Anunciado de surpresa durante uma Nintendo Direct dedicada, apenas um mês antes do lançamento, Star Fox chegou ao Nintendo Switch 2 como um remake completo e expandido do clássico lançado para Nintendo 64. Embora Star Fox já tivesse recebido uma versão atualizada no Nintendo 3DS, esta nova edição vai além de uma simples remasterização, reconstruindo toda a experiência para o novo hardware da Nintendo.
A proposta continua sendo a mesma: revisitar um dos títulos mais conhecidos da franquia e modernizá-lo sem abrir mão da identidade que o tornou um dos jogos mais marcantes do Nintendo 64. A questão, portanto, não é se a aventura mudou completamente, mas sim até que ponto as novidades justificam revisitar o sistema Lylat mais uma vez.
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Mais profundidade para uma história já conhecida
Quem jogou o original encontrará exatamente a mesma estrutura narrativa. Você assume novamente o papel de Fox McCloud, líder da equipe Star Fox, um grupo de mercenários contratado para impedir que o cientista Andross conquiste o sistema Lylat. Os planetas visitados, os personagens, as rotas e os principais acontecimentos permanecem praticamente inalterados.
As novidades aparecem justamente na forma como essa história é apresentada. O remake adiciona novas cenas entre as missões e amplia significativamente a quantidade de diálogos durante a campanha. A mudança parece discreta à primeira vista, mas acaba dando mais personalidade ao elenco.
Fox continua sendo um líder jovem e confiante, frequentemente tentando provar seu valor. Falco mantém a postura competitiva e o constante espírito de rivalidade, enquanto Peppy e Slippy assumem papéis bem distintos dentro da equipe. Esses momentos ajudam a construir melhor a dinâmica entre os personagens e fazem com que cada missão tenha um peso maior dentro da campanha.
Além disso, as conversas também reagem ao desempenho do jogador. O resultado das missões, a sobrevivência dos companheiros e até alguns acontecimentos específicos recebem comentários da equipe, reforçando a sensação de progresso durante a aventura sem alterar a essência da história original.

Um universo reconstruído para uma nova geração
Se existe um aspecto que chama atenção logo nos primeiros minutos, é a parte técnica. Star Fox foi reconstruído do zero, e isso fica evidente em praticamente todos os cenários.
Quem jogou o original no Nintendo 64 ou até mesmo o remake do 3DS percebe imediatamente a diferença. A iluminação volumétrica, as novas texturas e a quantidade de detalhes transformam completamente a forma como os planetas são apresentados. Lugares icônicos como Corneria transmitem muito melhor a sensação de uma cidade sendo invadida, enquanto fases como Solar impressionam pelo volume de efeitos, pelos rios de magma e pela atmosfera criada ao sobrevoar uma estrela.
As fases espaciais também se beneficiam bastante dessa reconstrução. Se antes a limitação do hardware fazia com que boa parte do cenário fosse escondida pela escuridão, agora existe uma sensação muito maior de profundidade, permitindo enxergar inimigos, estruturas e elementos do cenário a longas distâncias.
Esse ganho visual acaba influenciando até mesmo a própria jogabilidade. Além do impacto estético, a clareza dos cenários facilita a leitura das fases e permite reagir com mais antecedência aos obstáculos e inimigos.
A parte sonora acompanha esse mesmo nível de cuidado. As músicas preservam as composições clássicas, mas receberam novos arranjos e uma produção muito mais refinada. Os efeitos sonoros também foram completamente refeitos, contribuindo para uma ambientação muito mais convincente durante toda a campanha.



Outro destaque é a dublagem. Além do tradicional áudio em inglês, o remake oferece diversas opções de idioma, incluindo português, japonês, chinês, espanhol, italiano e outras localizações. A dublagem em português, em especial, apresenta um ótimo trabalho de adaptação e interpretação, tornando a experiência bastante natural.
A única ressalva fica para a tradução de uma das frases mais conhecidas de Star Fox. Enquanto “Use the Brakes, Fox!” foi localizada de forma direta, “Do a Barrel Roll!” acabou se tornando “Faça um turnô barril”, uma escolha que soa estranha para uma fala tão icônica. É um detalhe pequeno dentro do conjunto, mas que chama atenção justamente por envolver um dos momentos mais lembrados da série.
No geral, porém, o remake entrega uma apresentação extremamente sólida. Gráficos, trilha sonora, efeitos sonoros, dublagem e a expansão da narrativa trabalham juntos para transformar um clássico de quase três décadas em uma experiência que continua atual sem perder sua identidade.

A mesma fórmula, agora mais refinada
Apesar de todas as melhorias técnicas, Star Fox continua sendo essencialmente o mesmo rail shooter que conquistou os jogadores no Nintendo 64. A estrutura permanece baseada em fases lineares, nas quais a Arwing percorre um trajeto pré-definido enquanto o jogador desvia de obstáculos e elimina inimigos em um ritmo constante.
Uma campanha completa ainda pode ser concluída em aproximadamente uma hora, mas a duração varia conforme as rotas escolhidas. Assim como no original, determinadas ações durante as fases desbloqueiam caminhos alternativos, levando o jogador para percursos mais fáceis ou mais difíceis. O verdadeiro final continua reservado para quem consegue seguir a rota mais desafiadora, incentivando múltiplas partidas.
Essa estrutura também influencia diretamente a equipe Star Fox. Dependendo do desempenho em cada missão e de quais companheiros permanecem em combate, algumas fases mudam de dinâmica, alterando o suporte recebido durante a campanha e aumentando o fator replay.
Os controles permanecem bastante fiéis ao original. Barrel Roll, U-Turn, Loop, disparos carregados e todas as principais manobras estão presentes, mas agora com uma resposta muito mais precisa. Jogando tanto nos Joy-Cons quanto no Pro Controller, a sensação é de um controle bastante consistente.
Curiosamente, o avanço gráfico também acaba melhorando a jogabilidade. A qualidade visual facilita a leitura dos cenários, permitindo identificar inimigos e obstáculos com muito mais antecedência do que nas versões anteriores. Somado aos 60 quadros por segundo estáveis, o resultado é um jogo que transmite maior controle e, em alguns momentos, até parece mais acessível do que o original.

A principal novidade fica por conta do suporte ao modo Mouse utilizando os Joy-Cons do Switch 2. A proposta altera completamente a forma de controlar a nave: enquanto um Joy-Con direciona parcialmente a movimentação, o outro assume a mira utilizando o sensor de mouse.
A ideia funciona, mas transmite a impressão de ter sido pensada principalmente para o modo cooperativo. Jogando sozinho, a separação entre movimentação e mira acaba tornando os comandos menos intuitivos e quebra parte do ritmo da campanha. Em compensação, a nova câmera em primeira pessoa dentro do cockpit é bastante interessante e reforça a imersão. Fica apenas a sensação de que a Nintendo poderia ter permitido utilizar essa perspectiva também com os controles tradicionais.
E uma ressalva que muda da proposta do Star Fox original é o feedback visual ao acertar os chefes. Tradionalmente os chefes contém alguma estratégia para serem derrotados e existe um padrão de ataque. Antes ao acertar esse ponto fraco, o feedback visual era imediato com as peças tremendo ou com cores vívídas. Agora como tudo está mais coeso, esse feedback diminuiu significativamente, o que traz um desafio extra para quem não conhece os padrões dos chefes. Ou seja, pode demorar um tempo até que o jogador entenda onde tem que atirar no chefe para acabar com ele.


Conteúdo extra de Star Fox incentiva novas partidas
Além da campanha refeita, o remake adiciona alguns modos extras para aumentar sua longevidade.
Depois de concluir as fases, cada uma delas passa a contar com objetivos específicos, como atingir determinada pontuação ou eliminar um número mínimo de inimigos para conquistar sua classificação máxima. É um incentivo interessante para revisitar os cenários.
O novo Modo Desafio amplia ainda mais esse conceito ao oferecer missões específicas para cada mapa, exigindo desde tempos de conclusão até objetivos de combate bastante variados. A única observação é que esse conteúdo poderia estar integrado à campanha principal, em vez de aparecer como um modo completamente separado.
Já o Modo Batalha acabou sendo uma surpresa positiva. Com partidas entre Star Fox e Star Wolf, o multiplayer oferece diferentes objetivos, como controlar áreas ou cumprir tarefas específicas, aproximando a experiência de modos competitivos tradicionais. Seja online ou localmente, é uma adição que amplia consideravelmente as possibilidades de Star Fox.

O remake também aproveita recursos do Switch 2 ao introduzir avatares compatíveis com a câmera e com o GameChat. No entanto, esses avatares ficam restritos à personalização do perfil e da comunicação, sem poderem ser utilizados como personagens dentro das partidas, uma limitação que parece uma oportunidade perdida. Os únicos avatares que podem ser usados nas partidas é a equipe Star Fox e Star Wolf.
Por fim, vale destacar o tutorial inicial, que apresenta tanto os controles tradicionais quanto as novas funções do modo Mouse. É uma adição simples, mas importante para quem nunca teve contato com a franquia.

Vale a pena revisitar Lylat?
Star Fox consegue fazer exatamente o que se espera de um remake: preservar a essência de um clássico enquanto moderniza praticamente todos os aspectos técnicos da experiência.
A campanha continua curta, altamente rejogável e baseada nas diferentes rotas que marcaram o original. Ao mesmo tempo, os gráficos completamente refeitos, a expansão da narrativa, a nova apresentação audiovisual e as melhorias na jogabilidade tornam essa a versão mais completa já lançada do título.
Nem todas as novidades funcionam com o mesmo nível de acerto. O modo Mouse pode parecer pouco intuitivo para quem joga sozinho, algumas decisões de interface e personalização deixam espaço para melhorias, e detalhes de localização poderiam ter recebido um cuidado maior. Ainda assim, são observações pequenas diante da qualidade do conjunto.
Para quem cresceu com o Nintendo 64, este remake representa uma excelente forma de revisitar um dos jogos mais importantes da biblioteca do console. Já para quem nunca teve contato com a franquia, ele funciona como a porta de entrada ideal para conhecer uma das séries mais tradicionais da Nintendo em sua versão mais refinada até hoje.

