Tivemos acesso, graças à SEGA, ao teste fechado de rede de Crazy Taxi World Tour, uma sessão voltada principalmente ao multiplayer e à estabilidade da conexão. Isso acabou trazendo uma situação curiosa: apesar de termos realizado diversas partidas, não conseguimos encontrar nenhum outro jogador humano, disputando todas elas contra a CPU. Portanto, a parte relacionada ao funcionamento do multiplayer online propriamente dito ficará para uma próxima oportunidade.
Ainda assim, o teste permitiu experimentar dois dos modos disponíveis e entender melhor a proposta dessa nova versão de Crazy Taxi. Para quem não conhece a franquia, estamos falando de uma série originalmente lançada nos arcades há cerca de duas décadas, baseada em uma ideia extremamente simples de pegar passageiros, levá-los ao destino o mais rápido possível e fazer isso enquanto você transforma o trânsito em uma verdadeira zona.
Essa simplicidade sempre foi parte da identidade de Crazy Taxi, acompanhada por uma trilha sonora de rock bastante característica. E, pelo que foi possível experimentar neste teste, Crazy Taxi World Tour entende muito bem que não precisa abandonar essas raízes para atualizar a fórmula.



Dois modos e muito caos
O primeiro modo coloca seis carros para disputar uma corrida em um mapa mais aberto. Cada jogador precisa pegar seus passageiros e levá-los aos respectivos destinos, enquanto tenta chegar antes dos adversários. Isso cria uma disputa bastante direta, com ultrapassagens, colisões e muita confusão pelas ruas.
A diferença é que esse modo não parece reproduzir completamente a lógica clássica da franquia. Embora o tempo continue sendo importante para a dinâmica da corrida, o teste não apresentou o mesmo sistema de avaliação baseado na satisfação dos passageiros ou na eficiência de cada entrega. Na prática, o objetivo é terminar primeiro, independentemente de você ter realizado as entregas de maneira mais ou menos eficiente.
O segundo modo é ainda mais caótico. Aqui temos quatro taxistas contra dois carros de polícia, em uma espécie de jogo de gato e rato. Os taxistas precisam continuar pegando e entregando passageiros enquanto os policiais tentam persegui-los e causar colisões para atrapalhar suas entregas. Também é possível transportar dois passageiros simultaneamente em trajetos mais curtos, o que acrescenta uma camada interessante à correria.
São propostas diferentes, mas que compartilham a mesma característica: ambas funcionam melhor como experiências rápidas e caóticas do que como modos nos quais provavelmente passaremos horas seguidas. O mapa maior favorece a disputa entre os taxistas, enquanto o cenário mais fechado da perseguição entre polícia e táxis concentra ainda mais a ação.

A nostalgia está nos detalhes de Crazy Taxi World Tour
Visualmente, Crazy Taxi World Tour foi provavelmente o aspecto que mais me agradou neste primeiro contato. O jogo busca claramente reproduzir a identidade visual que ficou associada ao clássico, com uma paleta de cores vibrante, animações exageradas e ruas movimentadas. Não se trata apenas de trazer o nome da franquia de volta. Existe uma preocupação em preservar a memória visual que tornou Crazy Taxi reconhecível.
A trilha sonora segue exatamente o mesmo caminho. Logo na primeira corrida, fui recebido por uma música do The Offspring, e o teste mostrou a presença de outras bandas que representam muito bem aquela mistura de rock dos anos 1990 e início dos anos 2000, como Bad Religion. É uma escolha que conversa diretamente com a identidade da série e ajuda bastante a construir essa sensação de retorno ao passado.
Isso combina com a própria estrutura do jogo. Crazy Taxi World Tour não parece interessado em transformar a franquia em algo mais complexo ou profundo do que ela precisa ser. A proposta continua sendo entregar uma experiência rápida, agressiva e divertida, mantendo a veia arcade que sempre esteve no coração da série.

Direção arcade com algumas novidades
O teste disponibilizou dois mapas. Um deles é ambientado na costa oeste e remete bastante à São Francisco do jogo original, enquanto o outro leva a disputa para uma região da Alemanha próxima a uma catedral. Os cenários apresentam diferenças interessantes entre áreas mais abertas e outras mais fechadas, além de variações na quantidade de trânsito e espaço disponível para condução.
A pilotagem também funciona bem dentro dessa proposta arcade. Os carros respondem de maneira ágil e deixam claro que Crazy Taxi World Tour não está tentando reproduzir uma experiência realista de direção. Porém, uma diferença que senti em relação ao clássico está justamente no trânsito. Nos dois modos disponíveis, os outros veículos parecem muito mais frágeis e menos punitivos, permitindo atravessar o tráfego com relativa facilidade. No jogo original, as colisões tinham um peso maior e podiam prejudicar mais diretamente a sua corrida.
É difícil saber, neste momento, o quanto isso mudará na campanha principal, especialmente porque não tivemos acesso à estrutura completa de pontuação e satisfação dos passageiros. Pelo material apresentado até agora, essa parte parece ter uma importância maior na campanha, e pode ser justamente onde o trânsito terá consequências mais relevantes.


A principal novidade na direção está em duas mecânicas. A primeira é o turbo, que pode ser carregado através de itens espalhados pelo cenário. A segunda é a possibilidade de realizar um deslize com o carro ao pressionar o botão correspondente no controle. O detalhe é que esse movimento também ajuda a recarregar o turbo, incentivando o jogador a fazer curvas de lado constantemente.
É uma mecânica que combina bastante com a proposta de Crazy Taxi World Tour. Em vez de simplesmente frear para fazer uma curva, a tendência é entrar nela, deslizar e aproveitar o movimento para manter a velocidade e recuperar o turbo. Isso deixa a condução ainda mais agressiva e cria uma pequena camada de domínio sobre a direção sem tirar a simplicidade característica da série.
Também existe uma diferenciação maior entre os carros. Eles apresentam variações de peso, velocidade e agilidade, fazendo com que a escolha do veículo tenha algum impacto na forma de conduzir. É uma evolução interessante em relação ao que me lembro do jogo original, ainda que o teste não tenha permitido explorar essa variedade de maneira tão profunda.

Primeiras impressões são positivas, mas ainda falta ver o principal
Depois desse primeiro contato, Crazy Taxi World Tour deixou uma impressão bastante positiva. O jogo respeita suas origens, mantém a velocidade e o caos que definem a franquia e, principalmente, entende que parte importante da experiência está justamente em não complicar demais aquilo que funciona.
Os dois modos testados são divertidos e apresentam propostas diferentes, enquanto as novas mecânicas de turbo e drift acrescentam algo à direção sem descaracterizá-la. A identidade visual e a trilha sonora também trabalham muito bem para recuperar a sensação de jogar um Crazy Taxi moderno, mas ainda familiar.
Por outro lado, este foi apenas um teste fechado e bastante específico. Não tivemos acesso à campanha principal, não pudemos avaliar a estrutura completa de progressão e, ironicamente, não conseguimos disputar nenhuma partida contra outro jogador humano em um teste que tinha justamente o multiplayer como foco.
Por isso, ainda existem perguntas importantes a serem respondidas. O que vimos até aqui, porém, é suficiente para deixar uma primeira impressão bastante positiva. Crazy Taxi World Tour parece saber exatamente de onde veio e, ao menos nesse primeiro contato, não demonstra interesse em esconder suas raízes. Agora resta descobrir se essa fórmula consegue se sustentar quando tivermos acesso ao jogo completo.
