A indústria de hardware iniciou um movimento de retorno à produção de DDR4 e placas-mãe compatíveis para enfrentar a escassez severa e os preços elevados do padrão DDR5. Durante a Computex 2026, fabricantes de módulos e componentes confirmaram que a estratégia visa reduzir o custo de entrada para montagem de novos computadores, que atingiu patamares elevados nos últimos meses.
Escassez de componentes impulsiona volta das memórias DDR4
A decisão de retomar linhas de montagem que já estavam em estágio de fim de vida ocorre após uma queda acentuada nas vendas de hardware global. Segundo relatos colhidos pelo Tom’s Hardware com diversas fontes do setor, algumas marcas de placas-mãe registraram redução de até 37% no volume de vendas este ano. A complexidade de fabricação das memórias DDR5, que exigem circuitos integrados de gerenciamento de energia próprios, criou um gargalo que não existe na arquitetura mais antiga.
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A produção de memórias DDR4 é consideravelmente mais simples e barata por não depender desses componentes específicos. No entanto, a indústria enfrenta limitações técnicas para este relançamento. Chips de alta performance, como os modelos Samsung B-die, não são mais fabricados. Por esse motivo, os novos kits de memória que chegarão ao mercado devem ter velocidades limitadas, geralmente atingindo o máximo de DDR4-3600, focando em estabilidade e custo-benefício em vez de desempenho extremo.
Apoio de AMD e Intel ao padrão anterior
Tanto AMD quanto Intel ajustaram seus cronogramas para suportar essa sobrevida do ecossistema anterior. A AMD apresentou o processador Ryzen 7 5800X3D 10th Anniversary Edition, confirmando que manterá a produção do chip enquanto houver demanda. A empresa também atualizou processos de fabricação para garantir o fornecimento de longo prazo de processadores baseados na arquitetura Zen 3, que utilizam o barramento de memória mais antigo.
A Intel segue caminho semelhante ao manter a disponibilidade das famílias Raptor Lake e Raptor Lake Refresh. Fabricantes de placas-mãe indicaram que estão ampliando a oferta de modelos com soquete LGA 1700 que aceitam módulos DDR4, já que as opções desse tipo haviam se tornado escassas nas lojas. O objetivo é garantir que existam produtos disponíveis para consumidores que não podem arcar com os custos de migração para as tecnologias mais recentes.
Perspectivas para o mercado de hardware até 2027
O cenário de escassez não deve apresentar melhoras significativas no curto prazo. Analistas e fabricantes apontam que a falta de componentes básicos para memórias DRAM e armazenamento NAND deve persistir durante todo o ano de 2027. Um dos principais problemas é a alocação de wafers de silício, que estão sendo priorizados para processadores de centros de dados em razão da alta demanda por infraestrutura de processamento pesado.
Essa mudança de prioridade nas fundições de chips retira capacidade produtiva do mercado doméstico, forçando as marcas a buscarem soluções em tecnologias maduras e de fácil fabricação. O retorno ao padrão DDR4 é visto como uma medida de segurança para manter o mercado de PCs ativo diante de uma crise que se mostra mais longa do que o previsto inicialmente pela indústria.
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