Análise: Metal Wolf Chaos XD traz nostalgia da expectativa

Bernardo Cortez ·

Metal Wolf Chaos foi um jogo controverso. Lançado pela From Software (sim, aquela de Dark Souls) em parceira com a Microsoft em 2004, o jogo tinha um propósito específico: tentar trazer simpatizantes japoneses ao Xbox, recém chegado à guerra dos consoles na época. Mesmo a From Software sendo fera em jogos de Mecha, o game não cumpriu seu objetivo e o mercado japonês não se animou muito com a chegada do título. Para piorar, a Microsoft deixou de lado seu port para o ocidente por causa do Xbox 360 que já estava no horizonte. E tendo em vista os bloqueios regionais dos consoles à época, o jogo simplesmente nunca deu as caras por aqui. No fim das contas, a aventura americana no cenário japonês com esses mechas foi um fiasco.

Fiasco que está renascendo agora, talvez como um sucesso? Talvez sim, afinal o mundo esperou 15 anos por isso!

Bem, o que quero dizer é que o jogo nunca foi ruim, muito pelo contrário. A experiência da From Software no gênero fez com que ela entregasse um jogo sólido. Para os padrões da época era muito bom, além de ser exatamente o que os japoneses jogavam e gostavam – tirando algumas peculiaridades da história, fortemente influenciada pela cultura estadunidense, claro (Microsoft :P).

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A trama é simples e direto ao ponto. Japoneses não enrolam muito e mechas estão aí para quebrar a porrada em geral, não é? Pois bem, em um futuro supostamente distópico, a democracia nos EUA está morrendo e após uma movimentação militar para um golpe de Estado, o presidente do país assume seu Mecha e foge da Casa Branca para um plano de vingança e retomada do que é seu por direito. O vilão, o Vice-Presidente, focou toda a propaganda em cima da crise econômica, ondas migratórias, falta de emprego etc. para colocar a população do seu lado. Familiar, não é mesmo? Bastante! De distopia não tem nada, a única diferença é que Donald Trump foi democraticamente eleito e não deu nenhum golpe e não existem Mechas (ainda). O resto da maluquice é bem real mesmo aqui em 2019.

E essa é justamente a razão pela qual a Devolver e a From Software decidiram relançar Metal Wolf Chaos, pela similaridade e toda a problemática ao redor da figura do presidente dos Estados Unidos.


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Enfim, essa trama um tanto bizonha é o que leva o jogo. Você, o presidente, sai pelas ruas dos EUA matando soldados americanos, destruindo postos de controle, libertando civis de prisões urbanas e salvando reféns das mãos do então tirando governo americano. Tudo isso para enfraquecer o Golpe e retomar o Poder mais tarde. Bem, dá para se ter uma ideia do motivo pelo qual japoneses não curtiram o jogo 15 anos atrás…

A jogabilidade é simples e as fases não requerem muita habilidade, infelizmente pro pessoal que está acostumado com a série Souls da From Software. É basicamente saber a hora certa de usar determinada arma no lugar de outras e fazer um bom gerenciamento de suas munições. O jogo conta com muitas armas, o que é um ponto muito positivo e divertido, mas os fatos de que você pode simplesmente segurar os dois gatilhos e de que a mira é basicamente automática (basta que os inimigos estejam dentro da área amarela da tela), faz com o que o game se torne um tanto monótono com o passar do tempo.

Os gráficos deram uma revitalizada com o HD e tudo mais, mas ainda assim são gráficos do início da década passada e nem sequer possuem uma estética muito própria para torná-los atrativos anos depois. Ok, ok, é um jogo de 2004, eu sei. Mas não posso deixar de destacar todos esses pontos, já que Metal Wolf Chaos XD está custando seus R$ 50,00 no lançamento e sem nenhuma adição, apenas um remaster de alta definição mesmo.

Gostou da análise de Metal Wolf Caos XD? Confira aqui ela em espanhol.

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Bernardo Cortez

Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.

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