Passei um tempo com o Logitech G Astro A20 X sendo meu headset e headphone principal, testando o que a Logitech anuncia como o grande diferencial do produto: alternar entre dispositivos. No meu caso PS5, PC, Switch e direto na TV via Bluetooth sem ficar tirando dongle, trocando cabo ou pareando de novo a cada troca de console. E a primeira coisa que eu preciso colocar na mesa, antes de qualquer discussão sobre preço ou comparativo, é que essa proposta funciona melhor do que eu esperava. O PLAYSYNC entrega.
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O A20 X chegou ao Brasil em 2 de março de 2026, com exclusividade KaBuM no começo e hoje disponível também na loja oficial da Logitech. Vem nas cores preta e branca, mesmo preço pras duas. E é importante esclarecer um ponto que muita matéria de lançamento por aqui passou batido: não tem versão Xbox e versão PlayStation separadas. É um modelo único, multiplataforma, que pega tudo com o mesmo dongle. O logo na caixa leva a essa confusão, já que vem com um adesivo do compatível com Xbox. Esse já é o primeiro detalhe que diferencia o A20 X do A20 Gen 2 antigo e da maior parte da concorrência.
Esta análise só foi possível graças a uma unidade do Logitech G Astro A20 X cedida pela Logitech Brasil. Eles estão lendo pela primeira vez junto com vocês.
Parece ser um G522 com PLAYSYNC adicionado no meio
A primeira coisa que vem na cabeça, quando você está pesquisando headsets e começa a pesquisar as opções da Logitech, é que o A20 X é exatamente o G522, só que com PLAYSYNC. Eu nunca usei o G522, então não posso bater o martelo nessa comparação.
E é uma comparação que faz sentido olhando pro produto. Porque o A20 X tem aquela cara genérica de fone Logitech G, sem nenhum dos elementos visuais que faziam o Astro ser Astro nos tempos do A40 e do A50 antigos. Sumiu o desenho que durou tantos anos, sumindo boa parte da personalidade que aquela linha tinha. Sobrou um headset preto, plástico, design moderno, com RGB nas conchas e o logo “G” estampado bem no meio. Funcional, mas acaba sendo mais um Logitech. É como se a Logitech fizesse o que a Volkswagen costuma fazer com seus carros.


Eu acho honesto colocar isso logo de cara: se o que te atrai no A20 X é a estética Astro clássica, esquece. Você não vai encontrar isso aqui. Agora, se o que te interessa é a função, é outra conversa. E é a conversa que vale.
A construção é simples em termos de materias, mas muito boa
A construção é toda em plástico. Apoio de cabeça com alça suspensa, espuma macia nas conchas, sem capacidade das conchas girarem, sem dobrarem, sem nada de luxuoso. Pesa cerca de 290 gramas, o que é leve pro segmento, e isso conta muito quando você passa quatro horas com ele na cabeça. O acabamento é bom o suficiente, sem aquele ranger de plástico barato que estraga alguns produtos que custam caro e passam a sensação de barato.
A bateria é substituível pelo usuário, com kit vendido à parte. Coisa que não muda nada na sua experiência diária, já que a maior parte dos usuários hoje em dia não procura substituir bateria de headset, apenas compra outro. Mas é o tipo de detalhe que vale registrar como nota positiva.
O fato de existir a alça de tecido na parte superior me animou muito ao receber o A20 X para análise. Vários outros fones que usam essa construção são extremamente confortáveis para o meu gosto e para a minha enorme cabeça. Só que ela meio que só estica ao máximo e faz a cabeça encostar no plástico do arco superior. Pelo menos no meu uso. Ou seja, depois de alguns minutos usando, lá pra uma hora, começa a incomodar. Nada que me faça querer parar de usar o fone, mas incomoda um pouquinho.
O microfone é destacável, com proteção magnética. Cabo USB-C de 1,8 metros, dois inclusos na caixa. O unboxing é bem legal, inclusive. Vai um pouquinho além de um produto dentro de uma caixa de papelão sem cores.
PLAYSYNC: o que é (e o que não é)
Aqui é a parte que importa, e aqui é onde quase toda matéria de lançamento brasileira errou na descrição do produto. Vi vários sites escrevendo “troca automática entre dispositivos” sobre o PLAYSYNC. Não é automática. Pasmem.
O PLAYSYNC é uma base USB-C compacta com duas portas USB-C fêmea na traseira. Cada porta tem uma chavinha física que define o que vai ali: a porta 1 alterna entre Xbox e USB genérico, a porta 2 alterna entre PC e USB genérico. O Xbox precisa ir obrigatoriamente na porta 1, porque é nessa porta que mora o chip de autenticação da Microsoft que valida o sinal. O resto pode ir em qualquer lugar, PS5 e Switch incluídos.


A troca de fato acontece com um botão vermelho dedicado na traseira da concha direita. Você aperta, escuta uma voz dizendo “PC” ou “PlayStation”, e logo em seguida o áudio entra no dispositivo correto. Instantâneo, sem dessincronia, sem precisar parear de novo, sem precisar mexer em menu de console. Funciona muito bem na prática, e é gostoso de usar depois que você se acostuma. Em alguns dias eu já estava usando naturalmente o headset, plugado em dois consoles, sem me preocupar com outros aparelhos ou com resetar configuração.
Tem um problema importante de UX que merece ficar claro: o Bluetooth não funciona simultâneo com o PLAYSYNC. Caso você seja aquele usuário avançado que quer mesclar fontes de áudio, simultaneamente, no mesmo fone, tipo usando o PLAYSYNC no PS5 e ouvindo música do celular pelo bluetooth, não é possível. Existem fones que fazem isso, mas não é o caso do A20 X.
A experiência multiplataforma na prática
No PS5, é plug and play. Encaixa o dongle no USB do console, chavinha em USB ou em PC (qualquer um funciona, contanto que não seja Xbox), e tá rodando. Tempest 3D Audio funciona normalmente. A qualidade do chat é decente, sem dor de cabeça. O único ponto chato é que o ajuste físico de game/chat mix no headset não funciona no PS5, mas isso é limitação da plataforma, não do fone.
No PC, é onde o A20 X dá o seu melhor. Com o G HUB aberto, você tem EQ de 10 bandas, perfis da comunidade pra baixar, Blue VO!CE habilitado no microfone, controle de áudio em 24-bit/48 kHz, DTS Headphone:X funcionando. É um software maduro, e a diferença de experiência entre rodar o headset no PC com G HUB e rodar ele no console sem nada é perceptível. Quem só vai usar em console perde parte do que o produto oferece.


No Switch, no dock, funciona via porta USB-A com a chavinha em USB. Microfone funciona, áudio funciona, sem complicação. Já no modo portátil, só migrando para bluetooth.
Na TV via Bluetooth, funciona, mas com asterisco importante. Tem dessincronia labial leve em vídeo, mas aqui a culpa imagino que seja do bluetooth mais antigo da própria TV. Pra escutar música é tranquilo. Pra futebol e podcast também. Pra assistir conteúdo no Youtube, em que o foco do vídeo é alguém falando, você percebe fácil a dessincronia e incomoda um pouco. Mas, de novo, aqui é algo da TV provavelmente.
Áudio e microfone
A qualidade de áudio que o headset entrega é boa. Os drivers de biocelulose de 40mm entregam um perfil bem flat, sem ênfase em grave ou agudo. Pra jogo competitivo, isso é bom, porque passos, tiros e movimentação aparecem com clareza, sem grave pesado atrapalhando a leitura espacial. Pra filme, série ou música, você vai querer abrir o G HUB e mexer no EQ, porque o som natural não sai encorpado, com aquele grave que provavelmente você quer.


O microfone, esse sim, é o ponto alto incontestável do produto. 48 kHz no console, 24-bit no PC, com Blue VO!CE habilitado pra quem usa o G HUB. A captura é limpa, sem chiado, e a presença da voz tem corpo de verdade. Achei um dos melhores microfones de headset gamer que já testei nessa faixa de preço, e bate fácil concorrentes que custam mais. Pra chat de jogo, stream casual, reunião de trabalho remoto, ele entrega muito acima do que se espera de um boom mic destacável de fone gamer. Lembro que a primeira call do trabalho que entrei com ele, assim que eu comecei a falar o outro participante já me cortou — “Caramba, que headset é esse aí? Tá muito alto e muito claro”. E olha que geralmente eu uso um Sennheiser Game One, que tem um excelente microfone também.
A bateria é absurda. A Logitech anuncia 90 horas sem RGB e 40 horas com RGB ligado, e essa é uma daquelas specs que parece marketing exagerado até você usar, usar e usar o headset todo dia e perceber que depois que carregou uma vez até 100%, ainda não carregou novamente. 90 horas sem RGB é absurdo.
A pergunta de R$ 1.099: tem concorrente que faça isso?
Essa é a discussão que define a compra. Porque um headset wireless de R$ 1.099 no Brasil não é compra casual, é uma decisão pensada. E a pergunta certa não é “o A20 X é o melhor headset por esse preço?”, porque a resposta a essa pergunta provavelmente é não. A pergunta certa é “existe outro headset que faça a função específica que o A20 X faz, pelo mesmo dinheiro?”. E aqui eu pesquisei o suficiente pra responder com bastante confiança: praticamente não.
Pra trocar entre PS5, Xbox, Switch e PC (e outros dispositivos que você queira) com um único dongle, com botão na concha, sem precisar mexer em cabo, sem comprar um headset diferente por plataforma, sem flipar switch no transmissor toda vez que muda de console, as opções no mercado mundial inteiro são basicamente três. O próprio Astro A50 X, que é o irmão mais caro da família e custa a partir de R$ 2.250 no Brasil. O novíssimo Turtle Beach Stealth Pro II, que foi anunciado em abril e começou a vender em maio de 2026 nos EUA por US$ 349 (na cotação direta hoje, sem impostos, cerca de R$ 1.700 e R$ 1.800), mas que ainda nem chegou ao Brasil. E o A20 X.
Ou seja, na faixa de R$ 1.000 a R$ 1.500, o A20 X é o único fone wireless no Brasil hoje que entrega troca instantânea entre quatro plataformas com um botão sentado no sofá ou na cadeira. Os outros, ou não fazem a função completa, ou custam de R$ 2.000 pra cima. Isso muda completamente como eu olho pros R$ 1.099 do PIX da KaBuM. Os R$ 1.099 deixam de parecer caro pelo headset em si, porque sim, o áudio do A20 X sozinho não justifica esse valor, e passam a fazer sentido como o preço da função inteira. Você paga pelo PLAYSYNC, pelo chip Xbox embarcado, pelas 90 horas de bateria, pelo microfone excelente, e principalmente pelo conforto de não precisar pensar em qual plataforma vai usar amanhã.
Vale a pena?
Se você vive trocando entre consoles, PC e outros dispositivos, e está cansado de ter um headset diferente pra cada console, ou de ficar tirando dongle e cabo a cada sessão, o A20 X é literalmente o produto mais barato no Brasil hoje que resolve esse problema completo. Recomendação fácil, mesmo com as ressalvas de Bluetooth não simultâneo e do apoio de cabeça não ser dos mais confortáveis. Ele é leve, tem excelente microfone e bateria que dá e sobra. Você vai pagar caro, mas vai pagar pela única coisa no segmento que faz o que ele faz.
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Se você joga em uma única plataforma e o resto do tempo o headset vai ficar parado em cima da mesa, existem opções com foco em conforto e qualidade de áudio superiores.
No fim, o A20 X é aquele tipo de produto que parece super caro à primeira vista, até você entender o que ele faz que ninguém mais faz no Brasil pelo mesmo dinheiro. A partir do momento que essa ficha cai, o preço para de doer.
NÍVEL DE RECOMENDAÇÃO: OURO

