Análise: Pragmata

Diana será o novo mascote da Capcom: Sim ou com certeza?

Anderson Mussulino ·

Nem parece que já se passaram seis anos desde que Pragmata foi anunciado em um evento do PlayStation. Naquela época, o trailer deixou o público estupefato, com uma atmosfera surreal e sem nexo que até remetia às obras de Hideo Kojima. Embora não fosse um projeto do diretor japonês, a responsabilidade era imensa: tratava-se da primeira IP totalmente original anunciada pela Capcom em quase uma década.

Finalmente, o tão aguardado jogo chegou. Mas será que toda essa espera valeu a pena? É o que veremos nesta análise.

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Seja pai de menina no espaço

O jogo nos leva a um futuro onde a Lua foi colonizada e serve como um polo de pesquisa científica. O grande avanço tecnológico do local são impressoras 3D gigantes, capazes de recriar qualquer coisa usando filamentos de um minério extraído do subterrâneo lunar.

A trama começa quando Hugh Williams e sua equipe de resgate chegam à Lua após a Terra perder o contato com a base espacial. O problema é que a Inteligência Artificial gestora do local os identifica como ameaças. Utilizando “bots” (robôs de combate criados por impressão 3D), a IA elimina toda a tripulação, deixando apenas Hugh como sobrevivente. Logo em seguida, ele encontra Diana, uma “Pragmata”, um tipo avançado de androide capaz de feitos extraordinários.

Como Hugh e Diana estão praticamente sozinhos na base, o roteiro foca intensamente na sobrevivência e na fuga de ambos. A narrativa transborda carisma, especialmente no desenvolvimento da relação paternal que surge entre eles. Diferente de tropos exaustos como Joel, Kratos ou Sam Porter, Hugh não possui bloqueios emocionais. Ele se apega rapidamente à garota, cuidando dela de forma genuína. É, definitivamente, uma história que deixa um quentinho no coração em meio ao caos robótico.

Pragmata

A mistura perfeita de ação e puzzle

Se muitos reclamaram que Resident Evil Requiem reduziu os puzzles em comparação aos seus antecessores, Pragmata parece ter absorvido todos eles para si.

No combate, Hugh conta com um arsenal futurista absurdo: pistolas de energia, escopetas de impacto, lasers, mísseis, campos de força e hologramas. Contudo, força bruta não basta; os inimigos só sofrem dano real se seus pontos fracos estiverem expostos. É aí que a cooperação brilha:

  • Hacking Tático: Diana é essencial para hackear os bots e expor seus exoesqueletos. Ao mirar no inimigo, o jogo projeta uma interface quadriculada, semelhante a um tabuleiro. O jogador deve usar os botões de ação (X, Triângulo, Quadrado, Círculo) para navegar pelas casas até o ponto verde que conclui a invasão.
  • Efeitos de Combate: Durante o percurso desse minigame, passar por zonas específicas aplica efeitos bônus, como causar curtos-circuitos, dominar o inimigo temporariamente, propagar o hack para bots próximos ou diminuir a defesa do alvo. Como o hack expira, a mecânica deve ser renovada constantemente em lutas mais longas.
  • Mobilidade: O traje de Hugh possui propulsores que permitem dashes e planar, habilidades cruciais tanto para a esquiva quanto para a resolução de puzzles ambientais (como alinhar objetos para alcançar plataformas ou hackear painéis no tempo certo).
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Exploração, Abrigo e Backtracking

Pragmata é uma experiência consideravelmente linear, guiada pelo radar de Diana, mas ainda reserva muito espaço para exploração. O avanço ao estilo metroidvania exige backtracking: várias portas e segredos só podem ser acessados após adquirir habilidades mais à frente na campanha.

Os cenários, moldados pelas impressoras 3D, variam de bases espaciais clichês a metrópoles completas, florestas, praias e laboratórios subterrâneos. Entre uma área e outra, o jogador utiliza o Abrigo (uma safezone gourmetizada), que serve também para:

  • Upgrades: Usando colecionáveis e a moeda do jogo, é possível elevar o nível da armadura, das armas, melhorar a potência dos propulsores de Hugh e evoluir as habilidades de Diana.
  • Treinamento VR: Uma cápsula de realidade virtual oferece desafios de tempo e coleta. Cumprir os objetivos secundários (como “terminar em 40 segundos pegando 5 itens”) garante recompensas valiosas.
  • Interação: É possível conversar, presentear e brincar com Diana, aprofundando o vínculo entre os protagonistas.

O único deslize em relação ao design de progressão é o sistema de checkpoints. Eles não recuperam a vida do personagem, forçando o jogador a interromper o ritmo da exploração para fazer viagens constantes de “vai e vem” ao Abrigo para se curar. Além disso, o minigame de hacking pode ser frustrante em corredores muito apertados, exigindo pensamento rápido enquanto se desvia fisicamente dos golpes inimigos na tela principal.

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Gráficos e áudio

Como era de se esperar, a famigerada RE Engine entrega um nível de fotorrealismo absurdo, especialmente nas expressões faciais da dupla principal e nas texturas dos trajes. O design dos inimigos transborda identidade criativa. Os chefões, em particular, são colossais e épicos, com cada encontro exigindo o domínio de uma mecânica de hacking ou combate totalmente inédita.

O áudio acompanha essa excelência. As dublagens estão excepcionais, e a trilha sonora memorável se funde perfeitamente com um design de som ambiente que aprofunda os diversos cenários da estação lunar.

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Conclusão da análise de Pragmata

Pragmata finalmente chegou e entrega uma aventura de ficção científica criativa e de altíssima qualidade. A relação entre Hugh e Diana é o coração pulsante da narrativa, criando um vínculo genuíno que contrasta com o ambiente mecânico e hostil da Lua.

A jogabilidade ousa ao fundir tiroteio frenético com quebra-cabeças táticos em tempo real, exigindo que o jogador pense enquanto atira. Apesar de um sistema de checkpoints punitivo e da ocasional confusão de gerenciar o hack em espaços apertados, a RE Engine brilha com gráficos deslumbrantes e lutas contra chefes memoráveis. O resultado é um título que justifica a longa espera, consolidando-se como uma das IPs mais autênticas e interessantes da Capcom nos últimos anos.

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Essa análise de Pragmata segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

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100 Nota

Pragmata

Obra-Prima

Pragmata entrega uma aventura sci-fi criativa em que Hugh Williams tenta escapar de uma base lunar dominada por robôs ao lado de Diana, uma androide carismática que se torna o coração da narrativa. O gameplay mistura ação e puzzles, já que é preciso hackear inimigos para expor pontos fracos antes de derrotá-los, além de explorar áreas com upgrades e segredos. Visualmente impressiona com a RE Engine, trazendo gráficos detalhados, chefes marcantes e ótima ambientação sonora, fazendo valer a longa espera pelo novo projeto original da Capcom.

Desenvolvedor Capcom
Publicadora Capcom
Lançamento 17/04/2026
Plataformas Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5
Plataforma jogada PS5
Dublado PT-BR Sim
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora

Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.

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