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Análise: Pokémon Scarlet e Violet evolui a série com uma péssima performance

Os novos jogos da franquia apresentam MUITAS melhorias para a franquia, mas o Nintendo Switch sofre muito com isso

Nove meses após o mais recente jogo da franquia Pokémon, Scarlet e Violet chegam às lojas para trazer uma nova geração de monstrinhos e apresentar uma região inédita celebrando a cultura espanhola em sua nova ambientação. O maior porém é que em um intervalo de um ano, três jogos de grande porte da série foram lançados (um remake de Diamond/Pearl, um spin-off em uma Sinnoh antiga que segue os moldes da franquia original e, agora, uma nova geração), testando ao máximo a capacidade dos desenvolvedores de inovar e trazer jogos que mantenham a franquia relevante.

Tudo isso sendo lançado em um sistema de 5 anos de idade com grandes limitações (inclusive se comparado à geração passada de consoles), gera uma enorme margem para falhas. Scarlet e Violet trazem muitas inovações e funcionalidades que chegaram para ficar, porém tropeça em algumas de suas apostas para definir o futuro da série Pokémon.

A análise de Pokémon Scarlet e Violet foi realizada no Nintendo Switch graças a um código cedido pela Nintendo, a qual agradecemos a confiança e parceria. O jogo não conta com nenhum tipo de texto em PT-BR.

Um mundo ideal

Um dos grandes méritos do novo jogo é a customização de personagem. Logo ao iniciar sua aventura, os jogadores podem selecionar diversos atributos diferentes para criarem um treinador que os represente. Além disso, a inclusão de gênero é fortemente abraçada aos desenvolvedores removerem a clássica pergunta de “Você é um menino ou uma menina”, permitindo que os treinadores criem seus avatares sem quaisquer rótulos, afinal a aventura é muito mais divertida se nos sentimos representados!

Após criarmos nosso personagem, acordamos em nossas casas, seguindo os padrões dos jogos principais, onde conhecemos o diretor Clavell, que gerencia as escolas Uva ou Naranja, dependendo da versão que esteja jogando. Em uma virada mais “realista”, desta vez os jogadores iniciam suas carreiras de treinadores Pokémon atendendo a diversas de aulas que introduzem os mesmos às diversas possibilidades de aventurar-se pela região de Paldea.

Análise Pokémon Scarlet Violet

Ressalto que o início de Pokémon Scarlet e Violet possui muito diálogo e novidades à franquia, inclusive nos permitindo realizar uma análise geral deste novo mundo aberto que os jogos esperam definir como o novo padrão para a série Pokémon. Ainda, conhecemos logo de cara o lendário-assinatura dos jogos, quebrando quaisquer expectativas pré-existentes para um jogo da série. E após os primeiros momentos da aventura, recebemos três diferentes objetivos principais que nos farão cruzar a região.

Faça sua própria história (Ou quase isso)

Desta vez, os jogadores não precisam seguir a clássica fórmula de enfrentar os líderes de ginásio em uma ordem em particular enquanto combatem uma equipe maligna com planos megalomaníacos (ou quase isso). Logo ao concluir a introdução na escola Naranja/Uva, os jogadores possuem três caminhos de aventura, cada um seguindo uma narrativa diferente:

  • Victory Road é o caminho clássico e pelo qual praticamente todos os treinadores de todas as regiões acabam cruzando: Conseguir as oito insígnias, enfrentar a elite dos quatro e se tornar o campeão da região.
  • Starfall Street apresenta a equipe maligna de Paldea, o Team Star, que é composto por diversos alunos delinquentes e que possui cinco grupos liderados por chefes diferentes. Os jogadores precisam detê-los a fim de garantir um espaço seguro e tranquilo para os novos estudantes.
  • Por fim, temos o Path of Legends, fortemente inspirado nos Pokémon Alfa de Legends Arceus, onde é necessário deter versões gigantes de cinco monstros novos desta região.

Cada um desses caminhos conta com certos personagens principais da história, trazendo versatilidade para os diálogos e tornando a região mais viva. Em Starfall Street, por exemplo, ocorrem diversos diálogos com estes líderes de gangue que os humanizam de uma maneira que não era tão aprofundada em regiões passadas. Já em Path of Legends, conhecemos um pouco mais da parte mística de Paldea, permitindo à aventura se tornar menos repetitiva.

Um enorme porém se encontra na tão falada liberdade de escolher seu próprio caminho. Diferentemente de jogos à-lá Zelda Breath of the Wild, a aventura não prepara os ginásios ou objetivos a terem seu nivelamento baseado no progresso do jogador. Por conta disso, para que o jogador escolha enfrentar um ginásio em específico, o mesmo precisará ter treinado seu time ao nível dos Pokémon do líder para que tenha uma chance razoável de vitória. Claro que os jogadores são livres para seguir a aventura como bem entenderem, mas o jogo tem sua ordem de progressão bastante definida e não facilita para que os jogadores sejam realmente livres para decidir suas aventuras.

O que há de novo em Pokémon Scarlet e Violet?

As grandes novidades do game, além do vasto mundo aberto que nunca havia sido criado até então, estão na maneira de experienciar esta vastidão. Todas as principais funcionalidades que você precisará utilizar em sua aventura, desde curar seus Pokémon a comprar itens e até visitar cidades, são gerenciadas de maneira fluida sem a necessidade de passar por uma tela de carregamento. Por conta disso, é fácil e divertido se perder nos diversos biomas de Paldea ao deixar de lado seus objetivos principais e apenas treinar seu time.

Uma nova mecânica adicionada ao game é de realizar acampamentos para “lanchar” com o seu time. Ao preparar diferentes tipos de sanduíche, você pode conseguir aprimoramentos diferentes que variam desde aumentar taxa de captura e o dano de certas tipagens de ataque, e até aprimorar a chance de aparecimento de Pokémon brilhantes (shiny), algo bastante valorizado por toda a comunidade visto que os mesmos costumam ser raros.

Ainda, é possível ver os monstrinhos no cenário, o que permite aos jogadores selecionar com quais desejam batalhar/capturar sem precisar entrar em batalhas desnecessárias. E junto a isso, as batalhas contra treinadores se tornaram totalmente opcionais e somente iniciarão ao conversar com a pessoa em questão.

Fora disso, mecânicas como “Let’s Go” permitem que os jogadores enviem monstros de seu time para batalhar automaticamente, facilitando a obtenção de experiência e itens no cenário. E para os jogadores mais competitivos, agora também é possível fabricar seus próprios TM a partir de materiais obtidos em batalhas contra Pokémon selvagens, facilitando a obtenção de poderes em específico.

A sensação de liberdade ao explorar Paldea em cima dos lendários Miraidon e Koraidon traz fortes influências das montarias presentes em Legends Arceus, porém com o lado positivo de não precisar trocar a montaria para realizar diferentes ações no cenário. Também, a possibilidade de utilizar as Boxes sem precisar ir a um computador e a remoção de HMs tornam a experiência num geral mais leve tanto para jogadores novos quanto para os experientes.

Terastalize-se à vitória

A mecânica de Terastalizar é a maior novidade desta geração. A mesma permite que os jogadores alterem a tipagem do seu próprio Pokémon durante as batalhas, ocasionando em situações onde um Pikachu pode ter seu tipo alterado para Voador, por exemplo. Com isso, as batalhas em Pokémon Scarlet e Violet exigem uma análise ainda maior de seus oponentes, e o cenário competitivo do game pode ser levado às loucuras com isso.

Cada treinador pode Terastalizar um Pokémon com a utilização de um Tera Orb concedido logo no início do jogo, e ao utilizar o mesmo, é necessário curar seus monstrinhos via Poké Center para liberar a funcionalidade para uso novamente. Acredito que a mecânica seja muito forte principalmente por aprimorar os tipos do ataque Terastalizado e por quebrar expectativas em um combate, mas como jogador casual, acredito que algo como vimos em Mega Evoluções, que eram limitadas a uma por batalha, quebraria menos o fluxo de jogabilidade.

Vale ressaltar que as reides, assim como em Sword e Shield, servem como uma grande demonstração de como funciona o fenômeno de Terastalizar, trazendo a possibilidade de vários jogadores se unirem para vencer um Pokémon com sua tipagem Tera podendo ser totalmente diferente da original. Houveram algumas melhorias em relação a ações durante as reides, como os ataques dos jogadores ocorrerem simultaneamente, o que torna a atividade mais fluida, porém o processo se mantém praticamente o mesmo que vimos em Galar.

A fraca performance afeta (e muito) a experiência

Um dos grandes defeitos do game, no entanto, é a performance no Nintendo Switch. Assim como mencionado na introdução, o console encontra-se datado e, com dois grandes lançamentos desenvolvidos pela Game Freak em apenas um ano, era de se esperar que existiriam pontas soltas. Mas não tanto.

É fácil notar problemas com quedas de taxa de quadros e, nas poucas telas de carregamento, as mesmas podem demorar bastante. Animações rodando a poucos FPS em personagens próximos ao jogador, bugs de atravessar parede ou não carregar certos objetos no jogo e até uma renderização não muito distante de Pokémon e personagens, com os mesmos aparecendo logo à frente do jogador, são pontos que impactam demais a imersão no jogo. Todos estes pontos vem acontecendo mesmo com o jogo estando atualizado em sua versão 1.0.1, mostrando que a qualidade era prevista pelos desenvolvedores e infelizmente nada foi feito a respeito disso.

Os gráficos também sofrem muito com os problemas de performance, com certos cenários parecendo vazios e as texturas mal acabadas. De certa maneira, parece que os personagens e Pokémon receberam modelos novos e muito bem-feitos, mas todo o resto foi deixado de lado por conta disso. Ainda, não costumo reclamar muito disso, mas os designs da maior parte dos novos monstrinhos mostram a dificuldade da Pokémon Company de vir com ideias boas para novas gerações, principalmente em evoluções finais dos iniciais, talvez tornando mais claro como a franquia vem se saturando nos últimos anos. Novas formas e evoluções de monstros antigos, no entanto, são em sua grande maioria bem-vindas e realmente interessantes.

Análise Pokémon Scarlet Violet

Conclusão de nossa Análise de Pokémon Scarlet e Violet

Em minha análise de Pokémon Scarlet e Violet evidenciou que os mesmos chegaram com grandes problemas em aspectos que deveriam ser básicos para jogos deste porte. A performance do jogo no Nintendo Switch evidencia algo que já vem sido criticado em jogos como Bayonetta 3, por exemplo, onde vemos as limitações do console e confirmamos que uma nova geração do Switch precisa chegar – e logo – para que a Nintendo continue nos animando com seus novos lançamentos.

Os jogos trazem muita inovação para a franquia, com diversas melhorias de jogabilidade que tornam toda a experiência divertida e animam os jogadores a explorar vastos cenários ainda mais vivos de Pokémon. Fica evidente que cada vez mais estamos próximos a jogar um Pokémon MMO que tanto sonhamos a anos, mas infelizmente ainda não chegamos lá. Talvez com futuras atualizações o game se torne menos cansativo.

Também gostaria de reforçar que o conteúdo pós-jogo não conta com uma Battle Tower, algo muito amado pelos fãs da série, mas tem melhorias se comparado à geração passada de Galar. Apesar disso, alguns objetivos adicionais devem animar fãs da série e modos multiplayer conseguirão aprimorar a experiência e justificar o fator replay do game.

Análise Pokémon Scarlet Violet

Essa análise de Pokémon Scarlet e Violet segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Pokémon Scarlet e Violet

Visual, ambientação e gráficos - 7.5
Jogabilidade - 9
Diversão - 8.5
Áudio e trilha-sonora - 8
Performance - 5

7.6

Bom

Pokémon Scarlet e Violet tentam abraçar muitas melhorias para a franquia, mas pecam em diversos detalhes básicos de um jogo deste porte. Por conta de quedas de framerate, animações travadas e texturas "ok", fica evidente que o Nintendo Switch sofre para rodar o produto final desenvolvido pela Game Freak.

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Nicolas Togashi

Graduado em desenvolvimento de jogos e aficionado por essa mídia, perde mais tempo jogando do que efetivamente utilizando a graduação para alguma coisa. Ama RPGs, e se esforça para ser um bom aliado nos jogos online.

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