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Crimson Desert: Os dois erros capitais que impedem o título de atingir a excelência

Apesar da média positiva no Metacritic, o novo épico da Pearl Abyss sofre com problemas graves de ritmo e falta de foco mecânico.

Leonardo Coimbra ·

Após anos de trailers visualmente estonteantes e promessas de uma revolução no gênero de RPG de ação, Crimson Desert finalmente chegou ao mercado. Desenvolvido pela Pearl Abyss, o título carrega o fardo de ser o sucessor espiritual do aclamado Black Desert, mas com uma proposta estritamente focada na experiência single-player. No entanto, o lançamento trouxe um misto de deslumbramento técnico e certa frustração crítica.

No momento, o jogo ostenta uma média de 7.8 no Metacritic, baseada em mais de 80 avaliações da imprensa especializada. Embora uma nota próxima de 8.0 seja considerada positiva para a maioria dos lançamentos, para um projeto que visava o patamar de ‘Jogo do Ano’, ela reflete que o brilho visual não foi suficiente para esconder falhas estruturais. Em nossa análise detalhada de Crimson Desert, exploramos como essa nota representa um jogo competente, mas que falha em entregar a coesão necessária para se tornar um clássico instantâneo. Identificamos o que chamamos de ‘dois erros capitais’ que definem essa distância entre o hype e a realidade.

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Erro 1: Uma narrativa que se perde em um tutorial infinito

O primeiro grande obstáculo de Crimson Desert é a sua gestão de tempo e progressão narrativa. É comum que grandes RPGs de mundo aberto levem algumas horas para ‘engrenar’, mas a obra da Pearl Abyss leva esse conceito ao extremo. O jogador assume o papel de Kliff, um mercenário em meio a um continente em guerra, mas a sensação de urgência é constantemente diluída por uma estrutura de missões que parece nunca abandonar a fase de introdução.

Muitos jogadores e críticos relatam que, mesmo após 20 ou 30 horas de gameplay, o sentimento é de que você ainda está em um tutorial infinito. O jogo apresenta novas mecânicas de forma conta-gotas e as missões principais muitas vezes se assemelham a tarefas burocráticas que não movem a trama adiante de maneira significativa. Como apontamos em nossa análise completa, essa falta de ritmo faz com que o investimento emocional no mundo de Pywel seja prejudicado, transformando o que deveria ser uma jornada épica em um teste de paciência.

“O maior pecado de uma narrativa não é ser simples, mas sim ser estática. Crimson Desert demora tanto para mostrar a que veio que muitos jogadores podem perder o interesse antes mesmo do primeiro grande clímax.”

Erro 2: A armadilha de tentar abraçar o mundo

O segundo erro capital reside na ambição desmedida das mecânicas de jogo. A Pearl Abyss claramente buscou inspiração nos maiores sucessos da última década: temos o sistema de escalada e física de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, o combate visceral que flerta com o gênero Souls e o dinamismo de Black Desert, e até momentos de interação ambiental que lembram Red Dead Redemption 2.

O problema é que, ao tentar abraçar todas essas influências, Crimson Desert acaba se tornando superficial em quase todas elas. O jogo é um amálgama de ideias que muitas vezes não conversam entre si, resultando em uma experiência confusa. Você tem sistemas de alquimia, comércio, gerenciamento de mercenários, combate montado, puzzles ambientais e exploração vertical, mas nenhuma dessas camadas possui a profundidade ou o polimento que os jogos originais em que se inspiraram oferecem.

Essa ‘crise de identidade’ faz com que o jogo não se destaque por uma característica única. Ele faz muito, mas não domina nada com maestria. Em nossa crítica técnica, detalhamos como essa sobrecarga de sistemas acaba gerando menus poluídos e uma curva de aprendizado desnecessariamente árdua, onde o jogador se sente sobrecarregado por opções que, no final das contas, pouco impactam o resultado das batalhas ou a exploração do mundo.

Conclusão: Um diamante que precisa de lapidação

Crimson Desert é, sem dúvida, uma conquista técnica impressionante. O motor gráfico da Pearl Abyss entrega paisagens que estão entre as mais belas desta geração. Entretanto, o jogo serve como um lembrete de que um ‘bom jogo’ não é apenas a soma de suas partes gráficas ou a quantidade de mecânicas que ele consegue empilhar. Sem uma narrativa que flua com naturalidade e sem um foco mecânico claro, o título permanece como uma experiência recomendada com ressalvas.

Para aqueles que buscam apenas um mundo vasto para explorar e um combate visualmente impactante, os erros citados podem ser relevados. Mas para o público que espera a profundidade de um RPG de elite, os problemas de ritmo e a superficialidade dos sistemas são barreiras difíceis de ignorar. Resta saber se atualizações futuras e expansões conseguirão corrigir o rumo dessa jornada e dar a Kliff o destino que ele merece.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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