Análise: Onimusha: Way of the Sword

Um dos melhores jogos de samurai chegou!

Anderson Mussulino ·

É insano imaginar que já faz 20 anos que Onimusha não recebia nenhum título inédito. Isso quer dizer que, desde a era do PlayStation 2, não víamos absolutamente nada novo na franquia, restando apenas os remasters lançados nos últimos anos. Agora, em 2026, finalmente esse cenário mudou com a chegada de Onimusha: Way of the Sword, que promove uma renovação completa na série. Mas será que este novo título consegue honrar de fato o legado que a franquia construiu no passado? Vamos conferir nesta análise.

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O poder de um Oni

Em Onimusha: Way of the Sword, seguimos a história de Miyamoto Musashi, historicamente reconhecido como o samurai mais forte que já existiu. Da mesma forma que na história real, aqui Musashi busca desafios contra espadachins de renome para derrotá-los e provar a sua superioridade em manejar uma katana. Quando a trama começa, ele está duelando contra o diretor de uma escola prestigiada e o derrota. Para evitar que a humilhação do mestre venha a público, os alunos tentam dar fim a Musashi.

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O protagonista consegue escapar, mas sua fuga o leva diretamente ao encontro de criaturas chamadas Genma, demônios nascidos da escuridão do coração humano. Apesar de todo o seu poder, Musashi é derrotado pelas forças sobrenaturais e acaba morto. No caminho para o Yomotsu Hirasaka, o penhasco que conduz as almas para o mundo dos mortos, ele é interceptado por um misterioso homem de trajes brancos que impede sua travessia e o obriga a colocar um bracelete dotado do poder Oni. Inicialmente relutante, Musashi tem o artefato inserido à força, retornando ao mundo dos vivos.

A partir daí, ele assume o fardo de entender o que se tornou, descobrir como remover o bracelete e cumprir sua nova missão como um verdadeiro Onimusha. A narrativa é muito bem estruturada, repleta de personagens cativantes e marcantes, contando inclusive com um vilão principal de carisma amedrontador pela forma fria com que executa suas maldades.

Onimusha: Way of the Sword

Uma jogabilidade diferente de tudo

Afinal, em termos de gameplay, o que seria Onimusha: Way of the Sword? O jogo mantém a essência conceitual iniciada no primeiro título da franquia, mas carrega inúmeras inovações próprias, incorporando mecânicas herdadas do estilo soulslike sem, contudo, transformar-se em um expoente do gênero.

O combate puxa bastante para um beat ‘em up técnico, exigindo alta precisão e cadência. Não se trata de esmagar botões: é preciso saber o momento exato de defender, executar um parry ou esquivar, obrigando o jogador a adotar uma postura tática, especialmente na dificuldade normal. Como a jogabilidade pode ser complexa para os menos habituados, o jogo oferece uma opção acessível que indica visualmente o melhor comando para lidar com os ataques específicos dos chefes, facilitando o aprendizado do moveset inimigo.

Em termos de comandos (considerando o layout defensivo padrão), o Quadrado desfere ataques segurando a katana com uma mão, o Triângulo utiliza as duas mãos para golpes mais pesados, o Círculo realiza a esquiva, R1 aciona a arma secundária, L1 serve para a defesa e L2 suga as almas dos inimigos abatidos, enquanto R2 dispara com o arco. Vale lembrar que o jogo permite alternar completamente o esquema de comandos dependendo da preferência por um estilo mais defensivo ou agressivo.

O grande diferencial do título reside nas variadas formas de neutralizar os ataques adversários: além da esquiva e do bloqueio tradicional, temos o clássico issen (atacar milimetricamente no momento do impacto inimigo para desferir um counter letal) e a combinação de L1 + X, que defende e desvia a trajetória do golpe, deixando o oponente vulnerável.

As lutas contra chefes são intensas. Os principais oponentes contam com duas barras de vida, exigindo atenção redobrada desde o primeiro instante. Isso pode ser algo complicado para alguns jogadores mais casuais ou que simplesmente não gostam de quase todo chefe ter duas barras de vida, o que é uma reclamação muito válida da comunidade.

Em determinados momentos, ocorrem disputas de força em que é necessário esmagar o botão de ataque para vencer; em outras situações, ocorrem trocas simultâneas de golpes, iniciando um duelo técnico onde o jogador precisa movimentar o analógico e alternar entre pegadas de uma e duas mãos para decidir o vencedor.

Exploração e evolução

O mundo de Onimusha: Way of the Sword divide-se entre cenários fechados e atmosféricos (como templos ancestrais e laboratórios secretos) e áreas de mundo aberto pontuadas por missões e colecionáveis. Embora o mapa aberto não seja gigantesco, ele possui o tamanho ideal para abrigar missões secundárias gratificantes e segredos bem distribuídos, como baús e materiais raros.

Esses materiais são vitais para aprimorar os trajes, a katana e o bracelete, tornando Musashi progressivamente mais forte e resistente. Há também acessórios passivos que concedem vantagens, como aumento na eficácia da cura ou aceleração do medidor de golpes especiais (função exclusiva das armas secundárias). Itens específicos também são necessários para desbloquear e evoluir as habilidades do protagonista, recompensando generosamente a exploração minuciosa tanto nos cenários lineares quanto nas zonas abertas.

Gráficos e áudio

Visualmente, Onimusha: Way of the Sword brilha intensamente graças ao uso magistral da RE Engine, que caiu como uma luva na proposta do jogo. Além dos cenários macabros de um Japão feudal sufocado por miasma, o que mais impressiona são as expressões faciais dos personagens, especialmente de Musashi. O design dos chefes é positivamente absurdo na quantidade de detalhes e no conceito visual, enquanto outros inimigos comuns exibem uma estética digna de filmes de body horror.

A trilha sonora acompanha o tom com excelência, trazendo melodias orientais marcantes. A dublagem entrega um trabalho primoroso com destaque para o áudio original em japonês, interpretada por veteranos renomados da indústria. Ou seja, jogue em japonês ou estará jogando errado.

Conclusão da análise de Onimusha: Way of the Sword

Onimusha: Way of the Sword coroa o retorno triunfal de uma das franquias mais queridas da Capcom após duas décadas de hiato. Ao colocar Miyamoto Musashi no centro de uma narrativa sombria e cativante, o jogo consegue modernizar suas mecânicas clássicas sem perder a identidade, mesclando o dinamismo dos combates frenéticos com a profundidade técnica exigida pelos padrões atuais.

A exploração gratificante, o visual estonteante proporcionado pela RE Engine e a trilha sonora marcante elevam o título ao patamar dos grandes lançamentos da geração. Mesmo exigindo adaptação em sua curva de aprendizado, esta renovação é um presente inestimável para os veteranos e uma porta de entrada impecável para os novos jogadores.

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90 Nota

Onimusha: Way of the Sword

Imperdível

Onimusha: Way of the Sword marca o retorno da franquia com uma aventura protagonizada por Miyamoto Musashi. O jogo moderniza o combate clássico sem perder sua identidade, combinando batalhas intensas, exploração recompensadora e belos gráficos na RE Engine. Apesar da curva de aprendizado, é uma ótima experiência tanto para fãs quanto para novos jogadores.

Desenvolvedor Capcom
Publicadora Capcom
Lançamento 04/09/2026
Plataformas Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5
Plataforma jogada PS5
Dublado PT-BR Sim
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora

Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.

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