Após cinco anos do lançamento original de Tales of Arise e três anos desde a chegada da expansão Beyond the Dawn, o RPG da Bandai Namco finalmente desembarca no Nintendo Switch 2 trazendo consigo justamente aquilo que muitos jogadores esperavam: a possibilidade de viver toda essa jornada de forma portátil. E nessa análise vamos focar menos no conteúdo do jogo em si e mais em entender se esse novo port realmente entrega uma experiência sólida dentro da proposta híbrida do console da Nintendo.
Fazendo uma breve recapitulação, Tales of Arise trouxe uma abordagem mais pesada para a franquia, trabalhando temas como opressão, escravidão e desigualdade entre dois povos distintos: os Rehnans e os Dahnans. É nesse cenário que conhecemos o protagonista conhecido inicialmente como Máscara de Ferro, posteriormente chamado de Alphen, que acaba formando uma parceria improvável com Shionne, sua suposta rival. Juntos, ambos desafiam toda a estrutura de poder daquele mundo enquanto tentam mudar a realidade dos dois povos.


Já Beyond the Dawn expande os acontecimentos um ano após o final do jogo base. Em teoria, o mundo agora vive um período de paz, mas a chegada de Nazamil mostra que as consequências da união entre ambos os mundos ainda estão longe de serem resolvidas. A expansão trabalha justamente essas cicatrizes deixadas pelos eventos principais e consegue ampliar o universo de Tales of Arise de forma interessante.
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Combate dinâmico e sistemas clássicos de RPG
Na parte de gameplay, Tales of Arise continua sendo um action RPG bastante competente. O combate acontece em tempo real e permite alternar livremente entre os personagens durante as batalhas, algo que ajuda bastante a variar o ritmo da jogatina. Para quem prefere focar apenas em um personagem específico, também existe a possibilidade de deixar os aliados atuando de forma semiautomática ou completamente automática.
Um detalhe interessante é o sistema de estratégia da party, que lembra bastante os Gambits de Final Fantasy XII. É possível programar o comportamento dos companheiros dependendo da situação, definindo prioridades de cura, ataque, distância e outros fatores. Isso adiciona uma camada estratégica muito agradável para quem gosta de otimizar a equipe.
Visualmente, o jogo continua muito bonito. O estilo em cel shading conversa perfeitamente com a identidade anime da franquia e ainda hoje entrega cenários agradáveis e personagens bastante expressivos. Além disso, toda a estrutura tradicional de RPG permanece aqui: exploração, formação de party, equipamentos, habilidades, crafting e evolução constante dos personagens.

O curioso comportamento do port no Nintendo Switch 2
Agora entrando na parte mais importante dessa análise: como Tales of Arise roda no Nintendo Switch 2?
E antes de falar diretamente da versão híbrida, acho importante citar rapidamente o Xbox Series S, já que ele virou uma espécie de referência constante quando falamos desses ports recentes do Switch 2. No console da Microsoft, Tales of Arise roda em dois modos distintos: um modo qualidade em 1440p a 45 FPS e um modo performance em 1080p a 60 FPS. Ou seja, mesmo no modo mais simples, o jogo entrega 60 quadros por segundo.
No Nintendo Switch 2, a decisão tomada pela Bandai Namco foi bastante diferente. Primeiro porque o jogo não possui qualquer opção gráfica. Não existe modo qualidade ou desempenho. A resolução permanece fixa em 1080p tanto no portátil quanto na TV, o que inicialmente parece uma boa escolha.
O problema aparece justamente na forma como os frames são administrados.
Durante todas as cenas de diálogo e história, o jogo roda a 60 FPS de forma lisa. Contudo, no momento em que você assume o controle durante exploração e combate, o jogo passa para 30 FPS. E não apenas isso, durante a exploração existe uma sensação constante de instabilidade no frame pacing, principalmente ao movimentar a câmera. Curiosamente, os combates, mesmo limitados a 30 FPS, acabam sendo mais estáveis e responsivos.
Essa alternância constante entre 60 FPS em diálogos e 30 FPS durante gameplay cria uma sensação estranha o tempo inteiro. Em um RPG tão focado em narrativa, você passa vários minutos vendo cenas extremamente fluidas para logo depois voltar para uma exploração mais travada e inconsistente. Depois, nas batalhas, o frame pacing melhora novamente. Essa troca constante de sensação acaba chamando muita atenção e, sinceramente, me parece uma decisão equivocada.

Uma boa versão, mas tecnicamente inconsistente
Fechando a análise, Tales of Arise continua sendo um excelente RPG. Sua história permanece forte, os personagens continuam funcionando muito bem e o combate segue profundo e divertido. Além disso, visualmente o port do Nintendo Switch 2 é bastante competente. O jogo continua bonito, limpo e sem grandes problemas visuais ou ruídos gráficos que prejudiquem a experiência.
O grande problema realmente está na estabilidade e principalmente na escolha de dividir o comportamento do FPS dependendo do tipo de cena. Essa alternância constante entre 60 e 30 quadros cria uma sensação estranha durante a experiência e acaba mais atrapalhando do que ajudando.
No saldo geral, o pacote continua positivo, principalmente pela possibilidade de jogar Tales of Arise e sua análise de forma portátil. Mas ao mesmo tempo, fica claro que existiam escolhas técnicas melhores para esse port. E vale aqui a mesma lógica que citei na análise de Indiana Jones e o Grande Círculo no Switch 2: se essa for sua única plataforma, vale sim a experiência. Porém, caso tenha acesso a plataformas mais fortes e queira evitar essas inconsistências de performance, provavelmente elas ainda serão a melhor forma de jogar Tales of Arise e Beyond the Dawn.
