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Análise: Pokémon Sword e Shield é raso, mas divertido!

Nicolas Togashi ·

Os Pokémon Sword e Shield são a proposta da GameFreak de trazer uma nova geração, com novos elementos e gráficos ainda mais trabalhados a um console “portátil” poderoso.

Os jogos trazem uma bagagem emocional dos fãs da série, que estão há 3 anos sem receber uma experiência nova, e que viram no Switch a esperança de um inovador e tão sonhado jogo de Pokémon em alta resolução. E ainda, aparecendo pela primeira vez em um console de mesa e com todo o potencial de ser um marco na franquia. O problema é que isso não aconteceu como esperávamos.

Pokémon Sword e Shield

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Problemas no paraíso de Arceus

Na E3 de 2019, os executivos da Pokémon Company anunciaram que os jogos Sword e Shield seriam os primeiros da franquia principal a não possuir uma Pokédex completa. Com a desculpa de “Trazer melhorias para o produto final”, como as animações e os supostos modelos que seriam totalmente refeitos em HD, os fãs foram à loucura e muitos já especulavam que as coisas não eram bem do jeito que nos foi apresentado.

No entanto, foi necessário aguardar o lançamento do game para confirmar nossos medos. O jogo vazou aos Hackers dias antes do lançamento, e muitas informações foram reveladas. Realmente, nem todos os Pokémon estavam disponíveis no jogo, mas as melhorias não foram tão gritantes a ponto de justificar as afirmações dos desenvolvedores.

Os modelos eram idênticos aos dos últimos lançamentos, as animações não tiveram nenhum esplendor e o jogo estava bastante raso, em questão de conteúdo. Extremamente decepcionante para um fã de Pokémon. Mas fanboyzismo à parte, vamos para a análise efetiva do jogo.

Um pé na estrada, eu vou botar

A oitava geração dos monstrinhos apresenta uma região imensa e bastante variada para exploração. O jogador inicia sua jornada de uma maneira bem familiar na série: Seu rival, denominado Hop, o convida para conhecer o irmão dele, Leon, atual campeão da liga de Galar. Após alguns diálogos, você recebe seu Pokémon inicial (Grookey, Scorbunny ou Sobble). A partir daí, sua aventura Pokémon começa.

Pokémon Sword e Shield

Claro que a aventura precisa começar de uma maneira bastante simplória, e ir adicionando camadas de profundidade conforme a história progride, porém durante a maior parte do jogo são apresentadas poucas adversidades, poucos elementos que, por meio da narrativa, faça o jogador querer descobrir mais sobre o local.

No entanto, como a história não apresenta muitas reviravoltas (como em Alola), é fácil terminar a campanha principal em questão de 20 e poucas horas. Para comparação, a campanha principal de Pokémon: Let’s Go durava em torno de 25 horas, e a de Sun/Moon, em torno de 35. Isso é um número muito menor do que os jogos anteriores, que ou eram um remake de um game de 1996, ou era um jogo de 2016 lançado num portátil muito mais simples. E ainda, enquanto Let’s Go conta com os três pássaros lendários e o Mewtwo após a vitória da liga, Sword e Shield possui apenas um lendário para captura, e nada mais referente à história.

Pokémon Sword e Shield

Gente nova no pedaço

Os personagens são bastante característicos, como exemplo o próprio Campeão, que é bastante atrapalhado (chegando aos níveis do absurdo), ou a neta da professora, que recebe a tarefa de descobrir mais sobre o fenômeno Dynamax, mas não chega a conclusão nenhuma, deixando a tarefa para o jogador, retratado como tendo os usuais 10 anos de idade, para descobrir o passado do continente.

O principal problema é que, em muitas das vezes, não fica claro o porquê do personagem secundário interagir com o jogador. Durante a jornada são apresentados 3 rivais, e dois deles chegam a ser irritantes, pois não é concretizada uma motivação muito densa do porquê eles precisam batalhar com o jogador. Isso também é bastante evidente na equipe inimiga, o Team Yell, que merece o prêmio de pior equipe da série.

E são vários os momentos em que o jogador está entrando em uma nova área e é interrompido por um grupo de torcedores fanáticos querendo batalhar, sempre pelo mesmo motivo: impedir que o jogador derrote Marnie em sua jornada para se tornar a campeã. As outras equipes inimigas sempre buscaram um plano totalmente surreal de tomar controle do mundo, ou destruir tudo em chamas, mas o Team Yell, de maneira humilde, se contenta apenas com um campeonato.

Já os líderes de ginásio são bastante caricatos e se tornam muito mais carismáticos do que a maioria dos personagens secundários do jogo. Também, o charme britânico agrega à profundidade do jogo para aqueles que optaram por se aventurar em inglês. Com nuances da variação britânica do idioma, os diálogos possuem os maneirismos e gírias da região, que a tornam mais viva e realista.

We’re living like Giants

O grande destaque de Pokémon Sword e Shield é o fenômeno Dynamax/Gigantamax. Em lugares específicos, é possível ativar uma forma maior de seu Pokémon, aumentando os atributos dele e alterando seus moves para versões mais épicas e poderosas dos ataques. Nos casos dos Gigantamax, ainda alterando suas formas em proporções gigantescas e muito curiosas.

Essas variantes estão disponíveis em todos os ginásios, e também em missões especiais da Wild Area, região da qual falarei mais no próximo parágrafo. É extremamente divertido transformar um Pokémon em uma variante gigantesca do mesmo, e as animações dos ataques estão realmente lindas. Durante a campanha principal, cada líder possui um monstro-assinatura que possui uma variante Gigantamax, então o jogador é colocado em vários momentos nos quais é necessário tomar decisões estratégicas e ativar seu poder máximo no momento correto. Os times dos líderes são bastante variados, tornando necessário ao jogador possuir um time poderoso e que consiga enfrentar os oponentes em suas fraquezas.

Breath of the Wild (Areas)

Sobre as Wild Areas, essa também é uma das principais inovações de Galar. Essas regiões apresentam um sistema de clima, com Pokémon diferentes aparecendo a cada dia e clima específico. Por conta disso, é muito satisfatório explorar os locais, enfrentar Raids e treinar seus Pokémon em um local que se parece com o tão sonhado MMO da franquia.

No entanto, em minha semana de teste, não fui capaz de localizar jogador algum online, seja para Raids quanto para exploração do local. O lado bom é que, na questão das Raids, o jogo permite  adicionar NPCs para batalhar com o jogador, de maneira que não seja necessário jogar apenas com amigos próximos a você.

Ainda, para complementar a experiência, o jogo conta com oito ginásios bastante diversificados, tanto na questão de tipagem dos treinadores quanto nas temáticas dentro dos mesmos. Cada ginásio possui um pré-requisito diferente para que se possa enfrentar o líder, de maneira semelhante aos Trials da região de Alola.

No entanto, o jogo aborda esses desafios de maneira natural, e acrescenta elementos não tão comuns na série para entreter os jogadores com outros minigames. Ainda, como exemplo, em um dos ginásios é necessário pastorar um grupo de Wooloos a um cercado, e alguns obstáculos dificultam a tarefa. Em outro, o jogador deve responder perguntas e a cada acerto os Pokémon recebem buffs (ou debuffs a cada erro), adicionando elementos que tornam as batalhas mais variadas e dinâmicas.

Fazê uma sopa pá nóis

Vale um destaque à mecânica de acampamentos. No jogo é possível, a qualquer momento, acampar para brincar com seus pokémon, e cozinhar Curry para os mesmos. As brincadeiras deixam os monstrinhos mais felizes, e concedem experiência.

Mas o destaque principal fica para ao Curry, onde você deve selecionar ingredientes dentre frutas e outras comidas. Então combiná-los, e inicia-se em um minigame à lá Cooking Mama! Depois de preparado o prato, os Pokémon provam, recuperam vida, ganham experiência e você recebe uma medalha indicando a qualidade do prato. É bastante incomum, mas adiciona um toque divertido para brincar com seus Pokémon!

Um mundo ideal

Em relação às paisagens e gráficos, Pokémon Sword e Shield não deixam a desejar. Os cenários são muito bonitos, e dá pra ver que foi bastante trabalhado neste quesito. Cada cidade possui uma estética diferente, com casas em arquiteturas variadas, cenários ao ar livre de tirar o fôlego e cavernas muito mais vivas que anteriormente. Graças à capacidade de encontrar Pokémon fora da grama, o mundo se torna ainda mais vivo, dando vontade de explorar cada canto e cada ambiente de Galar.

Mas como nem tudo é um mar de Roserades, fora das Wild Areas é perceptível como os mapas são pequenos. As rotas possuem caminhos bem definidos, indo do ponto A ao B com uma ou outra ramificação, mas nada que se estenda a ponte de permitir uma exploração mais aprofundada. As cidades dão uma sensação de serem gigantescas, mas também são condensadas em um polo principal, e as rotas de saída, sem dar um ar muito realista aos locais.

Ainda, vale ressaltar os cenários de batalha. Em muitas das vezes, o jogador entra em batalhas dentro da cidade. Nelas, o cenário de fundo apresentado na batalha não condiz nem um pouco com o local geográfico no qual o embate acontece. Isso mostra ainda mais a falta de atenção aos detalhes que a GameFreak dedicou ao jogo.

Um dos momentos mais marcantes é uma batalha que ocorre contra Hop no meio de uma cidade, e quando a batalha inicia, é apresentado um fundo com florestas e montanhas. Chega a ser chocante como uma situação dessas, que ocorre na história principal do game, foi esquecida.

Pokémon Sword e Shield

I Wanna Rock!

E não podemos deixar de falar da parte musical de Pokémon Sword e Shield. Para nossa alegria, a oitava geração chegou com uma trilha bastante característica da região na qual se baseia! Com nuances de gaita de foles e outros instrumentos típicos acompanhando as rotas do jogo. A sonorização do game está de acordo com os padrões da série Pokémon, mas o elefante na sala é a falta de dublagem no jogo.

Muitas das cinemáticas são apresentadas com uma câmera dinâmica, de maneira que realmente dão a sensação de seriedade aos momentos. No entanto, as bocas dos personagens mexem, como se estivessem efetivamente falando algo. Por conta disso, apenas é apresentado um texto abaixo, sem nenhum som a não ser o da música de fundo.

Pokémon Sword e Shield

Momentos como este dão uma quebra na expectativa do jogador, e fazem-no perceber que o jogo poderia ser melhor. Outros momentos interessantes a se destacar são aqueles onde um dos personagens está tocando um instrumento, fazendo um concerto. É apresentada uma cinemática do mesmo cantando e nada de diferente acontece. Extremamente frustrante, e desnecessário ao jogo.

Você tem minha espada. E o meu… Escudo?

Pokémon Sword e Shield não são jogos ruins. A jogabilidade melhorou muito em comparação aos jogos anteriores da série. Ainda, trouxeram mecânicas que devem representar o novo padrão que os jogos irão seguir, com as Wild Areas e ginásios bastante diversificados. A Pokédex também é bastante variada, e muitas dos novos monstros e formas agradaram aos fãs.

No entanto, a GameFreak costumava desenvolver games para uma plataforma totalmente diferente, e essa mudança causou problemas gigantescos na nova geração. O roteiro fraco e corrido, pouco conteúdo pós-jogo e problemas no jogo de encontrar uma identidade própria durante essa migração de plataforma fizeram com que a chegada dos monstrinhos a um console de mesa fosse turbulenta. No entanto, o jogo diverte, e serve como um início muito interessante do que pode vir por aí.

Pokémon Sword e Shield

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Nicolas Togashi

Graduado em desenvolvimento de jogos e aficionado por essa mídia, perde mais tempo jogando do que efetivamente utilizando a graduação para alguma coisa. Ama RPGs, e se esforça para ser um bom aliado nos jogos online.

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