonora fantástica reforçam a atmosfera clássica da franquia. O gameplay criativo com os icônicos gadgets torna a experiência dinâmica do começo ao fim. Embora tenha dividido opiniões antes do lançamento, 007 First Light prova seu valor e mostra potencial para se tornar uma das adaptações mais memoráveis e aclamadas de James Bond nos videogames, lado a lado com o idolatrado GoldenEye 007.

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100 Nota

007 First Light

Obra-Prima

007 First Light surpreende ao entregar uma abordagem moderna da origem de James Bond, misturando espionagem, investigação e ação de forma bastante equilibrada. Inspirado em elementos de Hitman, o jogo oferece liberdade para cumprir objetivos de diferentes maneiras, seja na furtividade ou no confronto direto. Somado aos cenários detalhados, personagens carismáticos e excelente ambientação sonora, o resultado é uma experiência dinâmica e fiel ao universo do agente secreto, mostrando potencial para se tornar um dos jogos mais marcantes da franquia 007.

Desenvolvedor IO Interactive
Publicadora IO Interactive
Lançamento 27/05/2026
Plataformas Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5
Plataforma jogada PS5
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora

Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.

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