É incrível como o tempo passa rápido. Já se foram seis anos desde o lançamento de Captain Tsubasa: Rise of New Champions, que trouxe a história de Ozora Tsubasa desde os seus primeiros jogos de futebol até o torneio mundial de escolas. Agora, finalmente temos Captain Tsubasa 2: World Fighters, que aborda o início da jornada de Tsubasa no Brasil e o seu árduo caminho rumo ao mundial, abrangendo diversos arcos aclamados da obra. Além de avançar na narrativa, o título também renova completamente o seu gameplay.
Está ansioso para saber o que Captain Tsubasa 2: World Fighters reserva para você? Então continue lendo a nossa análise.
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Modo História com inúmeros arcos do anime
Este é, sem dúvidas, o maior ponto alto para os fãs. O jogo aborda arcos da história que simplesmente ainda não ganharam uma versão na animação mais atual. Além disso, os trechos mais distantes do mangá nunca haviam recebido uma adaptação nem mesmo no anime clássico. Dessa forma, esta é a primeira vez que presenciamos essas histórias fora das páginas do mangá, e com dublagem completa!
O formato narrativo segue o estilo do jogo anterior, com os personagens aparecendo na tela e conversando entre si no estilo visual novel, o que pode ser meio monótono para alguns. Porém, os dubladores japoneses são os mesmos da animação, o que já traz uma empolgação a mais. Infelizmente, o jogo não possui legendas em PT-BR, o que pode afastar alguns fãs que não se sentem à vontade para acompanhar os longos diálogos em inglês.
Apesar da estética mais estática nas conversas, há momentos em que somos presenteados com cutscenes cinematográficas incríveis de embates entre os times, como é o caso da final do torneio colegial, onde Kojiro Hyuga tem um duelo épico contra Taro Misaki.
Outra adição interessante é a participação do seu personagem customizado (criado no começo do jogo), em uma tentativa de inserir o jogador diretamente na trama. É engraçado notar que dificilmente o seu avatar vai de fato brilhar nas partidas ou ter um peso ativo nas decisões da história. Para compensar, o jogo traz várias missões secundárias (side missions) em cada capítulo, que funcionam como cenários hipotéticos de “e se?”, permitindo enfrentar equipes que nunca se cruzaram na obra original.

Novidades e um gameplay mais técnico
O gameplay recebeu mudanças consideráveis, tornando a jogabilidade muito mais cadenciada e técnica. É como se tivessem fundido o antecessor com as versões mais atuais de Inazuma Eleven, criando uma mescla quase perfeita entre os dois títulos. Porém, nem tudo são flores: é possível sentir que a movimentação já não é tão livre como antes.
Os comandos base funcionam da seguinte forma:
- X: Passe.
- Quadrado: Chute ao gol.
- Círculo (O): Avançar (serve para dar carrinho e correr mais rápido na marcação).
- Triângulo: Roubar a bola e driblar.
- R1: Correr e driblar os oponentes.
- R2: Movimentos especiais (como um passe com curva ou um superchute para marcar o gol).
Há nuances vitais para que o fluxo do jogo funcione. Por exemplo: se um oponente vier com uma investida corporal especial para roubar a bola, é impossível realizar um passe seguro. Isso exige que o jogador fuja ou use uma habilidade de esquiva no R2 (caso o personagem possua). Quando alguém tenta desarmá-lo, você precisa se virar na direção do adversário e apertar Triângulo ou Círculo para confrontá-lo e seguir seu rumo. Isso pode ser problemático, pois ataques vindos por trás ou pelas laterais acabam mudando a sua direção bruscamente.
A mecânica de marcar gols continua atrelada ao “HP” do goleiro. Toda vez que ele defende, gasta parte de sua barra de energia, cujo consumo depende da potência do seu chute (influenciada pelo tempo de carregamento, distância do gol e direção da mira). Chutar mal consome pouca energia do goleiro, mas um tiro perfeito dizima a barra e garante o gol.
Tirando as limitações de movimentação defensiva, o gameplay é muito bem estruturado e divertido, simulando perfeitamente os embates absurdos do anime. Um grande acerto desta versão é que todos os jogadores em campo possuem habilidades especiais, algo que no primeiro título era um luxo exclusivo dos atacantes.

Multiplayer caótico e viciante
Além do modo história, o grande atrativo de Captain Tsubasa 2: World Fighters é o modo Versus, que permite jogar offline, online (casual) e em partidas ranqueadas com pessoas do mundo todo.
A campanha pode ser frustrante às vezes devido às suas condições exageradas (como a exigência de vencer uma partida em que o oponente já começa com quatro gols de vantagem, ou obrigar que todos os chutes de um atacante específico resultem em gol). O modo Versus, por outro lado, é o puro suco do caos. A quantidade de roubos de bola em sequência torna as partidas multiplayer frenéticas, imprevisíveis e extremamente divertidas. Vale lembrar que os times para o modo Versus são liberados gradativamente conforme você avança na história e nas missões secundárias.

Gráficos e áudio
Eu estaria mentindo se falasse que Captain Tsubasa 2: World Fighters evoluiu de maneira absurda visualmente, pois não foi o que aconteceu. Em vez de um salto gráfico revolucionário, temos um polimento: a resolução está bem superior e, claro, o jogo agora roda a cravados 60 FPS (um avanço considerável levando em conta que o anterior era focado no PS4, Xbox One e Switch). Um detalhe visual divertido são os efeitos de destruição no campo: alguns superchutes são tão poderosos que deixam crateras e marcas de queimado no gramado.
No áudio, o título brilha. O mais impressionante foi o trabalho da equipe em reunir todos os dubladores originais do anime e ainda escalar um elenco de peso para os personagens inéditos. Isso nos dá um vislumbre empolgante de quem possivelmente dará voz a esses atletas caso o anime receba uma nova temporada no futuro.

Conclusão da análise de Captain Tsubasa 2: World Fighters
Captain Tsubasa 2: World Fighters é uma sequência que respeita o legado da obra de Yoichi Takahashi. Ao mergulhar em arcos inéditos na animação, o jogo entrega um verdadeiro presente (e muito fan service) para os fãs de longa data, mesmo esbarrando na ausência de legendas em português. O novo gameplay cadenciado exige mais estratégia e domínio das mecânicas, elevando o nível das partidas em um multiplayer extremamente caótico e viciante.
Embora o salto gráfico não seja gigantesco e algumas missões da campanha testem a paciência do jogador com exigências irreais, a fluidez dos 60 FPS, as mecânicas aprimoradas e o excelente trabalho de dublagem fazem desta sequência a experiência definitiva de futebol de anime nos videogames.

