Depois de um Vessel of Hatred que mais pareceu um aperitivo, a Blizzard finalmente entregou o prato principal. Lord of Hatred não é só uma expansão; é o momento em que Diablo IV finalmente para de pedir desculpas pelo seu lançamento e assume o trono. É um encerramento de ciclo emocional, sombrio e, acima de tudo, mecanicamente muito mais inteligente. Mephisto não está aqui para brincar, e a forma como a narrativa escala, trazendo até uma Lilith acuada de volta ao palco, dá ao jogo aquele peso de “evento” que a gente não sentia há tempos.
O Sangue e a Areia de Skovos
Esqueça as florestas úmidas ou os desertos sem fim que já mapeamos centenas de vezes. A ilha de Skovos traz um ar mediterrâneo que, honestamente, Santuário estava precisando. É um lugar bonito, com portos que dão uma falsa sensação de paz antes de você ser atropelado por caranguejos gigantes ou elementais de água. Mas a beleza é só a moldura. O que realmente brilha aqui é como a Blizzard mexeu no “esqueleto” do jogo.
As Árvores de Habilidades foram totalmente limpas. Sabe aquelas passivas chatas que você pegava só para liberar o próximo nó? Sumiram. Agora, a árvore é focada em habilidades ativas. Você sente que cada ponto investido realmente muda o que acontece na tela. Poder colocar até 15 pontos em uma única skill e customizá-la com variantes que antes eram presas a itens lendários (os famosos Aspectos) dá uma liberdade absurda. Você não joga mais com a build que o loot permite; você joga com a build que você planejou.





O Peso do Martelo e o Caos do Bruxo
Se você gosta de novas formas de matar demônios, a adição do Warlock (Bruxo) é o ponto alto. Ele ocupa aquele espaço de “mestre das marionetes” que o Necromante tentava, mas com uma pegada muito mais agressiva. Invocar aberrações infernais enquanto derrete inimigos de longe é satisfatório demais e foi com essa classe que terminei a expansão.
Já o Paladino é o porto seguro para quem gosta de bater e não se mexer. Ele é um tanque visualmente incrível, com armaduras que brilham no meio do caos, mas você vai sentir o peso do metal. Em lutas contra chefes mais ágeis, ele se move como uma tartaruga. Se você não souber usar o “dash” no tempo certo ou gerenciar suas auras sagradas, vai acabar cercado e morto. É uma classe punitiva, mas que recompensa quem gosta de sustentar o dano na cara.





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Sistemas que Respeitam o seu Tempo
O retorno do Cubo Horádrico é o maior acerto para quem odeia depender exclusivamente da sorte. Ele funciona como uma oficina de milagres: você pode transformar itens comuns em Únicos e ajustar seus afixos, o que tira aquele peso de “nunca vou dropar o que preciso”. Junto com o novo sistema de Talismãs — que permite equipar até seis amuletos com bônus acumulativos —, a profundidade do personagem vai para outro nível.
E se você, como eu, já estava cansado de ficar navegando pelo mapa para achar o que fazer no endgame, os Planos de Guerra (War Plans) são uma benção. Você basicamente monta uma lista de reprodução de matança: escolhe as atividades e o jogo te joga de uma para outra automaticamente. É ágil, direto ao ponto e ainda oferece uma árvore de progressão para cada tipo de atividade, permitindo que você mude as regras do jogo (como fazer certos inimigos aparecerem mais ou mudar o tipo de recompensa).



Conclusão da análise de Diablo IV: Lord of Hatred
No PS5, o jogo está voando. Mesmo nas novas arenas do Echoing Hatred, onde a densidade de inimigos chega a ser absurda, não notei quedas de frames que prejudicassem a gameplay. A iluminação de Skovos aproveita muito bem a iluminação, criando contrastes entre o sol brilhante e a corrupção negra de Mephisto que são de cair o queixo.
Sim, o jogo ainda exige um bocado de grind para você conseguir os materiais do Cubo, e o aumento do nível máximo para o 70 significa que você vai passar boas horas refazendo sua build. Mas, pela primeira vez em Diablo IV, esse processo não parece uma tarefa de casa. Lord of Hatred é o fechamento de ouro que transforma o jogo em um dos melhores RPGs de ação dessa geração. É brutal, é denso e, acima de tudo, é extremamente divertido.
