A primeira sequência direta de Xenoblade Chronicles (lançado originalmente para o Nintendo Wii), Xenoblade Chronicles 2 do Nintendo Switch, possuía uma jogabilidade bem mais próxima daquela vista em Xenoblade Chronicles X do Wii U. E, mesmo assim, trouxe inúmeras inovações e mecânicas diferentes em comparação ao seu antecessor. Além disso, o título é ambientado em um universo inédito que se destaca por inúmeros Titãs, seres colossais habitados por civilizações inteiras. Mas chega de prévia e vamos direto para a nossa análise.
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Um mundo repleto de titãs
Xenoblade Chronicles 2 se passa no mundo de Alrest, que é coberto por um mar de névoas e povoado por Titãs dos mais variados tamanhos. Essas criaturas, ao menos as maiores, são capazes de abrigar nações e cidades inteiras em seus corpos enquanto se movimentam pelo mundo. É algo familiar ao que vimos no primeiro jogo, onde as civilizações habitavam os corpos de dois Titãs adormecidos.
Aqui seguimos a história de Rex, um garoto que vive sozinho sobre um Titã que ele chama carinhosamente de Vovô, por ter cuidado dele desde que se entende por gente. Rex atua como um mergulhador, entrando no mar de nuvens em busca de tesouros, e tem como grande objetivo encontrar o Elysium, um suposto paraíso das lendas.
A vida do garoto muda por completo quando ele se envolve em um trabalho junto aos Drivers, guerreiros que possuem conexão com Blades (seres celestiais que se conectam a alguém para compartilhar suas habilidades e armamentos). Infelizmente, a missão falha devido a uma traição desses Drivers, colocando Rex em uma situação de vida ou morte. Ele acaba sendo salvo ao se conectar com Pyra (Homura, no original), tornando-se um Driver e a tendo como sua Blade. A história pode se desenrolar de maneira mais lenta no início, mas o ritmo acelera de acordo com a progressão, trazendo um elenco carismático e bem distinto em relação ao antecessor, evitando a sensação de repetição.

Novas mecânicas
Se compararmos ao primeiro jogo, a jogabilidade mudou consideravelmente. Por mais que ainda siga um padrão de combate que lembra muito um MMORPG (onde o personagem executa ataques automáticos e você ativa as habilidades), o sistema se mostra bem diferente na prática. Não temos tantas habilidades simultâneas ao nosso dispor; em vez disso, há apenas três principais, além do golpe especial da Blade, onde o usuário devolve a arma para que a parceira possa atacar. Essa habilidade especial possui quatro fases, em que cada nível é executado de uma maneira diferente e traz um efeito específico, tecnicamente se desdobrando em um golpe que vale por quatro, sendo a última fase o ataque mais devastador.
Outra grande mudança está no tempo de recarga. Enquanto no primeiro jogo tudo recarregava com o tempo, aqui o carregamento ocorre de acordo com os seus golpes. Os ataques automáticos carregam as habilidades comuns, e o uso dessas habilidades carrega o golpe especial da Blade. Além disso, podemos equipar até três Blades e alternar entre elas, o que deixa o combate muito mais dinâmico. Vale citar que, assim como no título original, só podemos usar até três membros na party por vez.
O jogo ainda conta com a sequência de golpes em grupo (acionada quando enchemos as três barras do medidor). Porém, diferente do primeiro jogo, aqui esse recurso se torna extremamente valioso e tático, pois a barra não preenche tão rápido. Isso obriga o jogador a decidir constantemente se vai guardar o medidor para reviver aliados caídos ou se o utilizará para executar um combo.

Exploração
Diferente do primeiro Xenoblade Chronicles, que focava em apenas duas regiões colossais, aqui temos várias, o que muda bastante os cenários e traz variações maiores de inimigos. Porém, o jogo tem um pequeno problema de level design em sua navegação: como muitos cenários possuem áreas superiores e inferiores, o minimapa mostra o local do objetivo, mas não deixa claro se ele está em cima ou embaixo. Felizmente, temos a bússola que aponta se estamos no andar correto ou não. Ainda assim, a interface não é das melhores, e várias vezes se mostra necessário abrir o mapa em tela inteira e ainda sofrer para se localizar. Apesar desses deslizes, os cenários e os desafios que surgem no decorrer do jogo são bem estruturados.
Há também a possibilidade de mergulhar no mar de nuvens, mas, infelizmente, não há exploração livre durante o mergulho. A mecânica se resume a eventos rápidos para determinar o tesouro resgatado e se algum inimigo foi atraído junto com você para a superfície.

Gráficos e áudio
Com as melhorias da versão de Nintendo Switch 2, Xenoblade Chronicles 2 está muito mais bonito. A ausência de serrilhados e a resolução em 4K acompanhada dos 60 FPS deixaram o jogo com uma qualidade impressionante, o que auxilia muito no começo, quando o próprio gameplay ainda é mais lento. Podemos notar que a construção dos cenários e o visual dos personagens foram lapidados com maestria em comparação ao título anterior.
O áudio e a trilha sonora estão impecáveis, entregando uma experiência auditiva muito favorável. Aconselho jogá-lo com as vozes originais em japonês, mas já adianto que a adaptação ocidental de alguns nomes nas legendas pode causar um pouco de estranheza no início.

Conclusão da análise de Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition
Xenoblade Chronicles 2 leva a série para o mundo de Alrest, onde civilizações vivem sobre gigantescos Titãs, acompanhando Rex em sua busca pelo lendário Elysium ao lado de Pyra. O jogo reformula o sistema de combate com as Blades, permitindo equipar até três delas e criar combinações estratégicas de ataques e especiais. A exploração apresenta cenários variados e bem construídos, embora a navegação seja pontualmente prejudicada por um minimapa pouco intuitivo. A história começa lenta, mas ganha ritmo e apresenta personagens muito carismáticos. Com as melhorias do Nintendo Switch 2, os gráficos ficam ainda mais impressionantes, enquanto a trilha sonora e a dublagem japonesa continuam entre os grandes destaques da obra.

