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Análise: Razer BlackWidow V4 75% Phantom Green Edition

Pedro Nogueira ·

A Phantom Green chama atenção pelo visual translúcido, mas é a experiência de uso que transforma o BlackWidow V4 75% em um dos teclados mais interessantes da Razer nos últimos anos.

Há alguns anos, bastava colocar RGB em praticamente qualquer periférico para chamar atenção do público gamer. Felizmente, esse mercado amadureceu. Hoje, quem está disposto a investir mais de mil reais em um teclado quer muito mais do que luzes bonitas ou dezenas de funções escondidas dentro do software. Quer conforto, construção de qualidade, uma digitação agradável e a sensação de que aquele produto vai continuar sendo bom daqui a alguns anos.

Talvez seja justamente por isso que o Razer BlackWidow V4 75% tenha chamado tanta atenção desde o lançamento. Pela primeira vez em muito tempo, a Razer pareceu olhar para o universo dos teclados mecânicos customizados e entender que o segredo não estava em adicionar mais recursos, mas em melhorar aquilo que o usuário percebe toda vez que encosta os dedos nas teclas.

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A edição Phantom Green chega alguns meses depois com exatamente essa mesma proposta. O hardware continua praticamente idêntico ao modelo tradicional, mas o acabamento translúcido muda completamente a personalidade do teclado. É o tipo de edição especial que realmente faz sentido existir, porque não depende apenas de uma nova cor para justificar sua presença.

Um teclado que parece ter aprendido com os entusiastas

Durante muitos anos existiu uma separação bem clara no mercado. De um lado estavam as grandes fabricantes, como Razer, Logitech, Corsair e SteelSeries, produzindo teclados extremamente rápidos para jogos, mas que muitas vezes deixavam a desejar quando o assunto era sensação de digitação.

Do outro lado estavam marcas menores e fabricantes voltados para entusiastas, oferecendo construções mais refinadas, placas diferenciadas, melhor tratamento acústico e uma experiência muito mais agradável para quem passa horas escrevendo ou trabalhando.

O BlackWidow V4 75% é interessante justamente porque aproxima esses dois mundos. Você não precisa conhecer termos como gasket mount, placa FR4 ou tape mod para perceber que existe algo diferente aqui. Basta começar a digitar.

As teclas têm um toque mais macio do que normalmente encontramos em teclados gamers tradicionais. O som também chama atenção. Em vez daquele barulho metálico comum em muitos modelos da categoria, a digitação soa mais encorpada, mais agradável e até um pouco viciante depois de alguns dias de uso.

É uma diferença difícil de explicar apenas olhando a ficha técnica. Ela aparece mesmo durante o uso diário, seja respondendo e-mails, conversando com sua LLM preferida ou passando horas em uma sessão de CS.

O formato 75% continua sendo um dos melhores que existem

Se existe um formato que conseguiu encontrar o equilíbrio entre produtividade e espaço na mesa, é o 75%.

Ao contrário dos modelos 60%, que obrigam o usuário a reaprender vários atalhos ou depender constantemente de combinações de teclas, o BlackWidow mantém praticamente tudo aquilo que realmente faz falta no dia a dia.

As setas continuam presentes, assim como Delete, Home, End, Page Up e Page Down. Ao mesmo tempo, a ausência do teclado numérico libera um espaço considerável para movimentar o mouse, algo que faz diferença principalmente em jogos competitivos.

É um daqueles layouts que agradam tanto quem joga quanto quem trabalha o dia inteiro no computador.

Depois de algumas semanas usando um teclado 75%, voltar para um modelo full-size acaba parecendo um desperdício de espaço. Meu cérebro até se acostumou a usar um full-size no trabalho, por conta do modelo específico que eu uso, mas no PC, no meu recanto do guerreiro, é de 75% para baixo.

Phantom Green: quando uma edição especial realmente faz diferença

É comum ver fabricantes lançando edições especiais que mudam apenas a pintura do produto. Felizmente, esse não é o caso aqui.

Tecnicamente, a Phantom Green entrega exatamente o mesmo hardware do BlackWidow V4 75% tradicional. Os switches continuam iguais, a construção permanece a mesma e o desempenho não muda absolutamente nada.

Mas basta ligar o RGB para entender por que essa edição existe. Aliás, refraseando. Nem precisa do RGB ligado. Você é transportado pra ela mais legal dos eletrônicos, quando tudo era transúcido. E parece que a moda está voltando, com força.

As keycaps translúcidas e o acabamento parcialmente transparente fazem a iluminação ganhar uma profundidade completamente diferente. Não é apenas a legenda das teclas que recebe luz. O teclado inteiro parece iluminar de dentro para fora.

À noite, principalmente com o restante do setup apagado, o efeito fica impressionante. Mas, não é o teclado mais legível de todos. A posição da impressão com o switch lá dentro, não sei, algo faz com que o modelo não seja o mais legível de todos. Estaria no bolo dos 50% menos legíveis, provavelmente.

O tom esverdeado translúcido foge completamente daquele visual “gamer exagerado” que costuma dividir opiniões. Ele continua chamando atenção, mas de uma forma muito mais elegante do que eu imaginava antes de vê-lo pessoalmente.

É o periférico mais legal que eu coloquei na mesa nos últimos anos, sem dúvidas. É aquela edição especial que você acha irada no marketing e acha que nunca vai chegar pra você comprar. É a sensação, de tão diferente do padrão que é.

Os switches Orange Gen-3 mostram que nem todo teclado gamer precisa ser barulhento

O BlackWidow V4 75% utiliza exclusivamente os switches Orange Gen-3 da Razer.

Confesso que, antes de começar os testes, imaginava encontrar algo parecido com os tradicionais switches marrons do mercado. Na prática, a sensação é melhor do que isso.

O acionamento acontece cedo, existe um retorno tátil bastante perceptível, mas sem aquele clique alto que costuma incomodar quem divide o ambiente com outras pessoas. Eu vivo perguntando, em dia de home office com a minha esposa em casa, se ela quer que eu troque pro Logitech MX Keys. E ela mesmo diz: “pode deixar, o som é legal”.

O resultado funciona muito bem tanto para escrever quanto para jogar. É fácil passar horas escrevendo sem sentir que cada tecla exige força demais ou, no extremo oposto, aciona antes do esperado.

Outro ponto positivo é que o teclado oferece suporte a hot swap para quem gosta de personalizar switches futuramente. Confesso que não é um recurso que fez diferença para o meu uso, mas é sempre bom saber que essa possibilidade existe caso você queira experimentar outros switches mais para frente.

Um descanso de punho que faz mais diferença do que parece

Existe um acessório que costuma ser completamente ignorado nas reviews de teclados: o apoio de punho.

Normalmente ele aparece em uma foto, recebe uma ou duas linhas de comentário e pronto. Afinal, é só um apoio de punho, certo? Errado. Você que tem tendinite crônica que vai e volta, sabe como isso ajuda nos dias de crise.

A Razer acertou muito aqui. O descanso que acompanha o BlackWidow V4 75% é um daqueles itens que parecem dispensáveis até você passar alguns dias usando. Depois disso, fica difícil voltar atrás.

Ele é revestido por um material extremamente agradável ao toque, tem um enchimento firme na medida certa e utiliza ímãs para se prender ao teclado. O encaixe acontece naturalmente, sem folgas e sem aquela sensação de que você está usando dois produtos diferentes sobre a mesa.

Mas o maior mérito nem está no acabamento. Está na ergonomia.

Quem nunca comprou um descanso de punhoseparado talvez não imagine o quanto é difícil encontrar um modelo que realmente combine com a altura do teclado. Muitos ficam altos demais, outros baixos demais, alguns deslizam durante o uso e vários acabam criando exatamente o problema que deveriam resolver.

É comum gastar uma boa quantia tentando encontrar o modelo ideal e, mesmo assim, continuar sentindo desconforto depois de algumas horas.

Aqui isso simplesmente não acontece. Como o descanso foi desenvolvido especificamente para o BlackWidow V4 75%, tudo parece pensado em conjunto. A transição entre a mesa, o apoio e as teclas acontece de maneira extremamente natural, reduzindo a tensão nos punhos durante longos períodos de uso.

Se você trabalha no computador durante o dia e ainda passa algumas horas jogando à noite, esse detalhe faz muito mais diferença do que parece.

É um daqueles acessórios que eu sinceramente gostaria de ver acompanhando muito mais teclados premium. E ainda tem imã pra grudar certinho onde deveria. E deixa o steup ainda mais bonitão. Não subestimem esse acessório, é sério.

RGB bonito é uma coisa. RGB bem aproveitado é outra.

O Chroma da Razer sempre foi um dos sistemas mais completos. E ele conversa muito bem com jogos compatíveis, periféricos da marca e até componentes de terceiros.

Só que existe uma diferença importante entre simplesmente colocar LEDs em um teclado e fazer esses LEDs realmente valorizarem o produto.

É justamente aqui que a Phantom Green se destaca.

Como praticamente toda a estrutura superior utiliza materiais translúcidos, a iluminação ganha profundidade. As cores parecem mais intensas, mais espalhadas e menos concentradas apenas nas legendas das teclas. Dependendo do efeito escolhido, parece que a luz atravessa o teclado inteiro.

É um daqueles produtos que chamam atenção mesmo quando ninguém está usando. Quem gosta de montar um setup bonito provavelmente vai passar alguns bons minutos apenas testando diferentes efeitos de iluminação.

E o curioso é que isso não deixa o teclado com aparência exagerada. Pelo contrário. Tirando quando ele tá numa onda RGB infinita, ele é bem sóbrio.

Existe um equilíbrio interessante entre sofisticação e aquele visual gamer que muita gente procura quando compra um periférico da Razer.

O Synapse continua dividindo opiniões

Nem tudo é perfeito.

O Synapse continua sendo um software extremamente completo, permitindo configurar praticamente qualquer detalhe do teclado, desde macros até perfis de iluminação, polling rate e integração com o Chroma Studio.

O problema é que ele continua sendo… o Synapse. Pesado, muitas atualizações, muitas opções, as vezes não é tão intuitivo. Muito processo em segundo plano. Uma versão light, bem light, do Synapse seria perfeito.

Felizmente, boa parte das configurações fica gravada na memória interna do teclado. Depois de ajustar tudo como você gosta, dificilmente será necessário abrir o software novamente.

Mas nem todo produto Razer é assim, caso da minha Leviathan V2 X. Então você acaba não desinstalando.

E para jogar?

Seria estranho elogiar tanto a experiência de digitação e descobrir que o teclado decepciona justamente onde a Razer construiu sua reputação.

Isso não acontece. O BlackWidow V4 75% continua sendo um teclado claramente pensado para o público gamer.

O polling rate pode chegar aos 8.000 Hz, existe suporte completo a N-Key Rollover, anti-ghosting e recursos como o Snap Tap, voltado para quem busca respostas ainda mais rápidas em jogos competitivos.

Agora vem a pergunta que realmente interessa. Você vai perceber diferença entre 1.000 Hz e 8.000 Hz Provavelmente não.

Pelo menos não se você joga de forma casual ou mesmo competitiva sem disputar campeonatos profissionais.

A verdade é que o conforto proporcionado pela construção, pelos switches e pelo excelente tratamento acústico acaba sendo muito mais perceptível do que qualquer redução teórica de latência.

E isso não é uma crítica. Muito pelo contrário. A Razer poderia ter concentrado toda a campanha de marketing nos números, como tantas empresas fazem. Em vez disso, resolveu investir justamente naquilo que o usuário percebe durante todas as horas em que permanece sentado em frente ao computador.

Existe um problema que precisa ser citado

Seria injusto terminar esta análise sem abordar um assunto que acompanha o BlackWidow V4 75% desde o lançamento.

Diversos usuários relataram problemas de key chatter, situação em que determinadas teclas passam a registrar pressionamentos duplicados após algum tempo de uso. O assunto ganhou bastante força em fóruns, como no Reddit. Algumas análises gringas citam o problema e outras atualizaram algumas vezes seus textos por conta do problema.

Durante meus testes, cerca de uma semana de uso intenso, não encontrei qualquer comportamento semelhante, mas é um histórico que vale conhecer antes da compra.

Vale o investimento?

Durante a produção desta análise, não encontrei a Phantom Green disponível nas principais varejistas brasileiras, não em lojas grandes e oficiais. O único anúncio ativo estava em uma loja especializada por um valor bem acima do razoável, então faz mais sentido utilizar como referência os aproximadamente R$ 1.309 cobrados atualmente pela versão preta nas grandes lojas.

E, sendo sincero, esse preço muda completamente a conversa.

Na faixa dos R$ 1.300, o BlackWidow V4 75% entra para disputar espaço com alguns dos melhores teclados premium do mercado. Ainda assim, ele entrega argumentos suficientes para justificar esse investimento.

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A construção é excelente. A experiência de digitação está facilmente entre as melhores que a Razer já ofereceu. O descanso de punho deveria servir de exemplo para boa parte da concorrência.

A Phantom Green transforma um teclado já muito competente em uma peça que realmente chama atenção dentro do setup. Certamente é um design que quem quer, vai pagar bem mais por isso porque não tem nada similar, nessa construção, no mercado.

R$ 1.300, na versão preta comum, é muito dinheiro. A soma de todos os fatores tem que justificar todos os pontos que você busca em um teclado, além de você ter isso tudo pra dar, sem fazer falta. Num mercado com tantas opções, obviamente mais simples, abaixo de R$ 400, ele acaba se justificando para um nicho específico.

Conclusão

O Razer BlackWidow V4 75% Phantom Green não é apenas uma edição bonita de um teclado já conhecido. Ele representa um momento em que a Razer finalmente entendeu que um periférico premium precisa entregar mais do que desempenho em jogos. Ele precisa ser confortável, silencioso, bem construído e agradável de usar todos os dias.

Se você procura um teclado mecânico premium, com design único (na versão Phantom), trabalhando durante o dia e jogando à noite, o BlackWidow V4 75% merece estar entre os primeiros nomes da sua lista. E, se encontrar a Phantom Green por um preço próximo ao da versão tradicional, melhor ainda: além de um excelente teclado, você leva para casa uma das edições mais bonitas que a Razer já lançou.

Confira a nossa curadoria com os principais rumores de jogos

Ele é caríssimo, é uma compra não-racional. Eu sei. Mas existe esse público. Existe o fã da marca, o fã da linha BlackWidow, o cara que quer todo seu setup premium, todos os periféricos translúcidos. Motivos existem, não é para as massas. Pelo preço, não é pra todos. Ignorando o preço, é um teclado memorável.

NÍVEL DE RECOMENDAÇÃO: OURO

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Pedro Nogueira

Formado em Administração e em GunZ: The Duel. Rei dos FPS e o Toretto dos jogos de corrida no site. O nerd/entusiasta do PC Master Race. Saudades de quando jogos focavam em ser bons jogos.

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