AnálisesNintendoReviews 7 min de leitura

Análise: Sonic Frontiers: Definitive Edition

Um upgrade que ainda não aconteceu

Leonardo Coimbra ·

Lançado originalmente em 2022 para praticamente todas as plataformas, Sonic Frontiers marcou uma mudança importante para a franquia ao levar o mascote da SEGA para uma estrutura de mundo aberto. O jogo também recebeu uma versão para o Nintendo Switch original e, quatro anos depois, ganha uma edição dedicada ao Nintendo Switch 2.

A proposta desta análise, porém, não é revisitar o jogo em si (isso você já pode conferir em nossa análise completa publicada aqui no site). O foco é entender se essa edição definitiva consegue aproveitar o hardware do Switch 2 para entregar uma experiência à altura das demais plataformas ou se acaba ficando para trás.

Aproveite e compre Sonic Frontiers em nossa parceira Nuuvem

Siga no TelegramReceba as principais notícias direto no seu Telegram.
Entrar no canal

Uma breve recapitulação

Para quem nunca teve contato com Sonic Frontiers, vale um breve contexto. O jogo mistura a tradicional velocidade do ouriço com exploração em grandes mapas abertos, pequenas mecânicas de RPG, confrontos contra Titãs e uma narrativa inédita para a série. Apesar de começar de forma discreta, a história ganha força conforme revela a origem das Esmeraldas do Caos, dos Titãs e da antiga civilização ligada aos acontecimentos do jogo.

A exploração também conversa bem com a identidade clássica da franquia. Entre áreas abertas repletas de desafios, trilhos e plataformas, o jogador ainda encontra fases inspiradas em cenários marcantes da série, funcionando como uma ponte entre a proposta tradicional e essa nova direção adotada pela SEGA.

No geral, Sonic Frontiers trouxe ideias interessantes para a franquia, mesmo convivendo com algumas limitações. O problema é que praticamente nada disso importa quando analisamos especificamente esta versão para o Nintendo Switch 2.

Infelizmente, este é um dos ports mais decepcionantes que já passaram pelo console até agora.

A constatação se torna ainda mais difícil quando lembramos que a própria SEGA lançou posteriormente Sonic X Shadow Generations. A campanha inédita protagonizada por Shadow claramente herda diversas ideias apresentadas em Frontiers e, mesmo sendo um projeto mais recente e tecnicamente mais complexo, entrega um resultado muito superior em praticamente todos os aspectos.

É justamente essa comparação que torna as limitações deste port ainda mais difíceis de entender.

Quando a performance cobra um preço alto demais

Assim como outros títulos do Nintendo Switch 2, Sonic Frontiers oferece dois modos gráficos quando jogado na TV: Qualidade e Performance.

A escolha parece simples. Em um jogo baseado em velocidade, a tendência natural é optar pelos 60 quadros por segundo oferecidos pelo modo Performance. O problema é que o preço pago por essa fluidez é alto demais.

Os 60 fps são mantidos durante a maior parte da experiência, mas a redução na qualidade da imagem está entre as mais agressivas vistas até agora no console. A resolução despenca a ponto de comprometer elementos extremamente simples da interface. Ícones como os botões de confirmação deixam de apresentar contornos definidos, parecendo serrilhados mesmo sendo imagens estáticas exibidas sobre a tela.

Modo performance

Esse comportamento se repete durante toda a aventura. A vegetação apresenta reconstrução bastante inconsistente, texturas perdem definição rapidamente e objetos ao fundo sofrem com instabilidade constante. Em muitos momentos, a imagem transmite uma sensação de baixa resolução que chama atenção durante praticamente toda a exploração.

Modo qualidade

As cenas pré-renderizadas também surpreendem negativamente. Sequências importantes envolvendo Eggman ou a abertura do jogo apresentam uma qualidade muito abaixo do restante da indústria atual, lembrando produções de gerações bastante antigas como Sonic Heroes de Playstation 2. É um contraste que quebra parte da imersão logo nos primeiros minutos.

O modo Qualidade melhora significativamente esse cenário. A resolução é mais alta, diversos efeitos gráficos passam a aparecer, incluindo reflexos ausentes no modo Performance, e a imagem se torna muito mais estável.

Ainda assim, os problemas não desaparecem. O carregamento de elementos do cenário continua bastante evidente, especialmente durante a exploração dos grandes mapas abertos. Objetos, vegetação e estruturas simplesmente surgem à frente do jogador conforme Sonic avança em alta velocidade. Em um jogo cuja principal característica é justamente correr livremente pelos cenários, esse comportamento acaba sendo muito mais perceptível do que deveria.

Draw Distance – Modo qualidade – Cutscene

E como esperado, no modo portátil, a situação melhora. Mas apenas parcialmente. Os mesmos problemas continuam presentes, mas a tela menor ajuda a esconder parte dessas limitações. A experiência se torna mais aceitável simplesmente porque os defeitos ficam menos evidentes em uma tela de 1080p do que em uma televisão de grandes dimensões.

Ainda assim, permanece o mesmo dilema durante toda a campanha: optar pelos 30 fps para conseguir uma imagem melhor ou aceitar uma perda visual extremamente agressiva em troca dos 60 fps.

É uma escolha que outros ports do Switch 2 simplesmente não obrigam o jogador a fazer neste nível.

Nem tudo sofre com a adaptação

Curiosamente, nem toda a experiência apresenta os mesmos problemas. As tradicionais fases lineares inspiradas nos jogos clássicos da franquia permanecem visualmente muito mais consistentes. Como são ambientes menores e mais controlados, a agressividade vista nos grandes mapas praticamente desaparece.

Nesses momentos, o modo Performance passa a ser a escolha mais lógica. A fluidez de 60 fps beneficia diretamente a jogabilidade sem exigir o mesmo sacrifício visual encontrado nas áreas abertas.

O pacote também inclui todos os conteúdos lançados após a estreia do jogo original, incluindo DLCs cosméticos e a expansão de história disponibilizada posteriormente pela SEGA. É um conteúdo relevante para quem nunca jogou Frontiers ou pretende revisitar essa aventura.

O problema é que boa parte desse material acaba ficando ofuscada pela qualidade técnica do port.

Um port que precisava de mais tempo

É difícil entender exatamente onde esse trabalho deu errado.

A comparação com Sonic X Shadow Generations acontece de forma quase inevitável. Apesar de utilizar conceitos semelhantes e representar uma evolução natural das ideias apresentadas em Frontiers, o título lançado posteriormente entrega um resultado técnico muito superior no próprio Nintendo Switch 2.

Isso levanta uma dúvida inevitável: a dificuldade estaria relacionada à adaptação de uma versão construída sobre uma tecnologia mais antiga ou simplesmente faltou um trabalho maior de otimização para o novo hardware?

Independentemente da resposta, a sensação é que este port ainda precisa de melhorias importantes para alcançar o padrão esperado do console.

E aqui vale pontuar que Sonic Generations é um título de PS3/Xbox 360 enquanto Sonic Frontiers é muito mais recente. Teoricamente, existe uma compatibilidade maior entre títulos mais recentes com arquiqueturas mais modernas.

Vale a pena jogar Sonic Frontiers Definitive Edition no Switch 2?

Sonic Frontiers continua sendo um jogo interessante dentro da franquia. Sua proposta de mundo aberto, a mistura entre exploração e velocidade e a evolução da narrativa permanecem funcionando tão bem quanto em 2022.

O problema é que esta versão para Nintendo Switch 2 não faz justiça ao jogo.

Embora mantenha um desempenho estável em 60 fps no modo Performance e reúna todo o conteúdo lançado até hoje, a perda de qualidade visual é severa demais para ser ignorada. O modo Qualidade melhora a apresentação, mas ainda convive com problemas evidentes de carregamento de cenário e instabilidade visual.

Para quem pretende jogar exclusivamente no modo portátil, a experiência se torna um pouco mais agradável graças à tela menor, mas ainda está longe de representar o potencial do hardware.

É uma situação decepcionante justamente porque existe um ótimo exemplo dentro da própria SEGA. Sonic X Shadow Generations demonstra que o Nintendo Switch 2 é perfeitamente capaz de entregar uma experiência muito superior com a franquia.

Por isso, fica a expectativa de que Sonic Frontiers: Definitive Edition receba futuras atualizações de otimização. Até lá, esta acaba sendo uma versão difícil de recomendar, especialmente para quem esperava uma evolução significativa em relação ao lançamento original.

NewsletterReceba as últimas notícias de games no seu email.
57 Nota

Sonic Frontiers: Definitive Edition

Mediano

Sonic Frontiers continua sendo um capítulo importante para a franquia, mas sua estreia no Nintendo Switch 2 decepciona. Apesar do conteúdo completo e do desempenho estável em 60 fps, a perda de qualidade visual, o carregamento agressivo de cenários e uma otimização inconsistente fazem deste um dos ports menos convincentes do console até agora.

Desenvolvedor Sonic Team
Publicadora Sega
Lançamento 23/06/2026
Plataformas Nintendo Switch 2
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora
Onde comprar

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

Deixe um comentário