Análise: Wild Blue Skies

Uma experiência simpática que precisava de mais ousadia

Leonardo Coimbra ·

Quando Wild Blue Skies foi anunciado, há cerca de dois anos, chamou atenção justamente por apostar em um gênero que há muito tempo estava esquecido. Os chamados rail shooters, popularizados principalmente por Star Fox, praticamente desapareceram do mercado, deixando uma lacuna para quem sentia falta desse estilo de jogo.

Agora, com seu lançamento, finalmente podemos conferir o resultado dessa proposta. E existe um detalhe curioso: quando Wild Blue Skies foi revelado, sequer imaginávamos que a Nintendo também preparava um remake de Star Fox 64 para o Nintendo Switch 2. Hoje, com ambos disponíveis, as comparações acabam sendo inevitáveis.

Isso porque Wild Blue Skies não apenas se inspira em Star Fox. Ele praticamente utiliza a mesma estrutura que consagrou a franquia da Nintendo na década de 90. A questão é saber se apenas seguir essa fórmula ainda é suficiente.

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Uma inspiração que beira a cópia

Desde os primeiros minutos fica evidente qual foi a principal referência da equipe de desenvolvimento.

Assim como em Star Fox, controlamos um esquadrão formado por quatro pilotos, conhecidos aqui como Blue Bombers, encarregados de impedir o retorno de uma grande ameaça que coloca o planeta em risco. A estrutura da campanha também segue o mesmo modelo clássico, permitindo escolher diferentes rotas entre as fases até alcançar o confronto final.

Até mesmo a escolha de utilizar animais antropomórficos como protagonistas reforça essa inspiração. O problema é que essa influência acaba indo longe demais.

A história existe apenas para justificar a próxima missão. Entre uma fase e outra, pequenos diálogos mostram o general orientando a equipe sobre o próximo destino ou alertando sobre algum perigo específico da região. São conversas extremamente curtas, sem tempo suficiente para desenvolver os personagens ou criar qualquer envolvimento com o conflito apresentado. Na prática, tudo acontece de maneira bastante superficial.

Mesmo comparando com o Star Fox original do Nintendo 64, um jogo lançado no fim dos anos 90, senti falta de uma ousadia maior por parte do estúdio. Faltam cenas mais elaboradas, diálogos mais longos e momentos que deem personalidade ao elenco. O foco claramente está na ação, enquanto a narrativa acaba funcionando apenas como uma ligação entre uma missão e outra.

Não chega a comprometer a experiência, mas transmite constantemente a sensação de que havia espaço para fazer mais.

Um visual agradável que cumpre seu papel

Visualmente, Wild Blue Skies consegue construir uma identidade própria. O jogo aposta em gráficos totalmente tridimensionais com uma direção artística em cel shading, criando um visual cartunesco bastante agradável. A variedade de cenários também ajuda a manter a campanha interessante, alternando entre regiões geladas, desertos, cidades, áreas vulcânicas, tempestades e ambientes aquáticos.

Embora as fases sejam relativamente curtas, existe uma boa diversidade de biomas ao longo da aventura, fazendo com que dificilmente duas missões transmitam exatamente a mesma sensação.

A trilha sonora acompanha bem a ação, mas dificilmente se destaca. Ela cumpre seu papel durante os combates e ajuda a manter o ritmo das fases, porém não entrega músicas particularmente memoráveis.

Já a dublagem praticamente não existe. Os personagens possuem poucas falas durante as missões e entre um estágio e outro, reforçando novamente que a narrativa nunca foi prioridade para o projeto.

Uma fórmula que continua divertida

Se existe um ponto em que Wild Blue Skies acerta, é justamente no gameplay.

Quem já jogou Star Fox vai se sentir imediatamente em casa. Wild Blue Skies reproduz praticamente toda a estrutura clássica do gênero: disparos rápidos, tiros carregados com travamento de múltiplos alvos, bombas, turbo, freio e o tradicional barrel roll para desviar dos ataques inimigos.

A única ausência relevante fica por conta do somersault, manobra presente em Star Fox que permitia inverter rapidamente a posição da nave durante o combate ao fazer um looping. Ainda assim, controlar a aeronave é prazeroso.

Os inimigos surgem constantemente durante as fases, obrigando o jogador a reagir rapidamente em vez de simplesmente decorar padrões à distância. Os chefes também seguem a estrutura clássica do gênero, explorando pontos fracos e padrões específicos que precisam ser aprendidos antes da vitória.

No entanto, algumas escolhas impedem que a experiência alcance um nível superior. A câmera permanece muito próxima da nave durante praticamente toda a campanha. Em diversos momentos senti falta de uma opção que permitisse afastar um pouco mais essa visão, melhorando a leitura dos cenários e antecipando obstáculos.

Outro problema está na duração das fases. Elas simplesmente terminam rápido demais. É perfeitamente possível concluir uma campanha completa em cerca de meia hora, o que faz com que a aventura acabe justamente quando começa a ganhar ritmo.

Wild Blue Skies tenta compensar isso oferecendo incentivos para revisitar as fases, como medalhas, desafios opcionais, colecionáveis que formam a palavra WILD, tempos melhores e objetivos específicos para cada missão. Esses elementos aumentam a rejogabilidade, mas não escondem a sensação de que o conteúdo principal poderia ser mais robusto.

Faltou um pouco mais de ambição à Wild Blue Skies

Talvez a maior qualidade de Wild Blue Skies também seja seu principal problema. O jogo entende perfeitamente aquilo que fez Star Fox funcionar durante tantos anos e consegue reproduzir essa experiência com bastante competência.

Mas praticamente para por aí. Em poucos momentos a sensação é de estar jogando algo realmente novo. O projeto demonstra competência para executar uma fórmula clássica, porém raramente tenta expandi-la ou apresentar ideias próprias que justifiquem sua existência além da homenagem.

Isso também aparece em pequenos detalhes técnicos. Durante alguns confrontos contra a equipe rival, por exemplo, é possível ver aeronaves atravessando estruturas sólidas enquanto o jogador continua obrigado a desviar normalmente desses obstáculos. Outra crítica fica para algumas perseguições (dogfights) que faltam a velocidade e animalidade de um combate aéreo.

São situações pontuais, mas que quebram um pouco a imersão e reforçam uma impressão constante de falta de polimento. Inclusive, existem algumas fases onde existe queda de frames o que é um tanto inexplicável para o escopo do jogo.

Ao longo da campanha, ficou evidente para mim que existia potencial para entregar algo maior. A base está pronta. O controle funciona. O visual agrada. A diversão aparece. Mas falta aquele brilho extra que transforma uma boa homenagem em um jogo memorável.

Vale a pena jogar Wild Blue Skies?

Wild Blue Skies entrega exatamente aquilo que promete: um rail shooter claramente inspirado em Star Fox.

Para quem sente falta desse estilo de jogo, e que não possui o Nintendo Switch 2, existe diversão suficiente aqui para justificar algumas horas de campanha, principalmente graças ao bom controle da nave, aos cenários variados e à simplicidade da proposta.

Ao mesmo tempo, fica difícil ignorar o quanto o projeto joga de forma segura.

A história pouco acrescenta, os personagens recebem pouco desenvolvimento, a campanha termina rapidamente e diversas oportunidades de expandir a fórmula acabam ficando pelo caminho. A recente chegada do remake de Star Fox 64 torna essa comparação ainda mais complicada, já que mostra como a mesma estrutura pode oferecer muito mais conteúdo, personalidade e variedade.

No fim, Wild Blue Skies vence sua proposta, mas por uma margem pequena. É uma homenagem competente a um gênero que merece voltar com mais frequência, porém também transmite constantemente a sensação de que poderia ter ido além. Com um pouco mais de ousadia, polimento e identidade própria, havia potencial para se tornar muito mais do que apenas uma alternativa a Star Fox.

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65 Nota

Wild Blue Skies

Regular

Wild Blue Skies entende muito bem o que tornou Star Fox especial, mas se limita demais ao seguir essa fórmula. O visual é agradável e o gameplay funciona, porém a curta duração, a falta de variedade e alguns problemas de polimento fazem com que o jogo pareça mais uma boa ideia do que uma experiência realmente memorável.

Desenvolvedor Chuhai Labs
Publicadora Balor Games
Lançamento 13/08/2026
Plataformas Xbox Series X|S, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5
Plataforma jogada PS5
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Não
Cópia Cedida pela publicadora

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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