Crise interna na Quantic Dream interrompe produção
Os funcionários da Quantic Dream iniciaram uma greve na sede da empresa em Paris contra o plano da diretoria de demitir 115 colaboradores, o que representa uma fatia significativa da força de trabalho do estúdio. Segundo reportagem do Gamekult, o movimento sindical foi motivado pelo anúncio de cortes severos após o encerramento prematuro de Spellcasters Chronicles, título focado em serviço que falhou em atrair público durante o período de acesso antecipado, atingindo um pico de apenas 888 jogadores simultâneos antes de ser desativado.
A paralisação ocorre em um momento estratégico, coincidindo com a visita de uma delegação da Lucasfilm aos escritórios da Quantic Dream. Os representantes da licenciadora estão no local para revisar o progresso de Star Wars Eclipse, projeto que, de acordo com os desenvolvedores grevistas, enfrenta sérios problemas de cronograma, falta de visão criativa e escassez de recursos técnicos.
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Impacto direto no desenvolvimento de Star Wars Eclipse
Os desenvolvedores envolvidos na produção afirmam que a demissão dos 115 funcionários tornaria o desenvolvimento de Star Wars Eclipse inviável. O grupo alega que esses profissionais são essenciais para a continuidade do projeto e que a redução do quadro de funcionários levaria ao colapso da produção. Relatos indicam que a diretoria da Quantic Dream implementou regimes de horas extras obrigatórias apenas algumas horas após comunicar as demissões, na tentativa de compensar a falta de pessoal com a sobrecarga dos que permanecerem.
A desorganização interna é apontada como a principal causa da ausência de novidades sobre o jogo desde sua revelação em 2021. O sindicato STJV, que lidera a mobilização, afirma que o plano de demissões pode ser considerado ilegal pelas autoridades francesas, o que poderia arrastar as negociações por meses e atrasar ainda mais o cronograma de entrega para a Lucasfilm.
Cultura de trabalho e relação com a NetEase
Os depoimentos colhidos no local da greve descrevem uma cultura de gestão verticalizada, onde decisões técnicas e criativas são tomadas exclusivamente pela cúpula da empresa, muitas vezes descartando semanas de trabalho dos desenvolvedores sem aviso prévio. Funcionários relatam que a comunicação é dificultada pela gestão, que estaria impedindo o contato direto entre a equipe de desenvolvimento e os executivos da NetEase, empresa que adquiriu o estúdio em 2022.
Apesar de a NetEase ter encerrado outros projetos globais nos últimos meses, os relatos indicam que a decisão pelas demissões partiu da liderança local da Quantic Dream, e não de uma ordem direta da proprietária chinesa. David Cage e a diretoria estariam utilizando o risco de falência do estúdio, caso o contrato com a Lucasfilm seja rescindido, como forma de pressionar os empregados a encerrarem a paralisação e aceitarem as condições impostas.
Caminhos para a resolução do conflito
No momento, as negociações entre o sindicato e a diretoria estão em um impasse. Existem duas vias principais para a resolução do conflito: a rejeição do plano de demissões pelas autoridades trabalhistas francesas, o que forçaria a manutenção dos empregos mas manteria a instabilidade financeira, ou a assinatura de um acordo que limite o número de demissões em troca de concessões laborais para tentar salvar o desenvolvimento de Star Wars Eclipse.
O apoio à greve se estendeu a outros estúdios franceses de renome, com funcionários da Ubisoft, Don’t Nod, Gameloft e Amplitude manifestando solidariedade aos colegas da Quantic Dream. A situação permanece tensa e o resultado das conversas com a Lucasfilm nesta semana deve ditar se o ambicioso projeto no universo de Star Wars continuará em produção ou se entrará em um hiato indefinido devido à crise institucional.
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