Análise: One Piece: Grand Gourmet

Leonardo Coimbra ·

One Piece: Grand Gourmet aposta em uma abordagem diferente para a franquia criada por Eiichiro Oda. Em vez de uma aventura de ação, luta ou RPG, como vimos em outros jogos da série, temos aqui um cozy game, voltado para sessões curtas, progressão constante e uma experiência mais tranquila. A proposta é simples: aproveitar o universo de Luffy e seus companheiros para construir e administrar um restaurante, sempre com algo novo para desbloquear.

Mas será que essa mudança de direção funciona?

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Uma história simples para reunir os personagens da franquia

A narrativa de One Piece: Grand Gourmet é bastante básica, assim como o restante da experiência. Sem deixar muito claro em que momento da cronologia estamos, o jogo apresenta uma versão falsa do Baratie, o restaurante onde Sanji trabalhava, e coloca Luffy e o cozinheiro para ajudar o estabelecimento a recuperar sua fama. Enquanto isso, a tripulação dos Chapéus de Palha acaba se perdendo, dando início a uma jornada por diferentes cenários inspirados nos arcos da obra original.

A história funciona principalmente como uma desculpa para reunir personagens e referências de One Piece, sem grandes diálogos ou desenvolvimentos narrativos. Existem alguns encontros divertidos, como a chegada de Barba Negra ao restaurante e sua discussão com Luffy, que acaba culminando em uma disputa de comida. São momentos pontuais que ajudam a dar personalidade à experiência, mas não espere uma nova grande aventura da franquia.

Um universo reconhecível, mas com apresentação limitada

Visualmente, Grand Gourmet utiliza pixel art simples, com personagens facilmente identificáveis e cenários que fazem referência a diferentes momentos da obra. É uma apresentação funcional para um jogo pensado também para celulares, mas que deixa a desejar em alguns aspectos, principalmente quando o restaurante começa a crescer.

O principal problema é a organização visual. Conforme novos itens, mesas, áreas e personagens são adicionados, o Baratie fica cada vez mais carregado de informações. A interface não ajuda muito, tornando difícil identificar rapidamente onde estão determinadas opções, o que cada personagem está fazendo e quais atividades precisam de atenção. Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, a experiência pode se tornar visualmente confusa.

A trilha sonora também não se destaca, com músicas básicas e repetitivas que acabam se tornando cansativas durante sessões mais longas. Não é um jogo que pretende impressionar pela apresentação, mas isso não significa que sua interface e seus menus não poderiam ser mais bem organizados.

Há ainda questões técnicas que chamam a atenção. Jogando no Nintendo Switch 2, encontrei quedas de quadros e engasgos mesmo com a simplicidade dos gráficos. Como o restaurante pode acumular centenas de personagens e diversas atividades simultâneas, a quantidade de elementos na tela parece pesar sobre a estabilidade. É um problema curioso para um jogo com essa proposta visual e que merece atenção, especialmente considerando que ele também será lançado para dispositivos móveis.

Um ciclo de progressão que prende por horas

É na jogabilidade que One Piece: Grand Gourmet realmente encontra sua força. O jogo não tenta reinventar o gênero nem apresentar sistemas particularmente inovadores. Em vez disso, aposta em um ciclo de atividades simples, recompensador e surpreendentemente viciante, no qual quase sempre existe alguma coisa para fazer ou conquistar.

Cada cenário representa uma região ou um arco da franquia. Neles, enviamos Luffy e, posteriormente, outros companheiros para explorar áreas em busca de itens utilizados na preparação de pratos. Paralelamente, precisamos administrar o restaurante, expandir suas instalações, decorar os ambientes e atender às necessidades dos clientes.

A progressão envolve diferentes recursos, incluindo dinheiro, pontos de relacionamento e uma moeda especial. Eles permitem recrutar personagens, adquirir melhorias e liberar novas possibilidades. Alguns desbloqueios dependem de encontrar determinados personagens durante as explorações ou cumprir requisitos específicos, criando uma dinâmica interessante entre as diferentes regiões. É possível, por exemplo, encontrar Zeus antes de conseguir trazer Big Mom para o restaurante, o que incentiva a continuar avançando e revisitando os cenários para liberar personagens e acompanhantes já encontrados.

O gerenciamento dos clientes também acrescenta objetivos à rotina. Cada região possui uma população própria, que pode variar de pouco mais de uma dezena de personagens a várias dezenas. Para transformar esses visitantes em fãs do restaurante, precisamos atender a condições específicas, que podem envolver oferecer determinados itens, preparar refeições ou construir áreas temáticas. Essas exigências variam de acordo com os personagens e suas preferências, aproveitando referências a diferentes arcos de One Piece.

Também existem desafios relacionados à preparação de menus, combinações de pratos e atributos de sabor, além de minijogos, áreas de relaxamento e estabelecimentos voltados a clientes específicos. São várias mecânicas que se complementam e mantêm a progressão em movimento. O problema é que nem todas são apresentadas de maneira tão clara quanto poderiam, tornando o começo um pouco mais lento enquanto aprendemos como os sistemas se conectam.

A curva de progressão melhora consideravelmente depois dos primeiros cenários. No início, pode ser necessário investir mais tempo para entender as mecânicas e reunir recursos, mas, conforme desbloqueamos personagens e ampliamos o restaurante, as recompensas aumentam. Atividades que inicialmente rendem pouco dinheiro passam a gerar valores muito maiores, enquanto o número de clientes e fãs cresce significativamente.

Esse é o grande mérito de Grand Gourmet. Mesmo quando você pretende jogar por apenas dez ou quinze minutos, dificilmente termina a sessão sem ter avançado em alguma coisa. Sempre há um novo personagem para recrutar, um prato para aprimorar, uma área para construir ou uma meta para cumprir. É um ciclo que incentiva a continuar jogando sem exigir que você se dedique a longas sessões ou acompanhe uma narrativa complexa.

Uma experiência descomplicada, com ressalvas

Apesar da quantidade de sistemas, Grand Gourmet não é particularmente difícil. A maior barreira está no início, quando ainda estamos entendendo as possibilidades disponíveis e precisamos investir mais tempo para desenvolver o restaurante. Depois disso, a progressão se torna bem mais tranquila, com recursos abundantes e objetivos que passam a ser cumpridos com maior facilidade.

Outro ponto positivo é que, durante minha experiência, não encontrei microtransações. Para um jogo desse estilo, construído em torno de recursos, desbloqueios e progressão constante, isso é uma boa notícia. A experiência se sustenta nos próprios sistemas de jogo, sem que eu tenha identificado a necessidade de recorrer a compras adicionais para avançar.

Por outro lado, a quantidade de mecânicas não é acompanhada por uma interface igualmente eficiente. A apresentação poderia ser mais clara, e a organização do restaurante se torna cada vez mais problemática conforme a experiência cresce. Somadas às quedas de desempenho encontradas no Nintendo Switch 2, essas limitações impedem que o jogo seja tão bem acabado quanto seu ciclo de progressão merece.

One Piece: Grand Gourmet vale a pena?

One Piece: Grand Gourmet não é uma nova grande aventura de Luffy, tampouco um jogo que pretende impressionar pela narrativa, pelos gráficos ou pela trilha sonora. Sua proposta é muito mais simples oferecendo uma experiência de gerenciamento e progressão que possa ser aproveitada aos poucos, com objetivos constantes e recompensas frequentes.

E, nesse aspecto, o jogo funciona muito bem. Seu ciclo de atividades é viciante, a variedade de personagens e referências aproveita bem o universo de One Piece, e a sensação de evolução faz com que seja fácil passar horas administrando o restaurante sem perceber o tempo. As limitações visuais, a interface confusa e os problemas técnicos são pontos negativos reais, mas não chegam a anular a diversão proporcionada pela experiência.

Considerando o preço previsto na faixa de R$ 70 a R$ 80, Grand Gourmet é uma opção interessante para quem procura um jogo casual capaz de render mais de dez ou quinze horas de entretenimento tranquilo. O importante é entender o que está sendo comprado: não espere uma aventura grandiosa ou uma apresentação digna dos melhores jogos da franquia.

Se a ideia é aproveitar um jogo descomplicado, com progressão constante e o universo de One Piece como pano de fundo, esta é uma aposta que vale a pena.

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75 Nota

One Piece: Grand Gourmet

Bom

One Piece: Grand Gourmet aposta em um ciclo de gerenciamento e progressão viciante, com diversos personagens, referências aos arcos da franquia e atividades que sempre oferecem algo novo para desbloquear. Uma boa opção para quem busca um cozy game descomplicado no universo de One Piece, desde que não espere uma grande aventura.

Desenvolvedor Kairosoft
Publicadora Bandai Namco Entertainment
Lançamento 23/10/2026
Plataformas Nintendo Switch 2, Android, PC (Microsoft Windows), iOS, Nintendo Switch
Plataforma jogada Nintendo Switch 2
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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