Jaspion no mundo dos Video Games
A trajetória de Jaspion nos games é curiosa. Diferente de franquias como Power Rangers ou Kamen Rider, que possuem dezenas de títulos oficiais, o herói prateado teve poucas aparições formais, mas uma presença vibrante no cenário independente e de mods brasileiros.
Kyojuu Tokusou Juspion (Famicom)
O único jogo oficial de sua época de lançamento foi o título para o Famicom (o NES japonês) em 1986. Desenvolvido pela Bandai, o jogo alternava entre fases de plataforma lateral com Jaspion e batalhas de robôs gigantes com Daileon. Embora simples para os padrões atuais, é um item de colecionador raríssimo e a primeira experiência interativa que os fãs puderam ter com o herói.
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Jaspion The Game: O renascimento nos 16 bits
A falta de jogos oficiais para consoles como Mega Drive e Super Nintendo foi suprida pela paixão dos desenvolvedores brasileiros. O projeto Jaspion The Game, encabeçado pelo desenvolvedor Rafael Souza, tornou-se lendário. Utilizando a engine OpenBOR, o jogo emula a estética dos 16 bits com uma fidelidade impressionante. Nele, os jogadores podem controlar Jaspion em um beat ‘em up clássico, enfrentando as hordas de soldados e monstros de Satan Goss. O título inclui a trilha sonora original digitalizada e até mesmo a transformação em Daileon para chefes colossais.

Gaibin Jet e o cenário Mobile
Mais recentemente, o cenário mobile recebeu o título Gaibin Jet. Desenvolvido pela Playtronic, o game foca nas batalhas aéreas utilizando a nave de Jaspion. Com uma jogabilidade arcade de ‘navinha’ (shmup), o jogo atualizado em 2025 traz novos layouts e fases que desafiam o jogador a destruir as naves do império galáctico, contando com a ajuda espiritual do Profeta Edin. É uma homenagem simples, porém viciante, à tecnologia do herói.

Berebegan Katabanga!: O esforço independente
Outro título que ganhou destaque na comunidade brasileira foi o ambicioso Berebegan Katabanga!. Este projeto independente nasceu com o objetivo de criar uma experiência definitiva do herói, misturando elementos de RPG e ação. O nome, inspirado em um dos gritos de comando da série, reflete o carinho profundo que os desenvolvedores nacionais têm pela obra. O jogo destaca-se pelo uso de sprites customizados que replicam fielmente as coreografias de luta vistas na TV Manchete.

Uma lenda que transcende gerações
Hoje, 2 de julho de 2026, o mundo do entretenimento e a cultura pop brasileira estão em luto. Hikaru Kurosaki (nascido Seiki Kurosaki), o eterno intérprete do herói espacial Jaspion, faleceu aos 64 anos. Para muitos, Kurosaki não era apenas um ator; ele era a personificação da justiça, da coragem e de uma era de ouro da televisão brasileira que moldou o caráter e o imaginário de milhões de crianças nos anos 80 e 90.
Embora no Japão a série Kyojuu Tokusou Juspion (Investigador de Monstros Gigantes Juspion) tenha tido uma recepção moderada, no Brasil ela se tornou um fenômeno sem precedentes. Jaspion foi o catalisador do “Boom do Tokusatsu” em terras tupiniquins, abrindo portas para Changeman, Flashman, Jiraiya e tantos outros que vieram na esteira do sucesso da extinta Rede Manchete em 1988.
O fenômeno Jaspion na TV Manchete
A chegada de Jaspion ao Brasil foi quase um acidente do destino. Trazido pela Everest Vídeo de Toshihiko Egashira, o herói de armadura prateada conquistou o público com uma mistura de aventura espacial, trilha sonora vibrante e, claro, o icônico Gigante Guerreiro Daileon. A luta contra o império de Satan Goss e seu filho MacGaren (interpretado pelo lendário dublê Junichi Haruta) elevou o nível das produções de ação para a época.
O impacto cultural foi tão profundo que Jaspion superou a audiência de programas consolidados de outras emissoras. Bonecos, lancheiras, discos e álbuns de figurinhas inundaram as lojas. O herói se tornou parte da identidade brasileira, a ponto de o próprio Hikaru Kurosaki reconhecer, em entrevistas posteriores, que o carinho recebido do Brasil era algo que ele nunca havia experienciado em sua terra natal. Kurosaki, após o papel, focou em sua carreira como dublê e instrutor de mergulho, mas nunca esqueceu o peso de sua armadura Metaltex.
O mangá brasileiro: O Regresso de Jaspion
O amor pelo personagem no Brasil é tão grande que, décadas após o fim da série, a Editora JBC, em parceria com a Sato Company e a Toei Company, lançou um mangá inédito produzido inteiramente em solo nacional. Intitulado O Regresso de Jaspion, a obra foi escrita por Fabio Yabu e ilustrada por Michel Borges.
A história serve como uma continuação direta dos eventos da série de TV, contextualizando o retorno de Jaspion à Terra para enfrentar uma nova ameaça ligada à bruxa galáctica Kilmaza. O mangá não apenas respeita o legado original, mas moderniza o visual e a narrativa, sendo premiado e aclamado como um dos melhores exemplos de como revitalizar uma franquia clássica com DNA brasileiro. A arte de Borges capturou com perfeição as expressões de Kurosaki, imortalizando o ator nas páginas dos quadrinhos.

Um herói para a eternidade
Com o lançamento do Nintendo Switch 2 em 2025, houve um clamor por uma coletânea oficial ou um novo título no estilo ‘retro-moderno’ (como TMNT: Shredder’s Revenge) para celebrar os 40 anos da franquia. Embora a morte de Hikaru Kurosaki hoje traga um sentimento de tristeza profunda, seu legado está mais vivo do que nunca. Jaspion provou que heróis não morrem, eles se tornam memórias eternas guardadas em fitas VHS, páginas de mangá e códigos de games independentes.
Que possamos sempre lembrar de Kurosaki ao ouvirmos os primeiros acordes de “Come on Boy”. O Campeão da Justiça completou sua missão terrena e agora viaja entre as estrelas, no Daileon eterno, rumo ao horizonte da nossa eterna nostalgia. Descanse em paz, Hikaru Kurosaki.
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