Análise: Tales of Berseria Remastered

Anderson Mussulino ·

Seguindo a onda de relançamentos da franquia da Bandai Namco, chegou a vez de Tales of Berseria Remastered. Lançado originalmente há quase uma década, é uma grata surpresa que sua remasterização tenha chegado antes de Tales of Zestiria jogo que se passa 1.000 anos no futuro, mas cujos mistérios estruturais e lendas são profundamente explicados pelos eventos de Berseria.

Independente da ordem cronológica de lançamento, vamos conferir como se saiu a remasterização da trágica e intensa jornada de Velvet Crowe.

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Uma narrativa densa e profunda

Para quem jogou Zestiria, o mundo corrompido pela Malevolência e a figura messiânica do Pastor já são familiares. Mas como era o mundo antes de tudo isso? Berseria responde a essa pergunta. Voltamos no tempo para uma era onde a praga transforma humanos diretamente em demônios visíveis a olho nu.

A protagonista, Velvet Crowe, é consumida pelo ódio e se transforma em um demônio (Therion) com um único objetivo: vingar-se do salvador da humanidade, Artorius. O que poderia ser apenas mais um clichê de vingança adolescente evolui para uma desconstrução fantástica de tropos clássicos de RPG.

A narrativa carrega um peso enorme e não à toa, o jogo original bloqueava o botão Share do console para evitar spoilers. Dois pilares sustentam essa excelência:

  • O Elenco: O grupo de Velvet é a definição de “água e óleo”. São desajustados com objetivos egoístas que acabam se alinhando. O grande destaque cômico e emocional é Magilou, a bruxa caótica que atua simultaneamente como a “troll” e o principal alvo das piadas do grupo, garantindo as melhores interações.
  • Temas Maduros: O jogo subverte a fantasia medieval ao abordar temas pesados e paralelos com o mundo real, como extremismo religioso, manipulação política, sacrifícios utilitaristas e até o tráfico de substâncias.
Tales of Berseria Remastered

O Equilíbrio do Sistema de Almas

O combate continua fiel à raiz Action-RPG da franquia, mas refina os experimentos do jogo anterior. Esqueça a limitação de precisar de um serafim auxiliar; aqui, o grupo opera com quatro lutadores principais e dois na reserva, permitindo trocas dinâmicas no meio da ação.

A mecânica central é o Soul Gauge. Todo personagem possui de 1 a 5 “almas” (começando com 3). Executar combos consome essa barra, enquanto atordoar ou derrotar inimigos rouba as almas deles para você. É um sistema brilhante de risco e recompensa que substitui a clássica barra de MP, impedindo que o jogador apenas aperte botões desenfreadamente).

Ao pressionar o R2, você ativa oLiberação de Almas, uma habilidade única que consome uma alma para estender o combo e desferir efeitos poderosos. Velvet ativa sua garra demoníaca para ataques brutais, enquanto Rokurou, por exemplo, executa parries e contra-ataques.

Fora das batalhas, a temática de pirataria do jogo brilha nas expedições: através do menu, você pode despachar seu navio a cada 30 minutos reais para explorar mares distantes e trazer ingredientes, tesouros e receitas, enquanto continua sua jornada.

A remasterização embute opções de “vantagens” que antes eram vendidas como DLCs, permitindo triplicar a experiência, ganhar bônus de HP e dobrar o dinheiro. É uma adição bem-vinda para quem quer apenas focar na narrativa sem a necessidade de grinding.

Visual, Áudio e Desempenho Técnico

Embora a direção de arte em estilo anime continue charmosíssima, equilibrando cenários litorâneos vibrantes com masmorras melancólicas, tecnicamente o jogo mostra sua idade. O remaster oferece suporte à resolução 4K, o que deixa a imagem cristalina, mas infelizmente não houve nenhum retrabalho significativo nas texturas originais.

Por outro lado, o desempenho e o som salvam o pacote técnico. A sonoplastia foi aprimorada, entregando uma ambiência mais rica (especialmente nos ruídos de criaturas e efeitos de magia). E o mais importante para um Action RPG: o jogo roda em 60 FPS cravados, garantindo que a execução dos combos do Sistema de Almas seja perfeitamente fluida e responsiva.

Conclusão

Tales of Berseria Remastered prova que boas histórias não envelhecem. O título continua sendo um dos capítulos mais maduros, sombrios e bem construídos de toda a franquia. Velvet, Magilou e o restante do bando carregam uma narrativa profunda que subverte expectativas e dá um peso real à jornada.

O Sistema de Almas continua sendo um dos picos mecânicos da série, equilibrando perfeitamente a agressividade do combate de ação com a gestão tática de recursos. Apesar da remasterização não trazer melhorias de textura, a imagem limpa em 4K e a taxa cravada de 60 FPS oferecem o conforto necessário para a geração atual.

No fim, é um retorno extremamente sólido. Uma obra obrigatória tanto para veteranos querendo revisitar o passado de Zestiria quanto para novatos em busca de um JRPG com roteiro excelente e gameplay viciante.

Essa análise de Tales of Berseria Remastered segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

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90 Nota

Tales of Berseria Remastered

Imperdível

Tales of Berseria Remastered prova que sua força sempre esteve na narrativa madura, nos personagens marcantes e no peso emocional da jornada de Velvet, mantendo-se relevante mesmo após quase uma década. Com combate equilibrado pelo sistema de almas, desempenho estável em 60 FPS e melhorias pontuais na apresentação, a remasterização preserva a essência do original e reforça Berseria como um dos capítulos mais sólidos da franquia.

Desenvolvedor Bandai Namco
Publicadora Bandai Namco
Lançamento 27/02/2026
Plataforma jogada Playstation
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora

Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.

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