Análise: Luna Abyss

Uma experiência que começa misteriosa e termina conquistando pela qualidade do conjunto

Leonardo Coimbra ·

Luna Abyss é um daqueles jogos que conseguem chamar atenção logo nos primeiros minutos, mas não necessariamente pelos motivos que você imagina. Misturando plataforma em primeira pessoa, combate frenético e elementos de bullet hell, o título aposta em uma proposta que não é exatamente comum dentro do gênero.

Nesta análise, vamos descobrir se essa combinação funciona na prática e se Luna Abyss consegue se destacar em meio a tantos jogos de ação que chegam ao mercado atualmente.

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Segredos enterrados sob a superfície da Lua

A história de Luna Abyss foi uma surpresa bastante positiva. Tudo começa de forma confusa e propositalmente misteriosa. Você assume o papel de uma prisioneira rapidamente identificada como Fawkes, confinada em uma instalação lunar sem compreender exatamente sua situação.

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Sua principal companhia é Aylin, uma gigantesca cabeça que é uma inteligência artificial e que atua como supervisora, guia e, em muitos momentos, praticamente uma carcereira onde irá garantir que cumpra sua pena de mais de nove mil dias. É através dela que começamos a entender o funcionamento daquela sociedade isolada e decadente.

Toda a aventura acontece em Luna, uma antiga colônia construída na Lua que foi abandonada após um desastre conhecido como Flagelo. O local foi consumido pela corrupção, por criaturas deformadas e por um sistema autoritário comandado por uma entidade enigmática chamada Pai de Todos.

Inicialmente, Fawkes é enviada para recuperar tecnologias perdidas nas profundezas dessa colônia esquecida. Porém, após o fim de sua primeira missão, ela perde seu corpo físico e passa a existir em uma forma etérea, ganhando uma nova liberdade para explorar os segredos daquele mundo.

A partir daí, Luna Abyss passa a revelar sua narrativa aos poucos. A estrutura lembra bastante a forma como jogos da franquia Souls contam suas histórias. Existem personagens importantes espalhados pelo mundo, documentos colecionáveis, registros antigos e inúmeras informações escondidas nos detalhes.

Pouco a pouco, o jogo responde perguntas importantes sobre o Pai de Todos, o Flagelo, os sobreviventes que ainda resistem e as forças que controlam aquele lugar. O resultado é uma narrativa que recompensa a curiosidade do jogador e se torna cada vez mais interessante conforme avançamos.

Outro ponto que merece destaque é a qualidade da dublagem. Os personagens possuem interpretações convincentes e conseguem dar ainda mais peso aos momentos mais importantes da trama.

Entre Destiny, Doom e um pesadelo espacial

Se existe um aspecto que impressiona imediatamente em Luna Abyss, é sua direção de arte. A sensação constante é de estar explorando uma versão corrompida de uma instalação futurista abandonada. Em vários momentos, o jogo lembra a atmosfera das raids de Destiny, misturando estruturas gigantescas, corredores industriais e construções monumentais que fazem o jogador parecer insignificante diante da escala daquele universo.

Ao mesmo tempo, a presença do Flagelo adiciona um elemento orgânico e perturbador que remete a produções como Alien. A corrupção toma conta das paredes, das máquinas e das criaturas que habitam o local, criando uma identidade visual bastante marcante.

Já durante os confrontos, algumas inspirações em Doom ficam evidentes. O contraste entre ambientes escuros e os inúmeros projéteis coloridos cortando a tela cria cenas visualmente impressionantes.

A iluminação merece uma menção especial. O uso constante de luzes vermelhas e azuis não apenas contribui para a ambientação como também ajuda na leitura dos cenários e na orientação do jogador.

Na parte sonora, Luna Abyss também apresenta um ótimo trabalho. A trilha acompanha bem os momentos de exploração, descoberta e narrativa, enquanto a dublagem ajuda a dar personalidade ao elenco.

Minha única ressalva fica para as músicas de combate. Elas funcionam, mas senti falta de algo mais agressivo e impactante para acompanhar a intensidade dos confrontos. Considerando a proposta frenética do gameplay, uma trilha mais próxima do que vemos em Doom teria reforçado ainda mais a identidade do jogo.

Quando plataforma e bullet hell se encontram

O gameplay de Luna Abyss é construído sobre dois pilares principais: exploração por plataforma e combate.

Durante boa parte da aventura, o jogador alterna constantemente entre esses dois elementos. Existem momentos totalmente focados em movimentação e precisão, enquanto outros colocam Fawkes diante de arenas repletas de inimigos e projéteis.

A progressão é muito bem estruturada. Inicialmente, você possui apenas uma arma básica e habilidades limitadas. Conforme avança, novas ferramentas passam a fazer parte do arsenal. Entre elas estão uma escopeta capaz de quebrar determinados tipos de escudo, um escudo defensivo para absorver projéteis, dash, pulo duplo e diversas melhorias relacionadas à resistência, velocidade e poder de fogo.

Essas habilidades não servem apenas para combate. O jogo constantemente utiliza cada novo recurso para expandir a exploração dos cenários, criando uma estrutura repleta de desafios, pulos de precisão e recompensa o jogador com segredos e melhorias.

O mais interessante é que Luna Abyss raramente se contenta em trabalhar apenas um elemento por vez. Conforme a aventura avança, os desafios passam a combinar plataforma, puzzles, movimentação avançada e combate simultaneamente.

Em determinado momento você está executando um salto preciso sobre plataformas que desaparecem. No instante seguinte, precisa atravessar barreiras utilizando o dash enquanto desvia de dezenas de projéteis e administra inimigos com diferentes tipos de escudo. Tudo isso cria uma curva de aprendizado extremamente satisfatória.

Outro destaque são os chefes. O jogo demora um pouco para mostrar suas cartas, mas quando o desafio realmente começa, ele não faz concessões. Os confrontos exigem atenção constante, domínio da movimentação e uso inteligente de todas as habilidades adquiridas ao longo da campanha. É justamente nessa reta mais avançada que Luna Abyss mostra toda a qualidade do seu design.

Um desafio que cresce junto com o jogador

Apesar de começar de maneira relativamente acessível, Luna Abyss aumenta gradativamente sua complexidade sem parecer injusto.

Novas armas, novos inimigos e novas mecânicas são introduzidos de forma natural, permitindo que o jogador absorva cada conceito antes que o jogo exija sua aplicação em situações mais extremas.

Essa progressão bem construída faz com que os desafios mais difíceis pareçam uma consequência natural da jornada, e não apenas um aumento artificial de dificuldade.

Luna Abyss vale a pena?

Luna Abyss com certeza foi uma grata surpresa. Seu universo misterioso, a excelente direção de arte, a construção gradual da narrativa e a combinação entre plataforma e combate criam uma experiência bastante única. O jogo consegue unir influências que remetem a Destiny, Doom e até elementos narrativos inspirados nos Soulslike sem parecer uma simples mistura de referências.

Mais importante do que isso, ele consegue transformar essas inspirações em algo com identidade própria. A campanha cresce constantemente em qualidade, os desafios se tornam cada vez mais interessantes e o sistema de progressão incentiva a exploração e o domínio das mecânicas.

Com exceção de uma trilha de combate que poderia ser mais marcante, é difícil encontrar grandes problemas na experiência oferecida.

Para quem gosta de jogos desafiadores, bullet hells, plataformas em primeira pessoa e mundos repletos de mistérios, Luna Abyss é uma recomendação fácil.

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90 Nota

Luna Abyss

Imperdível

Luna Abyss combina plataforma em primeira pessoa, combate bullet hell e uma narrativa repleta de mistérios em uma experiência extremamente consistente. Com direção de arte marcante, excelente ambientação e desafios cada vez mais elaborados, o jogo se destaca como uma das surpresas mais agradáveis do gênero.

Desenvolvedor Kwalee
Publicadora Kwalee
Lançamento 21/05/2026
Plataformas Xbox Series X|S, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5
Plataforma jogada PS5
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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