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Análise: Logitech G PRO X Superlight 2 DEX

Pedro Nogueira ·

Confesso que tirei o Superlight 2 DEX da caixa meio ressabiado. Já tinha usado o Superlight original e o 2 padrão por períodos. Amei os dois, fantásticos mouses para quem curte a pegada super leve. A ideia de um Superlight engordado, com formato tortão pra direita, não soava como evolução natural. Soava como variação de catálogo, daquelas que aparecem mais pra encher prateleira do que pra resolver alguma coisa de verdade. Parecia estar apenas usando o nome de sucesso Superlight.

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Vários meses depois, ainda é o mouse que está na minha mesa todo dia. Trabalho e jogo, nessa ordem. Porque na vida adulta o jogo perdeu pra planilha, e quem segura um mouse seis, oito horas por dia entende que conforto deixou de ser detalhe. É agilidade e ergonomia, seja para jogo ou para planilhas.

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Esta análise só foi possível graças a uma unidade do Logitech G Pro X Superlight 2 DEX cedida pela Logitech Brasil. Eles estão lendo pela primeira vez junto com vocês.

O formato é literalmente todo o diferencial do DEX

O resto do mouse é praticamente o Superlight 2 padrão. Mesmo sensor HERO 2, mesma tecnologia LIGHTSPEED, mesmo peso de 60 gramas, mesma bateria, mesmos switches LIGHTFORCE. O que muda, e o que justifica a existência do DEX, é o corpo, a carcaça diferente.

Ele é maior. É mais alto. A cintura é mais marcada do lado esquerdo, formando uma descida mais inclinada nesse pedaço do que se vê no Superlight 2 normal. Esse desenho assimétrico foi feito pra mão direita. Canhotos aqui sofrem. O nome DEX vem justamente de dexterity (do latim dexter, que significa “direito” ou “à direita”).

O resultado é um mouse mais ergonômico, com um quê de DeathAdder. E ele é mais ergonômico mesmo tentando se manter o mais flat possível, sem viajar muito no formato. Pra mão de tamanho médio a grande, como a minha (sou de 1,81m, mão dentro do padrão masculino mais pra grande), encaixou natural logo de cara, sem tempo necessário para adaptação. Comparado ao Superlight regular, exige um polegar posicionado um pouco mais alto pra alcançar os botões laterais, e isso é algo que leva alguns dias até virar um movimento natural.

O peso, mesmo com o corpo maior, segue nas 60 gramas. A Logitech afinou a placa interna pra 0,7 mm pra absorver o volume extra, e essa é a parte do projeto mais legal, pois não foi só “imprimir” uma nova carcaça. Um mouse maior, mais alto, mais largo, e ainda assim do mesmo peso de uma versão que era referência em leveza.

Construção e acabamento aveludado

O chassi é o Logitech de sempre nesse segmento. Plástico bem encaixadinho, sem rangido quando aperto pelas laterais, sem barulho de peça solta quando você chacoalha ele loucamente. O plástico é ótimo como todos os modelos premium, tem bom grip, não gruda com o calor.

A Logitech sabe disso e mandou grip tape recortada na caixa. Eu não usei, porque pra mim não foi crítico, mas se você joga muito FPS competitivo e sua mão esquenta, vai querer instalar.

Os botões principais são o que você espera de um Superlight. Funcionam muito bem, têm um clique seco e direto graças aos switches ópticos LIGHTFORCE. Mais pro barulhento, mas esse mouse não tenta ser silencioso como o MX Master 3S e 4.

Na parte de baixo, a Logitech foi generosa nos pezinhos de PTFE. Peças grandes que cobrem boa parte da base, com anel ao redor do sensor e outro em volta da tampa magnética que esconde o dongle. Vem inclusive uma tampa alternativa coberta de PTFE pra quem quiser ainda mais deslize. Usei o tempo todo padrão, sem essa tampinha alternativa, e não senti necessidade de mais deslize.

As cores no Brasil são preto, branco e rosa fúcsia. Recebi a preta, que é a mais discreta. Sem RGB, sem firula, sem logo grande. Só um G prata e a palavra Superlight na lateral. Visual de equipamento de trabalho, do jeito que eu gosto. Quanto menos RGB, melhor!

Sensor e polling fazem o básico bem feito

Aqui não tem o que discutir. O HERO 2 entrega 44.000 DPI, 888 IPS, 88G de aceleração, polling de até 8 kHz nativo via LIGHTSPEED. Isso já é exagero pra praticamente todo mundo. Em uso real, joguei de Marathon a Battlefield 6, Apex a CS, Resident Evil a Space Marines. Passei por jogos com modo história, trabalhei em planilha gigante. O sensor não falha. Não tem smoothing, não tem aceleração estranha, não tem perda de rastreamento. Em FPS competitivo, com sensibilidade baixa, as flickadas saem onde tem que sair, quando a AWP não pega a culpa é do usuário mesmo.

O salto de polling pra 8 kHz é desses ganhos que só faz diferença em quem joga em monitor de 240 Hz pra cima e tem mão de pro player. Bem provável que a maioria dos jogadores não sinta essa diferença, mas ela tá lá.

A LIGHTSPEED segue impecável. Não tive uma desconexão sequer nesses meses, nem stutter, nem latência percebida.

Software e bateria

No G Hub você mexe em DPI, polling rate, mapeamento de botão, perfis por jogo, e está tudo onde deveria estar. Não trava, não fica abrindo aviso, não pede atualização toda hora. É um software sólido, que faz o que precisa fazer e some.

Bateria é onde o DEX brilha sem precisar de marketing. A Logitech promete 95 horas de uso contínuo e eu não vou fingir que cronometrei. O que posso dizer é que carrego o mouse de vez em nunca, mesmo usando ele como periférico principal de trabalho. Carga via USB-C na frente do mouse, então dá pra plugar e seguir usando como se fosse com fio, ou colocar pra carregar enquanto faz o almoço.

O que faz falta, sendo bem exigente

Não tem Bluetooth. Funciona só via dongle 2.4 GHz LIGHTSPEED. A Logitech corta o Bluetooth pra economizar peso e garantir consistência, eu entendo a lógica, mas alguns mouses, principalmente de marcas chinesas, já oferecem hoje a opção de uso com fio, via dongle 2.4 GHz e Bluetooth para até três dispositivos. Isso ajuda muito quando você tem vários dispositivos que precisam de mouse.

Não tem botão de DPI no corpo do mouse. Pra trocar sensibilidade, ou você passa pelo G Hub, ou remapeia um dos botões laterais. Quem joga jogo de tiro com diferentes contextos, uma sensibilidade pra correria e outra pra sniper, acaba sacrificando um botão útil. Pode fazer falta.

Preço no Brasil

Na data de publicação desta análise, encontramos o DEX a partir de R$ 736. É caro. Tá longe de ser um mouse barato ou custo-benefício. Mas ele não é esse mouse, ele é um mouse premium. Fica na prateleira dos melhores mouses da atualidade para jogar.

A pergunta de sempre cabe aqui: o que justifica esse preço? Bateria imensa, sensor preciso, LIGHTSPEED fantástico como sempre, suporte de software de empresa grande, construção de qualidade, ecossistema PowerPlay, peso super leve e ergonomia. Não justifica pra todo mundo. Mas tem bastante público.

Vale o DEX?

O DEX é uma recomendação fácil para quem tem mãos médias ou grandes, joga FPS ou simplesmente quer um mouse leve, confortável e ergonômico para uso intenso. Ele faz bastante sentido para quem trabalha e joga no mesmo setup, não quer alternar entre dois mouses e aceita pagar caro por um periférico que desaparece na rotina. O formato resolve o principal incômodo que o Superlight 2 padrão deixava em aberto: conforto em sessões longas, sem abrir mão do peso baixíssimo.

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Pra quem já tem o Superlight 2 padrão e está confortável, não troca. Não tem ganho real de performance, só mudança de ergonomia. Pra quem tem mão pequena, melhor experimentar antes ou olhar pro Superlight 2 normal, que é mais compacto. E pra quem está vindo de mouse de duzentos reais querendo entender se vale, eu seria honesto: vale, se não vai te fazer falta o dinheiro. É um salto considerável, mas não vai te fazer melhor em nenhum jogo.

NÍVEL DE RECOMENDAÇÃO: OURO

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Pedro Nogueira

Formado em Administração e em GunZ: The Duel. Rei dos FPS e o Toretto dos jogos de corrida no site. O nerd/entusiasta do PC Master Race. Saudades de quando jogos focavam em ser bons jogos.

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