Quem joga videogame há algum tempo sabe o peso que o primeiro Halo: Combat Evolved teve quando saiu lá em 2001. A Bungie basicamente ensinou a indústria a fazer jogo de tiro em primeira pessoa no controle, criou uma movimentação deliciosa com escudos que recarregavam e colocou a gente em um mundo alienígena gigante que parecia não ter fim. Agora, a Halo Studios resolveu voltar para onde tudo começou e nos entregar Halo: Campaign Evolved.
Mas tem um detalhe aqui que faz este lançamento ser histórico por si só: é a primeiríssima vez em quase 25 anos que o Master Chief dá as caras em um console da Sony. Ver o capacete verde do Chief brilhando nativamente na tela do PS5 parece até coisa de outro mundo, mas é a pura realidade! E esse remake vem com a missão de atualizar aquele clássico para os dias de hoje, refazendo o jogo do zero no motor gráfico Unreal Engine 5.
Como É Jogar: O Ritmo do Combate Modernizado
A boa notícia é que aquela sensação gostosa de atirar em Halo continua firme e forte em Halo: Campaign Evolved. O tiroteio contra a Aliança Covenant ainda tem aquela dinâmica perfeita de um “teatro de batalha”: você usa a arma de plasma para derreter o escudo do Elite, troca rapidinho para a boa e velha pistola Magnum e dá aquele tiro certeiro na cabeça. É um ritmo de jogo que exige que você fique se mexendo o tempo todo, pule entre coberturas e pense rápido para não ser cercado.
Agora a movimentação ganhou um ar mais moderno. Você pode dar uma corridinha para se deslocar mais rápido e usar o zoom com a mira em quase todas as armas. O mais legal é que colocaram coisas de jogos posteriores da franquia que casaram super bem aqui, como a possibilidade de roubar veículos inimigos em movimento.



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Além disso, a inteligência artificial dos inimigos ficou muito mais esperta em Halo: Campaign Evolved. Eles não são só sacos de pancada com mais vida nas dificuldades mais altas; eles te flanqueiam, jogam granadas para te tirar do esconderijo e te obrigam a jogar de verdade.
Para quem vai jogar sozinho, é bom ir preparado: jogar solo no Heroico ou no Lendário ainda traz momentos meio apelões, onde o jogo parece jogar pesado demais contra você. Outro ponto que entrega a idade do projeto original são algumas áreas de transição entre uma sala e outra. Mesmo estando bonitas, elas continuam meio vazias se comparadas ao ritmo frenético dos jogos de ação de hoje em dia.


Mais História, Armas Inéditas e a Câmera em Terceira Pessoa
Este remake não se limitou a copiar e colar o jogo antigo. A Halo Studios adicionou três missões inéditas de pré-sequência focadas no início da parceria entre o Master Chief e o icônico Sargento Johnson, o que dá um tempero muito legal para a história antes mesmo de a gente pisar no anel alienígena. E talvez seja o ponto mais alto e motivador para os fãs da franquia de longa data.
O arsenal também recebeu um baita reforço. Desta vez dá para pegar a Espada de Energia dos Elites. algo que a gente passava vontade no jogo de 2001, além de armas clássicas como o Rifle de Batalha.
Se você quer mudar totalmente a cara do jogo, precisa testar o sistema de Crânios, que são modificadores que você ativa para mudar as regras da partida. O melhor de todos permite jogar toda a campanha com a câmera em terceira pessoa. Ver o Master Chief por inteiro na tela muda totalmente a vibe do jogo. Dá para apreciar muito mais o peso das armas, o visual da armadura (que é customizável) e a imponência dos cenários.
Junte isso ao suporte para jogar em até 4 pessoas online no cooperativo (com direito a crossplay entre PS5, Xbox e PC) ou em 2 jogadores dividindo a mesma tela do sofá, e o fator diversão multiplica junto.


Visual de Encher os Olhos, Trilha Clássica e a Performance
Graficamente falando, o jogo está um espetáculo. A praia da famosa missão The Silent Cartographer está linda demais, com uma vegetação super detalhada e rochas muito realistas. A física da água é um show à parte: ver as ondas quebrando na areia e refletindo a luz do sol dá vontade de parar o Warthog só para ficar olhando a paisagem.
As construções alienígenas agora parecem locais metálicos, frios e misteriosos de verdade, sem aquela quantidade exagerada de luzes coloridas que colocaram na remasterização de 2011.
A trilha sonora continua sendo uma obra-prima. Ouvir aquele canto gregoriano épico na abertura e as cordas subindo de tom quando o combate esquenta ainda dá arrepios. Para completar, os efeitos sonoros das armas ganharam um peso muito maior, deixando cada tiro do Rifle de Assalto bem mais encorpado, e todas as dublagens das cenas de história foram re-gravadas.

Mas nem tudo são flores na parte técnica. Em termos de desempenho, sentimos algumas quedas chatas de FPS (quadros por segundo) durante a jogatina, mesmo no modo performance em um Playstation 5 Pro. O curioso é que isso não acontece só em praias abertas gigantescas, mas também em salas fechadas quando a tela fica cheia de inimigos, explosões e tiros de plasma voando para todo lado.
Outro detalhe é que a iluminação em lugares escuros às vezes exagera nos reflexos do metal, e engrenar o tiro carregado da pistola de plasma solta um clarão tão forte na tela que chega a atrapalhar a visão por um segundo. A recomendação aqui é jogar no Modo Performance mesmo (focado em 60 fps), que entrega a melhor resposta nos controles, mesmo que o jogo ainda precise de uma atualizaçãozinha para deixar essa taxa de quadros 100% cravada o tempo todo.



Conclusão da análise de Halo: Combat Evolved
Halo: Campaign Evolved é um retorno triunfal para um dos maiores clássicos da história dos games. A Halo Studios conseguiu respeitar a essência da criação original da Bungie ao mesmo tempo em que trouxe melhorias de jogabilidade e um tapa visual que o jogo realmente merecia. De quebra, a chegada do Master Chief ao PS5 quebra barreiras e dá a chance de uma nova legião de jogadores experimentar esse marco inicial.
Mesmo com alguns engasgos na taxa de quadros em momentos caóticos e aquele desbalanceamento clássico quando jogado sozinho nas dificuldades mais altas, o pacote completo entrega um valor enorme. As armas novas, o cooperativo expandido, mais missões e a opção de jogar em terceira pessoa fazem este remake valer cada segundo.
