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Pokémon Go: Scans de jogadores agora treinam drones militares; entenda

Tecnologia de posicionamento visual baseada em bilhões de registros do jogo é integrada a softwares de defesa dos Estados Unidos.

Bernardo Cortez ·

A integração entre Pokémon Go e o setor de defesa

Pokémon Go serviu como base para a coleta de aproximadamente 30 bilhões de escaneamentos ambientais que agora estão sendo utilizados por uma contratante de defesa dos Estados Unidos. Segundo o portal Trouw, os dados, capturados por centenas de milhões de jogadores ao redor do mundo, ajudaram a treinar um modelo de navegação baseado em câmeras que a Niantic Spatial está preparando para implementar em drones e outros robôs militares. A maioria dos usuários que forneceu as imagens não tinha conhecimento do destino final dessas informações.

O processo de transformação dos dados do jogo em ferramentas de campo de batalha ocorreu em etapas distintas. Inicialmente, os jogadores realizaram o escaneamento do mundo físico em troca de recompensas dentro do aplicativo. A Niantic Spatial transformou esses registros em um mapa 3D detalhado que permite que uma máquina se localize visualmente em cenários onde sinais de satélite falham. Em dezembro de 2025, a Niantic Spatial anunciou uma parceria com a Vantor, empresa de inteligência anteriormente conhecida como Maxar Intelligence, para fundir esse sistema de solo com softwares de navegação aérea para operações sem GPS.

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Funcionamento do sistema de posicionamento visual

Diferente do GPS tradicional, que depende de sinais de satélite, o Sistema de Posicionamento Visual (VPS) identifica a localização de uma câmera ao comparar o que ela vê com um modelo 3D do ambiente. De acordo com informações publicadas pelo jornal, bastam alguns pontos de referência reconhecíveis para fixar a localização com precisão. Este método é ideal para robôs que operam em cidades densas ou zonas de guerra onde os sinais de rádio são deliberadamente bloqueados por unidades de guerra eletrônica.

A parceria com a Vantor une dois sistemas de posicionamento em um único framework. Enquanto a Niantic Spatial gerencia a localização no solo, o software Raptor da Vantor executa a mesma tarefa no ar. A integração permite que um drone e um operador em solo compartilhem as mesmas coordenadas em tempo real sem qualquer link de satélite. Testes de campo para o sistema integrado estão previstos para o início de 2026, visando o uso em drones autônomos, veículos terrestres e óculos de realidade aumentada militar.

Privacidade e o uso de dados de jogadores

Desde 2021, Pokémon Go solicita que os jogadores gravem vídeos curtos de locais reais, chamados Pokéstops, para obter itens extras. Embora o escaneamento fosse opcional, os termos de serviço concediam à Niantic uma licença transferível e sublicenciável. Isso permitiu que a empresa revendesse ou compartilhasse a base de imagens com terceiros, incluindo setores de defesa e inteligência. Relatos de jogadores indicam que muitos realizaram escaneamentos inclusive dentro de ambientes privados, como apartamentos, sem prever que a tecnologia seria aplicada em armamentos.

A Vantor declarou que não utilizará os dados brutos do jogo diretamente, mas se recusou a confirmar se o modelo de inteligência artificial que planeja implantar foi treinado com esses escaneamentos no passado. A Niantic Spatial confirmou anteriormente que os dados dos jogadores foram usados para treinar uma versão inicial de seu modelo de navegação. Especialistas em ética de dados apontam que, uma vez que uma imagem é incorporada ao treinamento de uma IA, torna-se quase impossível rastrear ou remover sua contribuição específica do sistema final.

Histórico da Niantic e conexões governamentais

A relação entre a Niantic e agências de inteligência não é inédita. A empresa surgiu a partir da Keyhole, uma firma de dados geográficos que recebeu financiamento da In-Q-Tel, o braço de capital de risco da CIA, em 2003. A tecnologia da Keyhole foi utilizada para apoiar tropas americanas durante a Guerra do Iraque antes de ser adquirida pelo Google e servir de base para o Google Maps e o Street View.

Em 2025, a estrutura da Niantic foi dividida. A Scopely, de propriedade do fundo soberano da Arábia Saudita, adquiriu o braço de jogos por 3,5 bilhões de dólares em um acordo fechado no final de maio. Enquanto isso, a plataforma tecnológica de mapeamento tornou-se a Niantic Spatial, focada em soluções de posicionamento para robótica e defesa. Essa divisão separou os lucros gerados pelos jogadores da propriedade intelectual do mapa global, que agora segue o caminho de contratos militares de segurança nacional.

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Bernardo Cortez

Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.

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