AnálisesNintendoReviews 7 min de leitura

Análise: Yoshi and the Mysterious Book

Como Yoshi Reinventou seu Charme em "The Mysterious Book"

Bruno Degering ·

A fórmula dos jogos de plataforma da Nintendo costuma operar em um terreno de reconfortante familiaridade. Você entra no jogo sabendo exatamente o que esperar: correr para a direita, saltar abismos, desviar de vilões e alcançar a bandeira final. É um clássico atemporal.

Por isso, Yoshi and the Mysterious Book surge como um estalo de pura audácia. Em vez de seguir a cartilha tradicional, o novo título para o Switch 2 vira o tabuleiro e faz uma pergunta: e se transformássemos o Yoshi em uma espécie de cientista focado em catalogar a fauna de um livro mágico?

Esqueça a progressão linear. O foco aqui não é chegar ao fim, mas sim bagunçar as páginas de um ecossistema para ver como ele reage. É uma desconstrução corajosa que puxa para o território dos puzzle games de exploração, entregando uma das experiências mais refrescantes e originais da franquia em anos – se falarmos de jogos mais focados no público infantil.

Siga no TelegramReceba as principais notícias direto no seu Telegram.
Entrar no canal

Uma Sabotagem Literária na Biblioteca de Bowser

A trama tem aquela leveza clássica da Nintendo, mas dita o ritmo de tudo o que vem a seguir. Nos confins do castelo de Bowser, o jovem Bowser Jr. topa com um tomo empoeirado e peculiar, que ostenta um bigode espesso na capa. Trata-se de Professor N, um livro enciclopédico que guarda os registros de criaturas fantásticas. Ao usar o monóculo do livro para investigar as páginas mais de perto, Bowser Jr. é sugado para dentro da obra, sofrendo um acidente com seu jipe-coptero.

O livro vai parar nas mãos dos Yoshis coloridos. Ao acordar, Professor N percebe que toda a sua memória visual e seus textos sumiram. Ele não consegue mais ler a si mesmo. Curiosos e prestativos por natureza, os Yoshis assumem a missão de saltar para dentro dos biomas contidos nas páginas para interagir, estudar e catalogar cada ser vivo, reconstruindo a enciclopédia do zero.

Esqueça a Corrida, Foque na Descoberta

O fluxo de jogo de Yoshi and the Mysterious Book abandona o conceito de ir do ponto A ao ponto B. Cada nível é, na verdade, o habitat de uma criatura específica dentro de um capítulo ou bioma. Você entra nesse sandbox compacto com um objetivo central: experimentar. O ciclo funciona de forma simples: você interage com a criatura, aplica estímulos ambientais ou frutas e descobre uma nova entrada no livro.

A morte não é uma preocupação aqui, e o combate perdeu o papel de destaque. Sua missão é descobrir reações orgânicas. Para isso, o arsenal de comandos do Yoshi como engolir, atirar ovos, dar a famosa bundada, ganha o reforço de uma mecânica excelente: a capacidade de pular nas costas de outras criaturas ou carregá-las.

Yoshi and the Mysterious Book analise 2

O game não te pega pela mão, e os momentos eureca surgem de forma totalmente orgânica. Você joga um besouro com bico de broca contra a parede e descobre que ele se enterra, virando uma plataforma improvisada. Ao jogar o mesmo besouro em alvos espalhados pelo cenário, nota que ele busca o centro do alvo de forma magnética. Os sapos soltam bolhas que fazem outras criaturas flutuarem ou até mesmo seu Yoshi para alcançar novas plataformas pelo mapa. Cada uma dessas interações gera uma micro-notação na página do livro e te premia com estrelas.

Ao final da expedição, você ainda pode batizar a criatura com o nome que quiser ou deixar o livro escolher por você – eu sempre recomendo a primeira!

Aproveite e compre oshi and the Mysterious Book em nossa parceira Nuuvem

O Tabuleiro de Variáveis de Professor N

A profundidade do game se revela quando o design introduz modificadores ambientais. Espalhar pimenta, mel ou lama pelos cenários altera o comportamento dos bichos. Dê uma pimenta a um réptil planador e ele ganhará uma turbina de fogo; alimente o besouro-broca com o mesmo condimento e ele se transformará em um míssil balístico destruidor de barreiras.

Além disso, o jogo incentiva o backtracking de forma inteligente. Ao avançar, espécies começam a aparecer em biomas antigos, abrindo novas formas de resolver quebra-cabeças que antes exigiam muito mais esforço.

Se você ficar empacado, o jogo oferece uma bússola justa: uma mancha de tinta viva viaja pelas páginas de Professor N apontando por partes incompletas. Resolver esses palpites rende moedas especiais, que servem para comprar ferramentas avançadas de exploração no pós-jogo, como radares de proximidade e medidores de qualidade de descoberta, permitindo que você configure sua interface de usuário como um verdadeiro cientista de campo.

O Poder do Switch 2 e a Beleza de Yoshi and the Mysterious Book

Visualmente, o título é bem bonito. O hardware do Switch 2 permite uma nitidez absurda que mescla texturas de giz de cera, traços a lápis e fundos pastéis com uma animação que simula perfeitamente a técnica de stop-motion. Ver a vegetação do livro reagir aos passos do Yoshi parece uma animação interativa de alta qualidade. Tudo roda com uma fluidez impecável e sem engasgos de performance, evidenciando o capricho milimétrico de otimização da Nintendo para seu sistema.

Uma adição fantástica e muito bem-vinda para o nosso mercado é a presença de legendas e menus totalmente em português do Brasil. A localização está inspiradíssima, adaptando piadas, trocadilhos e os nomes sugeridos para as criaturas com aquela malandragem saudável que torna a leitura de Professor N uma parte muito legal da experiência de jogo.

Por outro lado, é importante notar a ausência de um modo cooperativo. Estranhamente, o game não traz suporte para dois jogadores na campanha principal, quebrando o histórico recente de Woolly World e Crafted World. É provável que a liberdade total de movimentação em arenas de puzzle tenha pesado contra a divisão de tela, mas uma mecânica de suporte secundário, no estilo de Super Mario Odyssey ou Bananza, faz falta para quem gosta de jogar acompanhado dos filhos ou amigos.

Conclusão de Yoshi and the Mysterious Book

Yoshi and the Mysterious Book é um experimento adorável e de altíssimo nível. Entre as principais vantagens, destacam-se a direção de arte primorosa em 2.5D, o sistema de jogabilidade focado em experimentação pura, um conteúdo pós-créditos bastante robusto e uma excelente localização para o nosso idioma. Em contrapartida, as únicas desvantagens ficam por conta do ritmo sem pressão que pode afastar quem buscava um jogo de plataforma tradicional e a falta de um modo cooperativo.

No fim das contas, o título troca a pressa dos cronômetros e a tensão dos abismos pelo prazer de resolver um bom passatempo no seu próprio ritmo. Sua estrutura de descobrir o que fazer testando certamente vai dividir os puristas que esperavam um sucessor direto de Yoshi’s Island, mas aceitar o jogo pelo que ele propõe revela um design brilhante, recheado de frescor do primeiro ao último capítulo. É um abraço em forma de videogame, feito sob medida para quem gosta de ser instigado pela curiosidade e também para aqueles que procuram sua primeira experiência com video-games.

NewsletterReceba as últimas notícias de games no seu email.
86 Nota

Yoshi and the Mysterious Book

Excelente

Yoshi and the Mysterious Book troca a correria e a tensão das plataformas tradicionais pelo prazer de desvendar um ecossistema vivo no seu próprio ritmo. Embora sua estrutura focada em experimentação possa dividir os puristas, o título revela um design brilhante, fresco e sem punições que funciona tanto como um abraço aos veteranos quanto como uma porta de entrada ideal para iniciantes. É uma jornada cativante feita sob medida para quem se deixa guiar pela curiosidade.

Desenvolvedor Good-Feel
Publicadora Nintendo
Lançamento 21/05/2026
Plataformas Nintendo Switch 2
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora
Onde comprar

Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.

Deixe um comentário