Análise: The Blood of Dawnwalker

Seja dia ou seja noite, você vai colocar um fim no reinado de um vampiro.

Anderson Mussulino ·

The Witcher 3: Wild Hunt foi um marco na indústria dos jogos desde o momento do seu lançamento. Tivemos ali um RPG que inovou a temática de jogos ocidentais, obrigando os desenvolvedores da época a se preocuparem muito mais com a profundidade narrativa das missões secundárias e com a expansão do mapa, provando que um mundo aberto não deve ser apenas um espaço vazio para longas caminhadas. O universo de The Witcher 3 é, acima de tudo, vivo.

Apesar do sucesso colossal, o diretor e muitos dos desenvolvedores deixaram a CD Projekt RED para fundar o próprio estúdio, batizado de Rebel Wolves. Assim, iniciaram o desenvolvimento de um ambicioso RPG de mundo aberto AAA chamado The Blood of Dawnwalker. O novo título busca resgatar a experiência adquirida pela equipe, mas a transporta para um universo completamente inédito onde criaturas sombrias, conhecidas como vrakhiri, governam a humanidade com uma falsa benevolência. Quer saber mais sobre esse promissor RPG? Continue lendo a nossa análise.

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Uma era sombria e brutal

Jogamos na pele de Coen, o filho mais velho de uma família numerosa. Ele sofre com pesadelos constantes nos quais se transforma em um vrakhiri, o que o deixa aterrorizado. O medo se agrava pelo estado psicológico frágil de sua mãe, fruto da vida no vilarejo dominado pelo vampiro Brencis. No passado, esse ser obscuro trouxe a “salvação” da Peste Negra para o povoado, curando a todos com gotas de seu próprio sangue. No entanto, o preço foi alto: agora, todos os humanos são tratados como rebanho e precisam cumprir as ordens da criatura para sobreviverem.

O conflito principal se instaura quando Brencis nota que a mãe de Coen não está se alimentando direito, prejudicando severamente a qualidade de seu sangue. O pior acaba acontecendo, acendendo a chama de uma revolução contra os vrakhiris. Tudo dá errado e Coen acaba se transformando em um deles, mas com um detalhe crucial: ele não queima no sol e retorna à forma humana durante o dia. A partir daí, o protagonista tem apenas trinta dias para salvar a sua família e deter Brencis, enfrentando inúmeros dilemas até ter força suficiente para o embate final.

A história é, sem dúvidas, o ponto mais alto da obra. Brencis, Coen e coadjuvantes como a herbalista Anca são fundamentais para prender a atenção do jogador. As missões secundárias possuem ótima profundidade, algo cada vez mais raro na indústria. Contudo, se você espera algo exatamente no mesmo nível estratosférico de The Witcher 3, pode tirar o Carpeado do telhado: o roteiro não alcança o mesmo brilho excepcional, ainda que as histórias sejam genuinamente boas. O maior problema narrativo é a lentidão do início, embora esse ritmo cadenciado seja necessário para estabelecer o rico contexto do universo.

Dia e noite

O maior diferencial de The Blood of Dawnwalker está no sistema de passagem de tempo, que possui um peso enorme tanto para a trama quanto para a jogabilidade. Durante o dia, controlamos Coen em sua forma humana, valendo-se dos poderes oriundos de seu pacto de bruxo de sangue; já à noite, assumimos o controle de sua faceta vrakhiri. Primeiramente, é preciso destacar que a build do personagem muda por completo entre os períodos. De dia, Coen utiliza armaduras leves; de noite, veste armaduras pesadas. Ter equipamentos otimizados para ambos os turnos se mostra simplesmente essencial.

As habilidades também mudam drasticamente. Como bruxo, o protagonista corre em alta velocidade, percorrendo distâncias enormes em pouco tempo; como vrakhiri, ele ganha o dom de se teletransportar, mas só consegue recuperar vida bebendo o sangue de pessoas ou animais.

Muitas missões e eventos só ficam disponíveis em turnos específicos devido a essa dualidade, exigindo uma gestão de tempo rigorosa do jogador. O jogo apresenta um relógio baseado em “pontos de ação” que indica o tempo restante para o amanhecer ou o anoitecer. Suas ações consomem esses pontos gradativamente: uma missão principal pode custar três pontos, uma secundária exige dois, viajar para uma área distante consome mais um, e assim por diante.

O que prejudica um pouco a fluidez dessa experiência é a impossibilidade de usar a viagem rápida livremente pelo mapa. É sempre necessário caminhar até uma espécie de santuário para se teletransportar sem sofrer penalidades de tempo. Além disso, o custo de algumas ações é muito desbalanceado: Coen gastar três pontos preciosos da noite apenas para destruir simples barris de sangue não condiz em nada com a urgência narrativa.

Combate interessante, mas sem polimento

O combate possui conceitos promissores, mas, infelizmente, a execução deixa a desejar. À primeira vista, pode parecer relativamente simples: você ataca com o R1 e defende com o L1. No entanto, é necessário direcionar o seu ataque e a sua guarda utilizando o analógico esquerdo (L3), uma mecânica tática bastante similar ao que vemos no jogo For Honor.

Junto a isso, o botão Círculo é responsável pela esquiva, enquanto as setas direcionais acionam itens equipados ou habilidades. O Quadrado serve para embainhar a espada e lutar com os punhos (ou com garras, durante a noite), e o X alterna a função das setas entre os menus rápidos de itens e de magias.

O grande problema é que o posicionamento de alguns comandos é extremamente desconfortável. O uso das setas direcionais para itens conflita diretamente com a necessidade de usar o analógico esquerdo o tempo todo para gerenciar a postura de defesa. Não é raro o jogador sofrer golpes gratuitos ao soltar o analógico para tentar usar uma poção.

O sistema também colapsa quando enfrentamos grandes grupos de inimigos simultaneamente. Lidar com investidas vindo de todas as direções nesse esquema de postura sufoca a ação, não deixando janelas seguras para a ativação de habilidades. Se a frustração no combate direto é alta, a abordagem furtiva consegue ser ainda pior.

O jogo não apresenta mecânicas furtivas bem desenvolvidas. O máximo que você consegue fazer é capturar um inimigo sorrateiramente para drenar o seu sangue, mas a animação quase sempre alerta todos os adversários próximos, forçando um embate indesejado.

Gráficos e Áudio

The Blood of Dawnwalker possui gráficos consideravelmente bonitos, destacando-se na construção de cenários de tirar o fôlego. Contudo, a imersão esbarra em diversos probleminhas técnicos, como texturas de gramados sumindo parcialmente enquanto Coen caminha por eles. A iluminação também peca em vários momentos, entregando ambientes internos escuros demais ou sombras muito rígidas de forma pouco natural.

Outro fator que deixa a desejar é o polimento das animações. A movimentação dos personagens ainda é bastante robótica, lembrando facilmente o padrão engessado do próprio The Witcher 3, lançado no início da geração passada.

Na parte sonora, o saldo é muito mais positivo. A sonoplastia brilha nos efeitos aplicados às habilidades do protagonista, a dublagem é impecável e a trilha sonora, que entra em ação em momentos pontuais, entrega uma experiência excelente ao lado do áudio ambiente muito bem construído.

Conclusão da análise de The Blood of Dawnwalker

The Blood of Dawnwalker é uma estreia corajosa e ambiciosa da Rebel Wolves. O jogo acerta em cheio ao entregar um universo inédito e sombrio, sustentado por uma narrativa envolvente, personagens carismáticos e um conceito de ciclo de dia e noite que afeta diretamente o fluxo da exploração e as builds do jogador. A atmosfera pesada e as missões secundárias robustas honram o legado deixado pelo antigo trabalho desenvolvido pela equipe.

No entanto, as ambições do estúdio acabam esbarrando em limitações técnicas e mecânicas. O sistema de combate com comandos conflitantes, a furtividade praticamente inexistente e a movimentação robótica dos personagens geram momentos de frustração que impedem o título de alcançar o patamar de excelência de suas principais inspirações. Ainda assim, para os jogadores carentes da densidade dos RPGs ocidentais e fascinados por contos brutais sobre vampiros, a jornada de Coen possui qualidades mais do que suficientes para justificar o tempo investido.

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75 Nota

The Blood of Dawnwalker

Bom
Desenvolvedor Rebel Wolves
Publicadora Bandai Namco Entertainment
Lançamento 03/09/2026
Plataformas Xbox Series X|S, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5
Plataforma jogada PS5
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Comprada

Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.

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