Análise: Carrion é visceral, dinâmico e divertido

Leonardo Coimbra ·

Carrion foi apresentado pela Devolver digital na E3 de 2019 e como de praxe, o jogo chamou a atenção imediata dos jogadores. Mesclando elementos de jogos no estilo Metroidvania e uma ambientação tirada de um filme de Alien, fomos apresentados a um monstro que destrói tudo que está em sua frente.

Carrion já está disponível para PC via Steam, Xbox One (incluindo Gamepass) e Nintendo Switch.

Se tornando o terror dos humanos

A história de Carrion é a mais simples possível. Você é um monstro/alienígena que se assemelha a uma ameba e irá comer tudo e todos que passará por sua frente. É correto dizer que uma das inspirações para o jogo certamente foi encontrada no filme Alien.

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Com o avanço da história será possível perceber que está em uma espécie de grande laboratório secreto e que humanos estão fazendo experimentos em você. Algo que é curioso é que ao longo de sua aventura, será possível ter uma espécie de flashback onde você controlará um humano em específico que aparenta estar descobrindo essa instalação.

Sem ter mais o que falar da história, falarei agora dos ótimos gráficos. Feito completamente em Pixle Art, Carrion mostra os mais diferentes ambientes. O jogo que dura cerca de 4 horas te levará por cenários clássicos de laboratório, florestas, minas abandonadas, bunkers, instalação de energia e muito mais.

A animação do jogo é muito bem feita e é incrível como o rastro de destruição de seu monstro afeta o ambiente. Seja destruir uma estação de trabalho ou então espalhar o cenário de sangue, tudo será afetado por cada passo seu. Também é muito legal ver como o ser se move pelas fases podendo ir para todos os lados e criando diversas estratégias.

Ainda falando da parte visual, você, por diversas vezes, irá se fundir o ambiente tornando tudo ainda mais sinistro e terá novos pontos de salvamento e, algumas vezes, novos caminhos para explorar. Aqui vale, mais uma vez, falar da inspiração no filme Alien em como o ambiente fica gosmento e é claro o avanço deste ser no mundo dos humanos.

Por fim, mais um destaque fica para a parte sonora do jogo onde tudo é muito bem feito. É possível ouvir os humanos desesperados, sua respiração de ansiedade e os gritos de medo. Mas também é possível, por exemplo, ouvir os sons das correntes onde você esbarra nelas ou então ouvir uma lâmpada de luz sendo destruída. Um trabalho esplendido na parte sonora do jogo

Carrion é tiro, porrada, bomba e estratégia

Um dos maiores destaques é que não há tédio no jogo. Cada nova sala você terá ou um puzzle para resolver ou então um humano para matar. E o jogo está em constante evolução.

A ideia que norteia o jogo é que você é um monstro que necessita constantemente de biomassa para manter e aumentar sua forma. No início só será possível comer os humanos e se agarrar nas paredes assim como puxar algumas placas do chão e da parede. Aqui já temos a principal mecânica do jogo: pode agarrar tudo e tacar nas pessoas, assim como tacar pessoas nas pessoas.

Porém, Carrion vai muito além disso e adiciona algumas camadas muito interessantes no jogo:

  • Estratégia – Muitas vezes você irá simplesmente entrar em uma sala e matar todos podendo destruir tudo, mas existem diversas situações que isso não será uma boa ideia. Com o avanço do jogo, novos personagens aparecerão e terão armas mais pesadas como um lança chamas e terão escudo protetor. Se for atacá-los sem pensar, você perderá vida rapidamente e poderá morrer. Poder utilizar seu corpo flexível, pegar um item do cenário e atacar a distância ou até se colocar em buracos para surpreender seus inimigos será diversas vezes necessário.
  • Tamanhos diferentes com habilidades diferentes – Ao longo do jogo você será agraciado com novas habilidades e novos tamanhos (pequeno, médio e grande). O interessante e inteligente em Carrion é que cada forma terá seu set de habilidades fazendo com que fique constantemente mudando de forma para acessar uma habilidade mais específica. E claro, quanto maior o monstro, mais temível e mais avassaladoras serão suas técnicas.
  • Quebra cabeças – Quanto não tivermos ação frenética ou então não estarmos encantados com as evoluções desse monstro, estaremos pensando como abrir uma porta ou então passar por um laser de segurança. E isso acaba utilizando uma interessante mecânica de poder depositar parte de sua biomassa em um reservatório de água específico para ter acesso a diferentes habilidades. Por exemplo, quando na forma pequena é possível utilizar um rápido campo de invisibilidade para não ser detectado pelos feixes de luz. Já em sua maior forma, é possível utilizar um grande campo de força e resistir a bombas.
  • Controle humanos – Em alguns momentos específico e para o final do jogo, uma das habilidades será a de controlar humanos. Você poderá tanto resolver puzzles com eles, acessar novas áreas como simplesmente pegar seus adversários de surpresa e matá-los.

Tendo tudo isso sendo usado de forma quase que simultânea e desafiando a perspicácia e habilidade do jogador, o jogo traz uma experiencia fantástica.

Conclusão

Carrion é tão dinâmico e visceral que acaba sendo poético. Durante as 4 horas que levei para zerar Carrion (e já adianto que o jogo não possui mapa, então é possível se perder em alguns momentos), eu curti cada minuto dele. A parte gráfica e do áudio são muito boas e ricas em detalhes. O gameplay é dinâmico e a forma como o mundo reage aos seus ataques é muito bem feito.

E o grande destaque acaba indo para o mix de habilidades que cada uma das três formas possui e a necessidade de você migrar entre elas para conseguir evoluir no jogo e resolver os quebra cabeças.

Talvez a única pequena crítica fique para a movimentação dessa besta quando está em sua última forma. Por ser tão grande, acaba sendo desengonçado e algumas vezes você não saberá onde está sua parte da frente e de trás.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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