Os fãs de Metal Gear ficaram anos sem nenhuma novidade de sua franquia favorita desde que Hideo Kojima deixou a Konami. Mas o cenário mudou com a chegada do primeiro volume da coletânea e, logo em seguida, o badalado remake Metal Gear Solid Delta: Snake Eater. Sem grandes surpresas, a Konami anunciou o segundo volume da coleção, METAL GEAR SOLID: MASTER COLLECTION Vol.2, sobre o qual falaremos nesta análise, trazendo um apanhado de tudo o que está presente no pacote.
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Metal Gear Solid Ghost Babel
Apesar de não ter Hideo Kojima na direção, Metal Gear Solid: Ghost Babel é considerado um “bônus” de luxo que acompanha a coleção. Trata-se do remaster do aclamado título de Game Boy Color, que utiliza um visual e uma jogabilidade equivalentes aos de Metal Gear 2: Solid Snake, mas implementando mecânicas consagradas do primeiro Metal Gear Solid.
A trama se passa em uma linha do tempo alternativa, sete anos após os eventos do primeiro Metal Gear Solid. Nela, Snake precisa invadir uma base rebelde onde um novo Metal Gear e armas nucleares foram roubados. A experiência vale muito a pena para quem não teve a oportunidade de jogar no GBC e é fã de títulos retrô. A remasterização refinou os visuais pixelados de forma competente, mas, idealmente, a melhor maneira de aproveitá-lo ainda é na tela pequena de um portátil.



Metal Gear Solid: Peace Walker
Um dos vários jogos da saga lançados para o saudoso PSP, a história se passa quatro anos após Portable Ops (que, infelizmente, ficou de fora desta coleção) e dez anos após o enredo de Snake Eater. Aqui acompanhamos Naked Snake, agora sob o título de Big Boss, unindo-se a Kazuhira Miller para fundar a Mother Base. A trama gira em torno da tentativa de evitar uma nova guerra, enquanto Big Boss investiga as suspeitas de que sua antiga mentora, The Boss, ainda esteja viva.
O jogo funcionava de forma brilhante no PSP e até mesmo na versão HD lançada para o PS3. Contudo, em pleno 2026, o peso da idade é inegável. Devido às limitações técnicas da plataforma original, várias mecânicas precisaram ser adaptadas. O que antes garantia um gameplay fluido no portátil, hoje soa como uma restrição severa ao jogador, a exemplo da impossibilidade de se movimentar enquanto Snake está deitado no chão.
O mapeamento de controles também sofre: como o PSP não possuía gatilhos traseiros duplos, múltiplas funções foram espremidas em botões únicos. Essa herança foi depositada no botão R2 sem uma redistribuição adequada, gerando frustrações na jogabilidade. Um bom exemplo é tentar aplicar um golpe rápido de CQC e acabar agarrando o inimigo sem querer.
Embora os gráficos tenham sido remasterizados para 4K e o jogo rode a 60 FPS, os cenários consideravelmente vazios e as texturas simples escancaram que a obra é datada. Para piorar, a versão ainda sofre com problemas de sincronia em algumas cutscenes, onde o áudio e o vídeo ficam desencontrados.



Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots
Este é, sem dúvidas, o principal motivo para adquirir METAL GEAR SOLID: MASTER COLLECTION Vol.2. Após anos preso como um exclusivo do PlayStation 3, Guns of the Patriots finalmente está livre. É a primeira oportunidade de jogá-lo para quem nunca teve a chance no lançamento original e a oportunidade perfeita de revisitá-lo em 4K, 60 FPS e com legendas em PT-BR que é uma adição essencial, já que a história é complexa e exige total atenção.
Aqui presenciamos a conclusão épica da saga. Solid Snake enfrenta o confronto derradeiro contra Liquid Snake (que agora controla o corpo de Revolver Ocelot), ao mesmo tempo em que lida com o envelhecimento precoce de seu próprio corpo e com o vírus FOXDIE.
Visualmente, é o jogo mais bonito do pacote apenas pelo fato de ter nascido na sétima geração. Consequentemente, ele não recebeu grandes melhorias além do salto de resolução. Em vários aspectos, o gameplay pode ser considerado datado, especialmente quando comparado à fluidez impecável de Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, mas a sensação de controlar uma jogabilidade tão “raiz” da franquia com uma roupagem técnica moderna é extremamente gratificante. Os 60 FPS, inclusive, caíram como uma luva.
Ainda assim, pode ser um título mecanicamente desafiador para jogadores de primeira viagem. No geral, é o grande chamariz que justifica a compra da coleção.



Conclusão da análise de METAL GEAR SOLID: MASTER COLLECTION Vol.2
METAL GEAR SOLID: MASTER COLLECTION Vol.2 é uma coletânea que finalmente entrega aos jogadores a oportunidade de revisitar grandes capítulos da franquia em plataformas atuais.
Embora Ghost Babel seja um bônus interessantíssimo e Peace Walker evidencie os sinais do tempo (pesado pelas limitações herdadas do PSP), o grande atrativo do pacote é o resgate de Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots. A possibilidade de jogar esse clássico absoluto em 4K, 60 FPS e totalmente legendado em português torna a experiência irrecusável. Apesar de algumas mecânicas datadas na transição, a coleção é um item obrigatório para os fãs e a porta de entrada definitiva para quem nunca teve a oportunidade de testemunhar o capítulo final da lenda de Solid Snake.
