Análise: Tales of Eternia Remastered

Voltou depois de 20 anos

Anderson Mussulino ·

Continuando a saga das remasterizações da franquia Tales of, agora temos Tales of Eternia Remastered, que marca o retorno deste clássico absoluto do PlayStation 1. Lançado originalmente no Japão no ano 2000, o título chegou à América do Norte apenas em 2001 sob o confuso nome de Tales of Destiny II (embora não tenha absolutamente nenhuma relação com o verdadeiro Tales of Destiny 2, que infelizmente nunca estreou no ocidente). Cinco anos depois, recebemos uma nova versão no saudoso PSP, desta vez com o título correto e, surpreendentemente, publicada pela Ubisoft no mercado ocidental.

Agora, em 2026, Tales of Eternia Remastered traz essa jornada inesquecível para os consoles da atual geração. Mas será que o clássico resistiu ao teste do tempo? Vamos conferir nesta análise.

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Fantasia e aliens?

A trama de Tales of Eternia Remastered se desenrola em um universo onde dois planetas, Inferia e Celestia, orbitam um de frente para o outro, separados apenas por uma barreira mística chamada Orbus Barrier. A interação entre os dois mundos foi praticamente inexistente nos últimos séculos, com a comunicação cortada por um longo período. A calmaria chega ao fim quando os jovens Rid Hershel e sua amiga de infância, Farah Oersted, percebem que a Orbus Barrier apresenta uma coloração incomum e testemunham uma estranha nave caindo a partir de Celestia.

Ao chegarem ao local do impacto, eles conhecem Meredy, uma garota que veste roupas excêntricas e fala um idioma totalmente desconhecido, acompanhada de seu mascote peculiar, Quickie. Em busca de respostas sobre a identidade da forasteira, Rid e Farah partem ao encontro de Keel Zeibel, um estudioso amigo de infância.

Temos aqui uma história divertida e cativante, mas a imersão esbarra em problemas sonoros crônicos não resolvidos nesta edição. O áudio original em japonês continua com diversos diálogos sem dublagem, uma oportunidade de ouro que a Bandai Namco desperdiçou de modernizar a narrativa. Por outro lado, a dublagem em inglês é datada e de baixíssima qualidade, sofrendo do mesmo mal que assombrava a maioria das localizações de jogos japoneses daquela época, falhando em combinar com a personalidade do elenco. Felizmente, a excelente trilha sonora compensa essas limitações técnicas, entregando músicas envolventes que salvam a experiência auditiva.

A evolução do Linear Motion Battle System

A franquia Tales of é amplamente aclamada por mesclar a estrutura de RPG clássica com um sistema de batalhas focado na ação. No entanto, nem sempre foi assim. Nos primeiros jogos, era possível atacar livremente, mas o uso de magias e habilidades não ocorria em tempo real, interrompendo o fluxo dos combates. Tales of Eternia mudou essa história ao evoluir o Linear Motion Battle System, permitindo a execução ininterrupta de comandos para disparar feitiços e ataques especiais. Trazendo uma verdadeira revolução para a época.

Reviver esse combate a fluidos 60 FPS deixa a experiência extremamente ágil e divertida, principalmente porque os comandos são mais simples e responsivos se comparados a títulos posteriores da série (que exigem execuções e combos muito mais complexos). Esse é, sem dúvida, o maior brilho do remaster: provar que um sistema de combate concebido há mais de vinte anos envelheceu com maestria.

Na parte visual, a direção de arte também resistiu muito bem ao tempo. Os ricos cenários pré-renderizados e os sprites foram adaptados para preencher as resoluções atuais em tela cheia, dispensando aquelas incômodas molduras laterais quadradas tão comuns em relançamentos retrô. Ainda assim, é impossível não sentir que Tales of Eternia merecia um remake completo com gráficos modernos, dado o seu peso histórico e a sua relevância crucial para a consagração do gameplay da franquia. Fica a sensação de que a Bandai Namco tem um forte receio de investir em remakes de seus jogos clássicos mesmo tendo uma base de fãs que adorariam ver esses jogos com as técnologias atuais.

Conclusão da análise de Tales of Eternia Remastered

Tales of Eternia Remastered é um resgate histórico essencial para os fãs de JRPG e uma verdadeira aula de game design em sistemas de combate. A transição para os 60 FPS em telas de alta resolução realça a fluidez impressionante de um jogo que pavimentou o futuro do Linear Motion Battle System para o restante da franquia.

Apesar da alegria indiscutível de reviver as aventuras de Rid e Farah, o relançamento evidencia a falta de ambição da Bandai Namco. A ausência de uma dublagem japonesa completa e a reciclagem do áudio em inglês datado mostram que a obra recebeu apenas o tratamento mínimo necessário para rodar nos consoles atuais. Para um título dessa magnitude, um remake seria o cenário dos sonhos. Contudo, mesmo entregue em uma embalagem extremamente básica, o carisma dos personagens, a trilha sonora fantástica e o sistema de combate garantem que a jornada através da Orbus Barrier continue sendo uma experiência mágica e altamente recomendada.

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75 Nota

Tales of Eternia: Remastered

Bom

Tales of Eternia Remastered é um resgate essencial para os fãs de JRPG, mantendo o combate que ajudou a definir o Linear Motion Battle System e ganhando ainda mais fluidez com os 60 FPS. Apesar disso, a Bandai Namco entrega uma remasterização bastante básica, com áudio em inglês datado e ausência de uma dublagem japonesa completa, deixando a sensação de que um remake seria mais adequado para um clássico dessa importância. Ainda assim, o carisma de Rid e Farah, a excelente trilha sonora e o sistema de combate continuam sendo motivos suficientes para recomendar a aventura.

Desenvolvedor Tose
Publicadora Bandai Namco Entertainment
Lançamento 16/10/2026
Plataformas Xbox Series X|S, PlayStation 4, Nintendo Switch 2, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5, Nintendo Switch
Plataforma jogada PS5
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Não
Cópia Cedida pela publicadora

Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.

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