A franquia A Plague Tale se consagrou com a história de Amicia buscando proteger e salvar o seu irmão mais novo, Hugo, de uma estranha doença intimamente ligada à praga que está devastando toda uma civilização. Durante a jornada do segundo jogo, eles encontram Sophia, uma figura de extrema importância para o desenrolar da trama, já que serve como mentora aos irmãos e cria um forte laço fraterno com Amicia, além de deixar o indício de que seria uma peça-chave em uma futura sequência.
Dito isso, o Asobo Studio, junto da Focus Entertainment, trouxe Resonance: A Plague Tale Legacy, um prequel ambientado 15 anos no passado que conta a história de Sophia muito antes de ela se tornar uma capitã de navio pirata. Quer saber como o jogo ficou após mudarem totalmente o foco narrativo para explorar esse passado? Vamos conferir agora mesmo.
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A ilha misteriosa e o minotauro
Começamos a história com Sophia ainda garotinha, tendo visões sobre um castelo pertencente a um rei e a um guerreiro que se aventurava em uma espécie de torneio para conquistar o direito ao trono. Durante esse desafio, uma figura monstruosa, metade homem e metade touro, surge como o obstáculo final para a coroa. Seguindo os sonhos da filha, o pai de Sophia e seu grupo encontram uma ilha misteriosa e se aventuram por lá em busca de respostas, o que acaba resultando em uma tragédia.
O tempo passa, Sophia cresce e mais excursões ocorrem em direção à ilha, porém todas sem sucesso. Agora, como uma guerreira formidável, ela vai auxiliar em uma missão para conseguir a chave capaz de destravar as portas do local. Contudo, a empreitada falha devido a uma misteriosa traição. Isso faz com que a protagonista parta apenas com uma amiga para a ilha misteriosa, onde terá que confrontar seus antigos aliados (que agora creem que ela seja a traidora), os soldados do reino e, também, uma força sobrenatural.
A história de Resonance: A Plague Tale Legacy é muito envolvente, principalmente graças à própria Sophia. Ela é uma protagonista espetacular que, apesar de ser bastante forte e talentosa, se mostra profundamente humana ao sentir medo dos inimigos irreais que surgem e ao lidar com os vários traumas que precisa confrontar no decorrer da jornada. O elenco de apoio também é ótimo, mesmo que tenhamos de fato apenas cinco nomes marcantes movimentando a trama.
Outra coisa que chama muita atenção é a releitura da mitologia do Minotauro, uma vez que a ilha em questão é Creta e a história do passado se passa no Palácio de Cnossos, onde o Rei Minos organiza o torneio para definir o seu herdeiro. Nessa faceta da história, temos o lendário herói Teseu servindo como uma forma de orientação para que Sophia consiga encontrar os segredos que estão espalhados pelos cenários.

Esqueça as pedras, agora é espadada
Enquanto na série principal precisávamos ser mais furtivos ou sofrer pesadamente no combate direto para manter Amicia viva, em Resonance: A Plague Tale Legacy temos uma situação totalmente diferente. Sophia é realmente forte, fazendo com que os inimigos se sintam em desvantagem diante dela. Aqui é possível atacar com a espada, aparar (parry), esquivar, usar um gancho para puxar os inimigos e contra-atacar. Essas mecânicas tornam a tarefa de eliminar um grupo de oponentes muito mais dinâmica e agressiva.
Mesmo assim, é importante se atentar aos indicadores de combate: a luz vermelha sinaliza que é impossível se proteger do ataque, enquanto a luz amarela aponta a janela perfeita para aparar e levar vantagem contra a resistência do oponente. Falando nisso, todos os inimigos possuem uma barra de estamina, que representa o quanto eles conseguem se defender; no exato momento em que ela acaba, eles ficam totalmente abertos para execuções.
Para balancear, Sophia é consideravelmente frágil. Ela possui apenas três barras de vida que se esvaziam a cada dano recebido. A ressalva é que ela recupera saúde sempre que um inimigo é morto, incentivando o confronto direto. Além disso, no decorrer do jogo é possível conseguir acessórios que trazem bônus passivos para deixá-la mais forte. O título também conta com um sistema de evolução guiado por pontos de ressonância (adquiridos no cenário ou após certos combates). Investir esses pontos libera novas habilidades, como uma segunda esquiva sequencial ou um chute perfeito para empurrar inimigos e quebrar defesas de escudo.
Além do combate, o jogo é contemplado com inúmeros puzzles que usam a luz como principal guia. Há, inclusive, uma criatura implacável que ataca Sophia nas áreas escuras, fazendo com que a luz seja a sua única aliada. Nesses momentos, somos jogados em situações que exigem uma abordagem puramente sorrateira para passar despercebidos. Talvez esse seja um dos poucos problemas do gameplay, pois essas partes de furtividade duram bastante tempo e o senso de perigo constante faz com que o jogador frequentemente pense: “Ah, de novo não!”.

Gráficos e áudio
Resonance: A Plague Tale Legacy é agraciado com cenários tão deslumbrantes que muitas vezes a gente para e fica apenas admirando a complexidade e os detalhes visuais de Creta. Os modelos dos personagens também roubam a cena: eles possuem uma construção minuciosa, com linhas faciais que potencializam as expressões e tornam tudo muito mais crível. Quando Sophia é criança, podemos até questionar um pouco o refinamento gráfico, mas após o salto temporal a real qualidade visual salta aos olhos, seja pela ótima atuação dos dubladores ou pela captura de movimentos.
A trilha sonora é simplesmente espetacular, trazendo composições envolventes, viciantes e marcantes que combinam perfeitamente com a atmosfera do jogo. O design de som ambiente também é formidável, fazendo com que várias vezes a gente sinta a respiração da criatura como se fôssemos a própria personagem. Vale ressaltar que a dublagem em inglês está irretocável, passando toda a emoção e o peso necessários em cada linha de diálogo.



Conclusão de Resonance: A Plague Tale Legacy
Em Resonance: A Plague Tale Legacy, acompanhamos Sophia 15 anos antes dos acontecimentos da franquia principal, explorando uma misteriosa ilha ligada à mitologia do Minotauro e ao Palácio de Cnossos. A protagonista é um dos grandes pilares da narrativa, mostrando força, mas também expondo seus medos e traumas. Diferente dos jogos anteriores, o foco aqui está em um combate robusto com espada, esquivas, aparadas, contra-ataques e um sistema de evolução que permite desbloquear novas habilidades e bônus passivos.
Os puzzles continuam presentes, principalmente os que envolvem luz e exploração, embora os longos trechos de furtividade obrigatória contra uma criatura sobrenatural possam cansar ao quebrar o ritmo da ação. Visualmente, o jogo impressiona com cenários detalhados, personagens bem construídos e uma ótima captura de expressões, enquanto a trilha sonora, a ambientação e a dublagem completam uma experiência rica e bastante envolvente.

