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Análise: Lifted

Uma aventura cheia de personalidade

Leonardo Coimbra ·

À primeira vista, Lifted chama atenção por reunir referências que dificilmente costumam aparecer juntas. O visual cartunesco lembra animações clássicas, enquanto a relação entre um aluno e seu professor inevitavelmente remete a obras como De Volta para o Futuro. Some a isso uma aventura envolvendo viagens no tempo e mecânicas de plataforma inspiradas nos grandes jogos dos anos 90, e o resultado é uma proposta bastante curiosa.

Produzido pela Adventure Works L.L.C., Lifted aposta em uma experiência focada na exploração, na resolução de quebra-cabeças e, principalmente, na construção dos seus personagens. Mais do que apenas uma sequência de fases, Lifted procura contar uma história leve e bem-humorada, mantendo um ritmo agradável do início ao fim.

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Uma história simples sustentada por personagens carismáticos

A premissa de Lifted é bastante direta. O jovem Ari aceita ajudar o Professor Raventhorpe em troca de créditos extras na escola, mas um experimento envolvendo um elevador capaz de viajar no tempo transforma uma tarefa comum em uma aventura através de diferentes períodos da história.

O objetivo do professor é encontrar a antiga coroa de Nefertari, acreditando que ela será o presente perfeito para finalmente declarar seus sentimentos à professora da escola, por quem é apaixonado. É uma motivação simples, mas suficiente para conduzir a narrativa sem complicações desnecessárias.

Mais importante do que a história em si é a forma como ela desenvolve seus protagonistas. Ari começa a aventura completamente contrariado, enxergando tudo aquilo apenas como uma obrigação escolar. Aos poucos, porém, passa a se envolver com as viagens temporais e cria uma relação de amizade bastante natural com o professor.

Quem também rouba diversas cenas é Julius, a chinchila que acompanha o grupo. Mesmo se comunicando apenas em sua própria “língua”, ela desenvolve uma dinâmica divertida com o Professor Raventhorpe e frequentemente acaba sendo responsável por encontrar soluções para situações inesperadas.

O humor também funciona muito bem. Existe uma piada recorrente em que Ari sempre precisa enfrentar o caminho mais difícil enquanto o professor, de alguma forma, encontra uma rota muito mais simples para chegar ao mesmo lugar. Depois de repetir essa situação algumas vezes, o próprio protagonista passa a aceitar aquilo com naturalidade, tornando a brincadeira ainda mais divertida.

Outro ponto positivo é a quantidade de referências espalhadas durante a campanha. Desde pequenas homenagens à cultura pop até diálogos que brincam com situações clássicas dos jogos de plataforma, tudo acontece de maneira bastante natural, sem parecer forçado.

Um mundo colorido que lembra uma animação

Visualmente, Lifted aposta em uma direção artística bastante carismática.

Os personagens possuem um estilo cartunesco que lembra produções clássicas, inclusive com um design que faz recordar os primeiros jogos da série Rayman, já que braços e pernas aparecem separados do restante do corpo. Essa simplicidade acaba funcionando muito bem dentro da proposta do jogo.

Os cenários também demonstram bastante cuidado. Cada período histórico apresenta identidade própria, utilizando cores vibrantes, boa iluminação e ambientes cheios de pequenos detalhes. Cavernas, florestas, desertos, montanhas nevadas e demais locais conseguem transmitir atmosferas distintas sem recorrer ao realismo.

Em vários momentos, a sensação é de estar assistindo a uma animação interativa. Não pela qualidade técnica em si, mas pelo cuidado colocado na direção de arte, nas animações e na forma como os personagens interagem entre si.

A parte sonora acompanha esse mesmo nível de qualidade. A trilha sonora sabe variar entre momentos leves, perseguições e cenas de maior tensão, enquanto a dublagem merece destaque. O elenco transmite bastante personalidade aos personagens e ajuda a fortalecer o relacionamento entre Ari, o Professor Raventhorpe e Julius ao longo da aventura.

Uma boa ideia que ainda precisava de mais polimento

Apesar de ser apresentado como um jogo de plataforma, Lifted traz uma abordagem um pouco diferente para o gênero.

Na maior parte do tempo, Ari se movimenta apenas da esquerda para a direita, como em um plataforma tradicional. A diferença é que os próprios cenários giram e mudam de perspectiva constantemente, criando uma sensação tridimensional enquanto o jogador continua utilizando um deslocamento essencialmente lateral.

Visualmente, esse recurso funciona muito bem e reforça a identidade do jogo. Na prática, porém, existem momentos em que a mudança de câmera acaba confundindo a orientação do jogador, principalmente durante as sequências de perseguição, que exigem respostas rápidas.

Essas fugas representam justamente os momentos em que Lifted mais oscila. Em algumas delas, a combinação entre mudança de perspectiva, pulos de precisão e ataques inimigos transmite a sensação de que faltou um pouco mais de ajuste no balanceamento.

Um exemplo claro acontece logo após a obtenção da habilidade de rolar. Durante uma perseguição, inimigos lançam lanças com uma precisão praticamente perfeita, tornando aquele trecho muito mais frustrante do que desafiador. A dificuldade, nesse caso, parece estar mais ligada ao polimento do design da fase do que à habilidade do jogador.

Esse tipo de situação também aparece em alguns saltos e obstáculos cuja leitura poderia ser mais clara. Felizmente, esses problemas ficam restritos a momentos específicos e não comprometem toda a experiência.

No restante da campanha, Lifted entrega uma estrutura bastante agradável. Novas habilidades vão sendo introduzidas aos poucos, como um equipamento semelhante a um gancho, enquanto pequenos quebra-cabeças envolvendo caixas, plataformas e mecanismos ajudam a variar constantemente o ritmo da aventura.

O melhor de tudo é que os diálogos continuam acompanhando a jogabilidade. Mesmo durante os puzzles ou nas fases de plataforma, Ari e o Professor Raventhorpe continuam trocando comentários e fazendo piadas. Em uma fase aquática, por exemplo, Ari questiona a conveniência de vários barris estarem perfeitamente alinhados para formar um caminho, enquanto o professor simplesmente responde que “a correnteza faz isso naturalmente”. Em outro momento, ao receber um gancho para atravessar obstáculos, Ari faz uma referência perguntando se Batman já não teria inventado o mesmo equipamento.

São detalhes simples, mas que ajudam a dar personalidade a Lifted e fazem com que a exploração nunca pareça silenciosa ou repetitiva.

Lifted apresenta bom desempenho, mas com pequenos tropeços

Como Lifted chega inicialmente apenas ao PC, também podendo ser jogado no Steam Deck, vale comentar rapidamente sobre seu desempenho nas duas plataformas.

No PC, equipado com um Ryzen 7 5800X, GeForce RTX 4070 Super, 32 GB de memória DDR4 e executando o jogo em 1440p, a performance foi exatamente a esperada. A taxa de quadros permaneceu constantemente acima dos 100 FPS, chegando com facilidade à faixa dos 150 FPS durante boa parte da campanha.

O jogo realiza a compilação de shaders logo na inicialização, um processo rápido e que, em teoria, deveria minimizar problemas de travamento ao longo da experiência. No entanto, isso não impede que alguns engasgos apareçam durante a aventura.

Os momentos mais perceptíveis acontecem justamente na transição entre gameplay e cutscenes. Em diversas ocasiões, o jogo sofre quedas bruscas na taxa de quadros por alguns instantes, chegando a despencar para cerca de 20 FPS antes de voltar imediatamente ao desempenho normal. Não é um problema frequente a ponto de comprometer a experiência, mas acontece vezes o suficiente para chamar atenção.

No Steam Deck LCD, o comportamento é um pouco diferente. A experiência geral continua bastante positiva e o jogo roda de forma estável, tornando-se uma ótima opção para partidas portáteis. Os engasgos mais severos observados no PC praticamente não aparecem, mas ainda é possível notar pequenos stutters ocasionais. A impressão é de que existe uma leve inconsistência no frame time, afetando a fluidez em determinados momentos, mesmo quando a taxa de quadros permanece estável.

No geral, Lifted apresenta um bom desempenho tanto no PC quanto no Steam Deck, mas ainda transmite a sensação de que pequenos ajustes de otimização podem tornar a experiência ainda mais consistente.

Uma aventura que conquista pelo carisma

Lifted não é um jogo perfeito. Algumas escolhas de câmera, pequenos problemas de polimento e certos picos de dificuldade deixam claro que a experiência poderia ter recebido um pouco mais de refinamento antes do lançamento.

Ainda assim, esses momentos representam apenas uma pequena parte da campanha.

O que realmente faz o jogo funcionar é o carisma dos personagens, a qualidade da dublagem, o humor dos diálogos e a forma como a aventura consegue transformar uma premissa bastante simples em uma jornada constantemente agradável de acompanhar.

Para quem gosta de jogos de plataforma com foco em exploração, quebra-cabeças leves e uma narrativa descontraída, Lifted entrega uma experiência bastante recomendável. Apenas esteja preparado para alguns momentos específicos em que a diversão dá lugar a uma pequena dose de frustração antes de voltar aos trilhos.

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80 Nota

Lifted

Ótimo

Lifted combina plataforma, quebra-cabeças e viagens no tempo em uma aventura que conquista principalmente pelo carisma de seus personagens. Mesmo apresentando alguns problemas de polimento no gameplay e pequenos tropeços técnicos, o jogo entrega uma experiência divertida, bem-humorada e fácil de recomendar para fãs do gênero.

Desenvolvedor Adventure Works
Publicadora Adventure Works
Lançamento 22/07/2026
Plataformas Linux, Nintendo Switch 2, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5, Mac
Plataforma jogada PC
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora
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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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