Análise: Invincible VS

Para fãs de Invencível, mas com ressalvas importantes

Leonardo Coimbra ·

A quarta temporada de Invincible chegou ao fim recentemente no Amazon Prime Video com um peso dramático considerável, reforçando aquilo que sempre diferenciou a obra: não é só sobre violência, mas sobre consequências, relações e conflitos internos. Aproveitando esse momento, chega Invincible VS, um jogo de luta que tenta capitalizar esse interesse recente, mas seguindo uma proposta própria.

Aqui não estamos diante de uma adaptação direta da animação ou dos quadrinhos. Invincible VS apresenta uma história inédita, construída em parceria com os criadores da franquia, o que naturalmente levanta a expectativa, principalmente para quem esperava algo mais alinhado com o peso narrativo da série. A ideia é interessante, mas a execução levanta dúvidas ao longo da experiência.

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Invincible VS falta profundidade em sua história

A campanha de Invincible VS é, talvez, o ponto mais controverso do jogo. Existe uma tentativa de criar uma narrativa própria, mas ela acaba sendo muito curta e pouco desenvolvida para causar impacto. Em pouco mais de uma hora, é possível ver tudo o que o modo história tem a oferecer, o que já indica o tipo de abordagem adotada.

A premissa coloca o Invencível e outros personagens presos em uma espécie de simulação, onde lutam entre si enquanto algo claramente não está certo. Aos poucos, o protagonista percebe a inconsistência daquele ambiente e começa a “acordar” os demais, levando a um desfecho que revela quem está por trás da situação.

O problema é que esse desenvolvimento é extremamente apressado. Invincible VS não explica de forma convincente como os personagens foram parar ali, nem por que determinados nomes estão presentes enquanto outros ficam de fora. Essa escolha do elenco, inclusive, parece bastante arbitrária em vários momentos, o que pode incomodar principalmente quem conhece melhor o universo.

Outro ponto é a ausência do peso dramático que marca Invincible. A história aqui foca quase exclusivamente na ação, deixando de lado os conflitos mais profundos que poderiam enriquecer a experiência. Quando a narrativa finalmente parece ganhar algum fôlego, ela simplesmente termina, deixando mais perguntas do que respostas em um encerramento em formato de cliffhanger.

A nível comparativo com a própria série, nessa última quarta temporada houve um episódio onde o Invencível é invocado pelo Damien Darkblood para ajudar a retomar o inferno. Esse episódio em questão não existe no material original e foi extremamente bem adaptado no formato de episódio. Infelizmente esse “episódio jogável” em Invincible VS está muito distante do que foi visto nesse comparativo também inédito. Isso só acaba mostrando uma oportunidade perdida.

Parte técnica é impecável

Se a história não entrega tanto quanto poderia, a ambientação compensa em boa parte. Visualmente, o jogo faz um bom trabalho ao adaptar o estilo da franquia para o formato de luta, utilizando uma estética que remete diretamente à animação, com uso de cel shading e cores bem definidas.

As animações dos personagens seguem um estilo levemente mais “travado”, quase como um stop motion estilizado. Não é algo que transmite a maior fluidez possível, mas funciona dentro da proposta e ajuda a dar identidade a Invincible VS.

Os cenários são variados e, embora em alguns casos pareçam escolhidos mais pela estética do que por coerência narrativa, são bem construídos. Um detalhe interessante é a destruição progressiva durante as lutas. Conforme o combate avança, não apenas o ambiente vai se deteriorando, como os persoangens tem suas roupas rasgadas e o tom vermelho do sangue se espalha entre eles. Isso reforça o impacto dos golpes e do poder dos envolvidos.

Na parte sonora, o Invincible VS também se sai bem. Os efeitos de impacto são convincentes e a dublagem cumpre bem seu papel, mesmo com uma mistura entre vozes originais e substitutas. Além da qualidade da dublagem dos personagens, eles mantém o tom de cada um. Por exemplo, Allen o Alien e Rex-plosão sempre fazem piadas ao longo da luta enquanto as falas de Omni-Man são mais focadas em dominar a luta e ser superior.

Um destaque positivo são as interações entre personagens antes das lutas, que trazem diálogos específicos dependendo do confronto, algo que lembra bastante o estilo de Mortal Kombat e ajuda a dar mais personalidade ao elenco.

Gameplay competente e único

Como esperado, o gameplay é o ponto central de Invincible VS, e aqui o jogo consegue ser competente, mesmo sem grandes ousadias.

O sistema de luta funciona no formato 3 contra 3, permitindo alternar entre personagens durante a partida. Cada lutador respeita bem suas características dentro do universo, com diferenças claras entre personagens mais fortes e resistentes, outros mais rápidos e alguns mais equilibrados.

O combate é mais cadenciado, com uma sensação de peso maior nos golpes. Não é um jogo extremamente ágil, o que pode causar um estranhamento inicial, principalmente para quem prefere experiências mais rápidas. No meu caso, foi algo que exigiu um tempo de adaptação, mas depois que o ritmo encaixa, ele passa a funcionar de forma consistente.

Os comandos seguem uma base simples, com variações entre ataques fracos, médios e fortes, além dos especiais que consomem barra. Invincible VS também permite combos aéreos, pressão ofensiva e uso de assists, o que abre espaço para algumas combinações interessantes durante as lutas.

Um ponto positivo é como os personagens mantêm suas identidades dentro do gameplay. Habilidades e movimentos são claramente inspirados na série, o que reforça o apelo para quem já conhece o universo. O invencível, por exemplo é um personagem mais equilibrado, enquanto o Rex-plosão e Dupli Kate são mais ágeis. E personagens como o Battle Beast ou a Menina Monstro são mais pesados. Na hora da escolha do seu time você tem que considerar esse critério de agilidade assim como o poder e defesa de cada um e o alcance de cada personagem caso use ataques físicos ou poderes especiais.

Por fim, fica evidente que Invincible VS não tenta competir no cenário mais técnico ou competitivo. Ele é mais voltado para partidas casuais e para fãs da franquia, o que não é um problema, mas limita um pouco sua longevidade para quem busca algo mais profundo.

Invincible VS vale a pena em seu lançamento?

No fim das contas, Invincible VS é um jogo que funciona melhor como um produto voltado para fãs do que como uma experiência completa dentro do gênero. O gameplay é competente, a apresentação é bem executada e os personagens mantêm suas identidades, o que já é meio caminho andado.

Por outro lado, a campanha extremamente curta, a falta de desenvolvimento narrativo e algumas escolhas questionáveis no elenco acabam pesando contra. Soma-se a isso o preço de lançamento de 50 dólares (cerca de 200 a 250 reais), que parece alto para o conteúdo entregue, e fica a sensação de que o jogo poderia ter ido um pouco além.

Isso sem considerar que já existe personagens programados para serem adicionados futuramente como o Imortal, que deveria ser um personagem disponível desde o lançamento. É possível que muitos fãs enxerguem uma ganancia por parte da publisher na limitação de conteúdo e personagens.

Se você é fã de Invincible e quer ver esses personagens em um jogo de luta, a experiência é válida, principalmente pelo gameplay e pelo fan service. Agora, se a expectativa for algo mais robusto ou duradouro, talvez valha a pena esperar uma promoção.

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70 Nota

Invincible Vs.

Bom

Invincible VS acerta ao trazer combates sólidos e personagens fiéis ao universo, com estilos variados que funcionam bem dentro da proposta 3v3. Embora o visual e a sua parte sonora acertam, o modo história é curto e pouco desenvolvido, assim como o conteúdo de forma geral deixa a desejar. No fim, é um jogo que agrada mais pelo combate e pelo fan service, mas que cobra caro pelo conteúdo que oferece.

Desenvolvedor Quarter Up
Publicadora Skybound Games
Lançamento 30/04/2026
Plataformas Xbox Series X|S, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5
Plataforma jogada PS5
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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