Todo fã de Granblue Fantasy deve se lembrar do longo e custoso ciclo de desenvolvimento de Granblue Fantasy: Relink. Após anos de anúncios e adiamentos, finalmente recebemos um jogo bastante competente em diversos fatores e que quase alcançou a nota máxima na nossa análise original.
Agora, a Cygames lança Endless Ragnarok, uma versão expandida que também faz a sua estreia no Nintendo Switch 2, fazendo com que o título alcance o maior número possível de plataformas. Porém, para quem já dedicou dezenas de horas ao Relink original, será que o retorno vale a pena? É o que descobriremos nesta análise.
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O que é Granblue Fantasy: Relink?
Você pode conferir os detalhes profundos na nossa análise do jogo base, mas vale um breve resumo. A trama inicia com Gran (ou Djeeta), Lyria e a tripulação chegando a uma nova ilha após um ataque de dragões. Lá, conhecem o aliado Rolan e acabam sendo derrotados por um espadachim misterioso que sequestra Lyria, dando início ao arco de resgate. É uma história bem contada e emocionante, ancorada por uma trilha sonora excepcional.
O gameplay se divide entre a campanha principal (mais linear e focada na narrativa, incluindo lutas épicas que remetem a Shadow of the Colossus) e as missões de guilda, que vão de sobrevivência a caçadas cooperativas com claras inspirações em Monster Hunter.
O sistema de combate, herdado do trabalho inicial da PlatinumGames, é sólido: há ataques básicos, defesa, esquiva e quatro habilidades ativáveis, culminando nos golpes de “Relink” (ataques combinados entre os membros da party). A progressão impressiona com três extensas árvores de habilidades por personagem e evolução de armas no ferreiro.
O único ponto delicado sempre foram os gráficos. Embora o estilo que simula “desenho a lápis” nas armaduras seja belíssimo, ele contrasta de forma bizarra com o dragãozinho Vyrn, que parece não ter recebido o mesmo tratamento visual e frequentemente surge sem textura, quebrando a consistência da tela.

O que Endless Ragnarok trouxe de novidade?
Não estamos falando de uma simples DLC. Endless Ragnarok é uma expansão completa que aprimora toda a estrutura do gameplay. Entre as principais adições, destacam-se:
- Investigações ao Estilo Roguelite: Portais estranhos começaram a surgir. Ao adentrar neles, somos levados para uma sequência de missões inspiradas em jogos como Hades. A cada fase vencida, você escolhe uma vantagem (Aura) para acumular combos de atributos até o fim da run. Concluir essas investigações rende dezenas de recompensas e libera fragmentos de uma nova lore.
- Ascensão de Armas: Agora, duas armas específicas de cada personagem podem “ascender”, quebrando o limite do nível máximo para ganhar bônus massivos de status. O processo exige um grind considerável de itens específicos.
- Sistema de Invocações: É possível equipar até quatro invocações. Algumas você controla literalmente, movendo os antigos chefões da campanha base pelo mapa para usar seus golpes. Outras, como o devastador Bahamut, funcionam como ultimates cinematográficos engatilhados após um combo da equipe. Jogando online, apenas um jogador controla a invocação enquanto os demais mantêm seus personagens normais.
- Novo Arco de História: Com o retorno do vilão Beelzebub (o antagonista principal de Granblue Fantasy: Versus) trazendo anomalias que estão causando desastres por todo mundo.
O grande tropeço da expansão, no entanto, é o acesso a esse conteúdo. Para iniciar a nova narrativa e liberar as invocações, o jogo exige que você tenha concluído toda a história base, o Episódio 0 e absolutamente todas as missões principais nas dificuldades mais altas (Maníaco e Orgulhoso). Essa barreira de entrada burocrática pode fazer com que jogadores casuais percam o interesse antes mesmo de verem as novidades.

A experiência no Nintendo Switch 2
Jogar Endless Ragnarok no Nintendo Switch 2 ativou uma forte nostalgia da época do PSP. O portátil da Sony era o rei dessa dinâmica de “selecionar a missão no balcão e partir para a caçada” (com jogos de Monster Hunter, Naruto Shipppuden Kizuna Drive e Fairy Tail).
No modo docked, o Switch 2 consegue entregar uma experiência incrivelmente equivalente à proporcionada pelo PlayStation 5, sustentando bem a performance e a qualidade gráfica. Porém, ao alternar para o modo portátil, a queda de resolução é drástica. O comparativo visual chega a ser bizarro, tornando difícil acreditar que o jogo está rodando no mesmo console. Superando esse choque de resolução portátil, a diversão permanece intacta.

Conclusão da análise de Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok
Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok é uma expansão que cumpre o papel de revitalizar o título, trazendo novas mecânicas, missões viciantes e um arco de história inédito. O modo roguelite de investigações, a ascensão de armas e, principalmente, as invocações adicionam um frescor tático muito bem-vindo aos combates.
O maior pecado está no design de progressão, que tranca o melhor conteúdo da expansão atrás de um grind exaustivo de missões antigas. No Nintendo Switch 2, a experiência brilha no modo docked, mesmo que a versão portátil sofra com texturas e resoluções lavadas. Endless Ragnarok prova que não é apenas um caça-níquel, mas uma evolução real que demonstra o enorme potencial que o universo da Cygames ainda tem a explorar nos RPGs de ação.

