Preview | Sword Art Online: Echoes of Aincrad

Leonardo Coimbra ·

Um novo começo dentro de Aincrad

Graças à Bandai Namco, tivemos a oportunidade de jogar cerca de três horas de Sword Art Online: Echoes of Aincrad, novo capítulo da franquia inspirado diretamente no arco mais icônico da série. E a primeira grande surpresa é justamente a sua proposta: pela primeira vez, o jogador não assume o papel de Kirito.

Em vez disso, criamos nosso próprio personagem e acompanhamos uma nova jornada ambientada nos primeiros momentos do lançamento de Sword Art Online. A ideia funciona quase como um reboot dentro da franquia, retornando às origens de Aincrad e colocando o jogador no centro dos acontecimentos. Neste preview de Echoes of Aincrad, vamos contar como foi essa experiência inicial e o que o jogo parece estar preparando para sua versão final.

Vivendo Aincrad pelos olhos de outro personagem

A demonstração de Echoes of Aincrad foi dividida em três momentos distintos da aventura. A Bandai disponibilizou dois saves avançados além do prólogo, permitindo conferir tanto os primeiros acontecimentos da trama quanto partes mais avançadas da progressão dos personagens.

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No início, Sword Art Online ainda é tratado como um MMORPG em fase beta. Durante uma dungeon introdutória, nosso personagem faz amizade com outro jogador enquanto participa dos testes do jogo. O clima é exatamente o que se espera de um MMO: grupos improvisados, jogadores colaborando entre si, alguns tentando ajudar e outros criando problemas pelo caminho.

Após os eventos iniciais, a história entra no cenário conhecido pelos fãs da obra. Os jogadores descobrem que estão presos dentro de Aincrad e que a única forma de escapar é concluir o jogo até seu último andar. A partir daí, o grupo principal decide seguir em frente em vez de permanecer aguardando uma solução milagrosa.

O que mais chamou atenção em Echoes of Aincrad foi justamente a ausência de Kirito como protagonista. A mudança dá uma sensação diferente à narrativa e aproxima o jogador da experiência de ser apenas mais um aventureiro preso naquele mundo. Ao longo do tempo, novos aliados entram e saem da equipe, criando uma dinâmica que lembra bastante a franquia .hack, onde amizades e grupos são formados naturalmente durante a jornada.

Por outro lado, existe uma escolha de design que incomoda um pouco: o protagonista é completamente silencioso. Enquanto todos os personagens possuem voz, personalidade e participam ativamente das conversas, nosso avatar se limita a poucas opções de resposta e gestos simples. É uma decisão que acaba criando certa distância entre o jogador e a narrativa.

Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre a história de Echoes of Aincrad, mas a proposta inicial parece promissora e respeita bem os conceitos que tornaram Sword Art Online popular.

Um MMO amplo, bonito e familiar

Visualmente, Echoes of Aincrad passa uma boa impressão logo nos primeiros minutos. O mundo possui áreas extensas, dungeons grandes e cenários que ajudam a transmitir a sensação de estar dentro de um MMORPG de grande escala.

Durante o período de testes, foi possível visitar regiões bastante diferentes entre si. Uma delas possui florestas e pequenas vilas, enquanto outra aposta em uma ambientação mais desértica. Os ambientes são agradáveis de explorar e contam com inimigos espalhados pelo mapa, reforçando a ideia de um mundo vivo.

Ao mesmo tempo, existe uma sensação constante de que alguns espaços poderiam ser mais densos. Em determinados momentos, os cenários parecem grandes demais para a quantidade de atividades presentes, criando uma leve impressão de vazio.

A dublagem também merece destaque. Todos os personagens possuem vozes bem interpretadas e ajudam a construir suas personalidades. O problema é que os companheiros comentam praticamente tudo o que acontece ao redor. Encontrou um baú? Eles comentam. Viu um lobo? Eles comentam. Encontrou outro lobo? Comentam novamente. Nas primeiras horas isso ajuda a dar vida ao mundo, mas rapidamente se torna repetitivo e exaustivo.

Combates simples de entender e fiéis ao universo da série

O sistema de combate segue a lógica apresentada na própria lore de Sword Art Online. Como estamos nos primeiros estágios do jogo original, não existem magos ou classes focadas em ataques à distância.

Todas as armas em Echoes of Aincrad são voltadas para combate corpo a corpo. Espadas de uma mão, espadas pesadas, adagas, foices, martelos e machados compõem o arsenal disponível.

Cada categoria segue o comportamento esperado onde armas leves oferecem mais velocidade, enquanto armas pesadas causam mais dano ao custo de movimentos mais lentos.

O jogador pode personalizar habilidades, realizar esquivas, utilizar golpes especiais e enfrentar chefes que exigem mais atenção aos padrões de ataque. A estrutura geral lembra bastante MMORPGs tradicionais, com coleta de equipamentos, progressão de níveis, aprimoramento de atributos e batalhas cada vez mais complexas.

Uma característica curiosa é que novos equipamentos só podem ser equipados ao retornar para a base. Isso significa que encontrar uma arma melhor durante uma exploração não gera benefício imediato. Na prática, a decisão quebra um pouco o ritmo da aventura e cria uma vontade constante de interromper a missão para retornar ao centro de operações.

Outro pequeno problema está na coleta de recursos. Existem muitos itens espalhados pelo cenário e cada um exige uma interação individual. Depois de algum tempo, fica difícil não sentir falta de uma opção de coleta automática.

Apesar dessas ressalvas, o combate transmite uma sensação agradável de fluidez. As batalhas contra chefes conseguem entregar o senso de escala esperado de Sword Art Online, especialmente quando enfrentamos criaturas muito maiores que o grupo.

Uma estreia tecnicamente sólida

Esta versão de testes foi jogada no meu PC que possui um Ryzen 7 5800X, 32 GB de memória DDR4 e uma RTX 4070 Super, em resolução 1440p.

Durante praticamente toda a experiência, o desempenho foi bastante estável. Com as configurações no máximo, e sem uso de upscaler, o jogo manteve um FPS médio de 80 quadros por segundo sem grandes dificuldades.

A única queda perceptível ocorreu durante a área inicial da cidade principal, onde centenas de NPCs ocupavam simultaneamente a tela para transmitir a sensação de lançamento do jogo. Nessa situação específica, a taxa de quadros chegou à faixa dos 50 FPS.

Fora isso, não foram encontrados problemas técnicos relevantes. Também não houve bugs significativos que comprometessem a experiência, indicando que o projeto já parece relativamente polido mesmo antes do lançamento.

Sword Art Online: Echoes of Aincrad começa bem

Depois dessas primeiras horas, Sword Art Online: Echoes of Aincrad deixou uma impressão positiva.

A decisão de abandonar o protagonismo de Kirito e colocar o jogador no centro da experiência foi um acerto. O mundo apresentado de Echoes of Aincrad é interessante, o combate funciona bem, a ambientação convence e o desempenho técnico já demonstra um bom nível de otimização.

Ao mesmo tempo, ainda existem algumas dúvidas. O protagonista silencioso dificulta a conexão com a narrativa, enquanto a sensação de um mundo ocasionalmente vazio e os diálogos repetitivos dos companheiros podem se tornar mais perceptíveis ao longo de uma campanha extensa.

Mesmo assim, para quem gosta da franquia ou de RPGs inspirados em MMORPGs, Echoes of Aincrad já mostra potencial para se tornar um dos jogos mais interessantes da série. O saldo inicial é positivo e certamente aumentou a curiosidade para conferir a versão completa quando ela chegar ao mercado no dia 10 de Julho para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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