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Preview: Gears of War: E-Day

Primeiras impressões são bem positivas para os fãs da velha guarda

Leonardo Coimbra ·

Graças a um acesso antecipado concedido pela Microsoft, tivemos a oportunidade de conferir em primeira mão um trecho de Gears of War: E-Day, novo capítulo da franquia que funciona como um retorno às suas origens. Nossa experiência ficou concentrada no segundo capítulo da campanha, acompanhado de um pequeno treinamento inicial responsável por apresentar algumas das mecânicas básicas.

É importante deixar claro que estamos falando de uma experiência bastante limitada. Tivemos acesso a apenas um capítulo e, portanto, ainda não é possível avaliar a campanha como um todo, a evolução das mecânicas ou todas as novidades preparadas pela The Coalition. Da mesma forma, não vou entrar profundamente em questões técnicas de polimento, já que estamos diante de uma versão ainda em desenvolvimento.

Ainda assim, foi possível ter uma boa ideia de como Gears of War: E-Day está se comportando. No PC equipado com um Ryzen 7 5800X, 32 GB de RAM DDR4 e uma RTX 4070 Super, consegui jogar em 1440p, na qualidade Ultra, mantendo uma média próxima dos 60 FPS, com algumas quedas pontuais. O DLSS estava ativado, mas sem geração de quadros. Também encontrei alguns bugs durante a experiência, algo esperado considerando o estágio atual do projeto.

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Visualmente, porém, a primeira impressão é bastante positiva, assim como a otimização. Ainda existe espaço para melhorias até o lançamento, mas Gears of War: E-Day já demonstra um nível técnico bastante interessante.

Gears of War: E-Day preview

Gears of War: E-Day – antes da história que conhecemos

Como o próprio nome indica, Gears of War: E-Day se passa antes do primeiro jogo, justamente durante o início do chamado Emergence Day. No segundo capítulo, Marcus Fenix chega a uma base dos Gears, recebe uma missão e precisa formar sua equipe para tentar salvar a cidade.

O grande diferencial narrativo está justamente no fato de que ninguém entende completamente o que está acontecendo.

Diferentemente dos outros jogos, aqui os Gears ainda não conhecem os Locust. Eles não sabem exatamente o que são aquelas criaturas que estão surgindo do subterrâneo e, em alguns momentos, até mesmo os superiores parecem estar tentando entender a situação.

Isso cria uma ambientação de guerra bastante interessante. A cidade estava funcionando normalmente até pouco tempo atrás e, de repente, virou um campo de batalha. Há carros nas ruas, estabelecimentos comerciais e locais que ainda parecem fazer parte de uma rotina normal, mas tudo está sendo tomado pelo caos.

É um contraste interessante porque reforça a sensação de que aquele é apenas o começo da tragédia. As pessoas ainda acreditam que tudo será resolvido rapidamente, sem imaginar o que está por vir.

As cenas que pude acompanhar também impressionaram positivamente, tanto pela qualidade visual quanto pela atuação dos personagens e pela dublagem. Ainda é cedo para avaliar a narrativa como um todo, especialmente porque não tivemos acesso ao primeiro capítulo, mas a apresentação inicial é bastante promissora.

Gears ainda é Gears, e isso é bom!

Se existe algo que Gears of War: E-Day deixa claro rapidamente, é que Gears of War continua sendo Gears of War.

A estrutura fundamental permanece intacta: continuamos diante de um cover shooter baseado em posicionamento, movimentação entre coberturas, gerenciamento de armas e combates extremamente violentos. Temos duas armas principais, uma secundária, granadas e todos aqueles elementos que os fãs da franquia já conhecem, incluindo as execuções e a famosa Lancer com sua serra.

E, pessoalmente, isso não é um problema. Gears é uma das minhas franquias favoritas da Microsoft e considero que sua identidade continua funcionando muito bem.

Uma das mudanças que mais percebi está na movimentação de Marcus. Os personagens da série sempre foram pesados, mas aqui tive a impressão de que esse aspecto foi levado ainda mais longe. Marcus parece mais “tanque”, com uma movimentação pesada que me lembrou um pouco o que DOOM: The Dark Ages fez com seu protagonista.

O interessante é que esse peso não compromete a agilidade. A movimentação entre coberturas está bastante refinada, e o jogador continua podendo reagir rapidamente aos inimigos.

Os Locust também parecem explorar melhor o ambiente. Eles podem utilizar coberturas laterais e se movimentar por diferentes pontos do cenário. Isso torna o combate mais dinâmico e impede que o jogador simplesmente fique parado atrás de uma parede durante todo o confronto.

A inteligência artificial também me pareceu bastante agressiva. Em alguns momentos fui derrubado e precisei ser reanimado por um companheiro, enquanto os inimigos pressionavam constantemente minha posição. Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas, mas essa primeira impressão foi bastante positiva.

Pequenas novidades em uma fórmula conhecida

Quando procuramos pelas grandes novidades, entretanto, Gears of War: E-Day ainda não mostrou muita coisa.

A primeira delas está relacionada às caixas de recursos espalhadas pelos mapas, que permitem trocar armas e aplicar modificações ao arsenal. Encontrei efeitos como recuperação, recarregamento automático e possibilidades de executar determinados inimigos.

São elementos que parecem complementar o combate sem transformá-lo completamente, mas tive acesso a poucas modificações e não consegui testá-las o suficiente para formar uma opinião.

Também existe uma espécie de habilidade especial que pode ser escolhida ao final da experiência. Uma das opções permite recuperar vida, aumentar a resistência e causar muito dano por alguns segundos, enquanto outra funciona como um efeito de área capaz de afetar os inimigos.

O problema é que a demonstração termina praticamente no momento em que essas habilidades são apresentadas. Portanto, ainda não consigo dizer o quanto elas realmente vão mudar o gameplay.

Entre o Gears clássico e Gears 5

O segundo capítulo de Gears of War: E-Day também mistura duas abordagens diferentes da franquia.

A primeira parte é essencialmente o Gears clássico: estrutura linear, objetivos bem definidos, avanço por diferentes áreas e combates sucessivos contra inimigos cada vez mais perigosos. Temos inclusive inimigos maiores e confrontos que exigem bastante movimentação.

Já a segunda parte se aproxima mais de Gears 5, com uma área maior dentro da cidade que permite explorar diferentes caminhos, encontrar itens e realizar algumas atividades secundárias.

É uma combinação interessante entre o Gears tradicional e os elementos de exploração introduzidos posteriormente na série. Resta descobrir, porém, qual será a importância dessa estrutura no jogo completo.

Uma cidade antes do fim do mundo

Visualmente, Gears of War: E-Day é um dos grandes destaques deste primeiro contato.

A utilização da Unreal Engine 5 resulta em um jogo impressionante, principalmente pela iluminação, pelas texturas, pelos personagens e pela quantidade de detalhes. As armaduras possuem marcas, arranhões e sinais de desgaste que ajudam a transmitir a sensação de que aqueles personagens realmente estão no meio de uma guerra.

Mas o aspecto que mais me chamou atenção foi a própria construção da cidade. Em Gears of War: E-Day não estamos vendo um cenário que já foi destruído há anos. Estamos acompanhando o momento em que uma cidade que funcionava normalmente começa a desmoronar.

Carros ainda estão espalhados pelas ruas, estabelecimentos fazem parte do cenário e existe toda uma estrutura urbana que contrasta com a invasão. É justamente essa proximidade entre uma rotina normal e o início de uma catástrofe que torna a ambientação tão interessante.

E isso também influencia o gameplay. Os inúmeros elementos presentes nos cenários oferecem diferentes possibilidades de cobertura e movimentação, fazendo com que a cidade funcione ao mesmo tempo como cenário narrativo e arena de combate.

Mais Gears, mas com espaço para novidades

Depois desse primeiro contato, minha impressão sobre Gears of War: E-Day é extremamente positiva, mas existe uma ressalva importante.

Se você está esperando mais Gears, E-Day parece estar exatamente no caminho certo. O combate está lá, o sistema de cobertura está lá, a violência está lá, os inimigos estão lá e a movimentação parece ainda mais refinada. Além disso, existe algo interessante em acompanhar a origem de elementos que se tornaram símbolos da franquia e ver os personagens descobrindo os Locust ao mesmo tempo que nós.

Por outro lado, se a expectativa é por uma grande renovação da fórmula, pelo menos nesse primeiro contato eu não encontrei isso.

As armas continuam familiares, os inimigos seguem uma estrutura conhecida e o sistema de cobertura continua sendo a base do combate. As novas habilidades e modificações podem mudar essa percepção quando tivermos acesso a uma parcela maior da campanha, mas ainda não consegui testá-las o suficiente.

Gears of War: E-Day, portanto, parece muito mais interessado em aprimorar aquilo que Gears já faz bem do que reinventar a franquia.

E isso não necessariamente é algo ruim. Existe uma diferença entre simplesmente repetir uma fórmula e executá-la com qualidade. Gears estabeleceu uma identidade muito própria, e E-Day parece apostar justamente em levar essa identidade ao limite, com mais refinamento e uma apresentação visual de alto nível.

Por enquanto, é aquele velho arroz com feijão, mas preparado com bastante cuidado.

Ainda precisamos conhecer muito mais da campanha, testar adequadamente as novas habilidades e descobrir como os elementos de exploração serão utilizados no jogo completo. Mas, considerando exclusivamente esse primeiro contato, Gears of War: E-Day já deixou uma impressão bastante positiva.

Ele talvez não esteja tentando reinventar Gears, mas está mostrando que ainda sabe muito bem por que essa fórmula funciona.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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