Hot Wheels Infinite Rush é o mais novo jogo baseado nos famosos carrinhos de metal e plástico da Mattel e, desta vez, aposta em uma estrutura diferente para a franquia: um mundo aberto dividido em quatro grandes ilhas temáticas. Não há uma história complexa ou personagens para acompanhar. A proposta é bastante direta: explorar, correr, colecionar e se divertir com os carros em um universo que tenta reproduzir a sensação de brincar com Hot Wheels.
O grande pilar da experiência está justamente na combinação entre as quatro ilhas e quatro classes de veículos. Temos os Speeders, focados em velocidade; os Titans, mais pesados e resistentes, semelhantes a caminhonetes e 4×4; os Drifts, especializados em derrapagens; e os Versatiles, que funcionam como opções mais equilibradas.
Cada ilha possui uma identidade própria ligada a uma dessas categorias. A primeira é uma cidade voltada à velocidade, enquanto a segunda explora uma região de floresta. A terceira aposta em pistas de terra e combina com os veículos mais pesados, e a última apresenta uma ambientação fortemente inspirada no Japão, servindo como território dos carros de Drift. Apesar disso, os veículos não ficam limitados aos seus respectivos mapas, permitindo experimentar as quatro classes em praticamente todo o conteúdo.

Essa estrutura funciona especialmente bem porque a desenvolvedora conseguiu transformar o mundo aberto em uma grande representação do universo Hot Wheels. O jogo é visualmente simples quando comparado a grandes produções do gênero, mas é justamente aí que está boa parte de seu charme. Pistas suspensas, loopings, garagens, estacionamentos, dinossauros, dragões, tubarões e outros elementos que remetem diretamente aos brinquedos estão espalhados pelas ilhas.
É como se uma enorme caixa de brinquedos tivesse sido transformada em um mundo aberto. O resultado é um jogo que consegue ser relativamente simples visualmente, mas ao mesmo tempo bastante denso em elementos e atividades.
Aproveite e compre Hot Wheels Infinite Rush em nossa parceira Nuuvem

Sem história, mas com muita coisa para fazer
Como a proposta de Hot Wheels Infinite Rush não envolve uma campanha narrativa tradicional, sua progressão é construída em torno das atividades espalhadas pelo mapa. O caminho principal é bastante simples onde cada ilha possui uma sequência inicial de desafios e, depois de completar cinco deles, o jogador encara uma corrida especial contra um adversário que funciona como uma espécie de chefe daquela região.
Ao vencer essa disputa, um novo carro é liberado e a próxima ilha é desbloqueada. Em aproximadamente quatro ou cinco horas já é possível ter acesso às quatro regiões, o que considero uma decisão acertada. O jogo não tenta segurar artificialmente seu conteúdo e permite que o jogador conheça praticamente toda a estrutura relativamente cedo.
Isso não significa que o conteúdo termine nesse momento. Muito pelo contrário. Cada ilha possui uma grande quantidade de atividades opcionais, incluindo corridas tradicionais, desafios de velocidade, provas de Drift, coleta de objetos, destruição, desafios fotográficos e outros objetivos espalhados pelo mapa.





Também existem diferentes tipos de colecionáveis, como stickers e as letras de Hot Wheels, além dos carros especiais que circulam pelas ilhas e podem ser desafiados para corridas individuais. O dinheiro obtido nessas atividades ainda pode ser utilizado para comprar novos veículos nas lojas de cada região.
É uma estrutura que funciona bem para quem gosta de completar mapas e coletar tudo. Você pode simplesmente seguir a progressão principal, desbloquear todas as ilhas e escolher o que fazer depois, ou continuar explorando até conquistar todos os carros, stickers e desafios disponíveis. Embora seja possível conhecer todo o conteúdo principal em poucas horas, completar efetivamente tudo exige bastante mais tempo.
A customização também aparece de maneira simples, permitindo adicionar melhorias aos carros por meio de itens que alteram características como velocidade, controle e turbo. Não chega a transformar a experiência em um sistema profundo de evolução, mas funciona como um complemento interessante para quem quiser otimizar seus veículos.
E por falar em customização, também é possível entrar no modo editor de pistas e construir a sua pista com tudo o que o jogo tem a oferecer. Essa opção é um excelente sandbox para deixar a criatividade fluir e fazer as pistas mais divertidas e complexas que quiser.

Quatro carros, quatro maneiras de dirigir
A diferença entre as classes é um dos aspectos mais interessantes de Hot Wheels Infinite Rush, porque não se resume à aparência dos veículos.
O Speeder é o especialista em velocidade. É extremamente rápido e recupera o turbo enquanto permanece em alta velocidade, incentivando o jogador a manter o ritmo. Em contrapartida, é também o carro mais difícil de controlar nas curvas.
O Drift segue uma lógica diferente: seu turbo é recuperado principalmente enquanto o jogador derrapa. Isso faz com que as curvas deixem de ser apenas obstáculos e passem a fazer parte da própria estratégia para manter o carro acelerado.
Já o Titan é mais pesado e não alcança a mesma velocidade dos Speeders, mas possui um turbo mais prolongado. O problema é que é preciso administrar seu uso para evitar o superaquecimento, que reduz temporariamente o desempenho.
Por fim, o Versatile é justamente a opção mais equilibrada, sem uma característica tão extrema quanto as demais.
Essa diferenciação dá personalidade às classes e faz com que trocar de carro realmente altere a maneira de jogar. Mesmo dentro de uma experiência acessível, existe uma pequena camada de estratégia na escolha do veículo e na maneira como cada um deve ser conduzido.


Hot Wheels Infinite Rush é acessível para crianças
A dificuldade segue a mesma filosofia de acessibilidade. Nos níveis Fácil e Normal, Hot Wheels Infinite Rush é extremamente tranquilo. Particularmente, senti pouca diferença entre as duas opções, e quem já possui alguma familiaridade com jogos de corrida provavelmente não encontrará grandes obstáculos.
Por outro lado, o jogo possui uma quantidade generosa de assistências. É possível ativá-las para facilitar bastante a condução, algo especialmente interessante para crianças pequenas que ainda não possuem tanta familiaridade com controles de velocidade, curvas e aceleração.
Com todas as assistências ativadas, o carro praticamente segue o traçado da pista, permitindo que uma criança aproveite a experiência sem precisar dominar imediatamente todas as mecânicas.
O cenário muda consideravelmente no modo Difícil. Aqui existe uma diferença bem mais perceptível, e algumas corridas passam a exigir atenção de verdade. Foi nesse nível que encontrei disputas mais equilibradas, inclusive com algumas derrotas, enquanto as dificuldades inferiores raramente ofereceram qualquer resistência.

Um brinquedo muito bem representado
Visualmente, Hot Wheels Infinite Rush não tenta competir com os grandes jogos de corrida em realismo. E nem deveria.
O principal mérito está justamente em entender o que torna Hot Wheels reconhecível. As quatro ilhas são cheias de elementos que parecem ter saído diretamente de uma pista de brinquedo, e a escala ajuda a reforçar essa sensação. As pistas, loopings, estruturas e objetos gigantes ao redor dos carros fazem o mundo parecer uma enorme brincadeira.
Há uma quantidade impressionante de coisas acontecendo nos mapas, mas tudo mantém uma identidade visual bastante coerente com a franquia. As próprias pistas são um espetáculo à parte, e observar como cada ilha transforma sua temática em obstáculos e estruturas diferentes é uma das melhores partes da exploração.
É um daqueles casos em que a simplicidade visual acaba trabalhando a favor da proposta. Hot Wheels Infinite Rush não precisa parecer um mundo real porque seu objetivo é fazer o jogador se sentir dentro de uma brincadeira.

Dois problemas que incomodam
Apesar de ter gostado bastante da experiência, existem dois problemas que merecem destaque.
O primeiro é a falta de uma informação básica nas corridas tradicionais: a distância para os adversários. Nas disputas individuais contra os chefes, é possível saber se o oponente está 10, 100 ou 200 metros atrás ou à frente. Porém, nas demais corridas essa informação simplesmente não está disponível.
Isso prejudica um pouco a leitura da prova. Você pode estar fazendo uma corrida excelente ou muito mal e não ter uma noção clara de sua posição em relação aos adversários até que eles apareçam na pista. É um recurso bastante elementar em jogos de corrida, e sua ausência aqui é difícil de compreender.
O segundo problema é bem mais significativo: os carregamentos são frequentes demais.
Há telas de loading para praticamente tudo. Ao entrar em uma ilha, ao sair dela, ao iniciar uma atividade e novamente ao terminá-la. E, em geral, esses carregamentos levam alguns segundos, muitas vezes entre cinco e dez.
O problema é que Hot Wheels Infinite Rush não é um jogo gigantesco, tecnicamente complexo ou com um mundo aberto de proporções impressionantes como Forza Horizon. Por isso, a quantidade de carregamentos acaba chamando ainda mais atenção. Eles interrompem constantemente o fluxo da experiência e se tornam uma das poucas coisas capazes de realmente incomodar durante toda a aventura.

Uma boa brincadeira para quem gosta de Hot Wheels
No fim das contas, Hot Wheels Infinite Rush entrega uma experiência de corrida acessível, recheada de conteúdo e construída em torno da fantasia de brincar com os famosos carrinhos da Mattel.
A estrutura de mundo aberto combina muito bem com a franquia, as quatro classes oferecem estilos de condução diferentes e existe uma quantidade considerável de atividades para quem gosta de explorar e colecionar. Ao mesmo tempo, a possibilidade de ajustar as assistências faz com que o jogo seja bastante acessível para crianças, enquanto o modo Difícil consegue oferecer um desafio mais interessante para jogadores experientes.
Os carregamentos excessivos são um problema difícil de ignorar, e a ausência da distância para os adversários nas corridas tradicionais também é uma falha desnecessária. Ainda assim, eles não conseguem apagar uma experiência que, no geral, é bastante divertida.
O mais interessante é que Hot Wheels Infinite Rush não tenta prender o jogador artificialmente. Em quatro ou cinco horas você já pode desbloquear todas as ilhas e ter acesso à experiência completa. A partir daí, continuar jogando depende do quanto você gosta de explorar, correr e colecionar. Para quem quiser pegar todos os carros, stickers e desafios, facilmente serão necessárias mais de 20 horas.
É justamente por isso que vejo Hot Wheels Infinite Rush como uma boa recomendação para quem procura um jogo mais relaxante, para fãs da franquia ou, principalmente, para quem quer dividir algumas corridas com os filhos. Ele não precisa ser complexo para funcionar. Basta colocar alguns carrinhos em uma pista cheia de loopings, dinossauros e outras maluquices. E, nesse aspecto, o jogo entende muito bem o que torna Hot Wheels tão divertido.

